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SPTV-Reportagem     

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22/03/2009 - Sitepopular

Bandidos afrontam a polícia

 

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21/01/09 - Concluída hoje a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza

Brasília - As tropas Israelenses deixaram hoje (21) a Faixa de Gaza, segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel. A retirada gradual começou após o Hamas ter anunciado cessar-fogo, no último domingo (18).

O vice-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Ahmed Sobeh, falou, ontem (20), à Rádio ONU, de Ramallah, sobre a destruição de Gaza. Segundo Sobeh, há mais de 50 mil pessoas sem casas, e muitas nem conseguem localizar onde moravam.

Segundo o porta- voz da Embaixada de Israel no Brasil, Raphael Singer, a Faixa de Gaza está recebendo ajuda humanitária, mas é preciso ter cuidado para que essa ajuda não acabe nas mãos dos militantes do Hamas.

“A comunidade internacional tem que ter cuidado para o apoio chegar a quem precisa e não ao Hamas. Temos informações de que a ajuda [enviada ontem] chegou ao Hamas e está sendo vendida em mercados”, afirmou o porta-voz.

Singer disse ainda que é comum países declararem que vão ajudar na reconstrução da Faixa de Gaza, mas algumas vezes só ficam nas promessas.

Em encontro ontem com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban ki-Moon, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, afirmou que gostaria que a ONU coordenasse a reconstrução da Faixa de Gaza.

O Brasil enviou ajuda humanitária à Faixa de Gaza no último dia 08. Uma nova remessa de ajuda manitária ainda não está definida, segundo o Ministério das Relações Exteriores.

 
 

15/01/09 - Israel atinge imprensa e agência da ONU

Os ataques de Israel em Gaza atingiram nesta quinta (15) uma série de veículos de comunicação e uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com informações de pessoas da região, a agência foi atingida por bombas de fósforo branco, que causam grande incineração, o que inutilizou toneladas de produtos enviados pela ajuda humanitária. Os ataques atingiram também sucursais de veículos de imprensa de todo o mundo , inclusive da poderosa Reuters, todas localizadas no bairro de Al-Shurouq Tower. Os ataques obrigaram a suspensão da ajuda que a ONU oferece na região e ocorreram ao mesmo tempo que o secretário-geral da instituição, Ban-Ki-moon, está na região para acompanhar os esforços pela paz. Ele afirmou estar “escandalizado” com o bombardeio e que o número de mortos no conflito é “insuportável”.

 

14/01/09 - Forças israelenses aproximam-se do centro de Gaza

GAZA (Reuters) - As forças israelenses chegaram mais perto do coração da cidade de Gaza na terça-feira e o principal general de Israel disse que "ainda há trabalho pela frente" contra o Hamas, na violenta ofensiva que já dura 18 dias.

O total de palestinos mortos subiu para 952, informou o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contabilizando a morte de 400 mulheres e crianças na campanha israelense. Israel disse que as perdas de seu lado somam 10 soldados e três civis atingidos por foguetes do Hamas.

Explosões e disparos de artilharia pesada ecoaram pela cidade de 500 mil habitantes depois que os tanques israelenses se aproximaram, mas não entraram, na região central da cidade, densamente povoada.

Talat Jad, de 30 anos, morador do subúrbio Tel al-Hawa, de Gaza, onde os tanques entraram durante a noite, disse que ele e outros 15 membros de sua família abrigaram-se em um cômodo da casa deles, sem coragem de olhar pela janela.

"Nós até desligamos nossos celulares porque ficamos com medo de que os soldados dos tanques pudessem ouvi-los", disse Jad. "Alguns de nós recitamos o Alcorão e outros rezaram para que o barulho das explosões acabasse."

Profissionais da área médica disseram que 18 combatentes palestinos -- em sua maioria integrantes do grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza -- e sete civis morreram nos combates mais recentes.

No Cairo, uma delegação do Hamas retomou as conversações com o Egito sobre um plano de cessar-fogo proposto pelo país árabe, que faz fronteira com a Faixa de Gaza e com Israel e que fez as pazes com o Estado judaico.

Um caça israelense atacou 60 alvos, incluindo túneis usados por militantes de Gaza para contrabandear armas a partir da fronteira com o Egito, locais de fabricação de armas e postos de comando do Hamas, disse o Exército de Israel.

Dois foguetes atingiram Beersheba, no sul de Israel, sem deixar feridos.

"Nós já conseguimos fazer muita coisa atingindo o Hamas e sua infraestrutura, seu governo e seu braço armado, mas ainda há trabalho pela frente", disse o tenente-general Gabi Ashkenazi, chefe do estado-maior das forças armadas de Israel, a um comitê parlamentar.

Ashkenazi afirmou que os aviões israelenses lançaram mais de 2,3 mil ataques desde o início da ofensiva, no dia 27 de dezembro.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está a caminho da região para uma semana de negociações com líderes no Egito, Israel, Jordânia e Síria com vistas a pôr fim ao derramamento de sangue.

Grupos de direitos humanos relataram escassez de suprimentos vitais, incluindo água, na Faixa de Gaza. A escassez de combustíveis provoca apagões frequentes.

 
 

08/01/08 - Israelenses começam a chegar ao Egito para negociações

Representantes israelenses já chegaram ao Cairo, no Egito, para discutir uma proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza, segundo informações da agência argentina Telam. Ontem (7) diplomatas egípcios disseram que vão conversar separadamente com enviados de Israel, da Autoridade Nacional Palestina e do movimento Hamas sobre a proposta de trégua apresentada pela França e pelo Egito.

O chanceler egípcio, Ahmed Abul Gheit, disse que o seu país vai pedir a Israel e ao Hamas que aceitem primeiro um cessar-fogo temporário, “que levaria a um cessar-fogo permanente e consolidado”. De acordo com ele, em seguida vão ser feitas negociações com a União Européia e a Autoridade Palestina sobre como reabrir a passagem de Rafah, que liga o território egípcio ao palestino.

Ontem, Israel deu sinais de que vê o plano com bons olhos, mas não confirmou que o aceitaria. Já o Hamas quer o fim do bloqueio imposto a Gaza desde que o movimento islâmico tomou o controle da região, em 2007.

Além disso, a comunidade árabe quer uma resolução vinculante do Conselho de Segurança das Nações Unidas que exija o fim da ofensiva e uma retirada israelense de Gaza. Estados Unidos, Reino Unido e França defendem um texto menos duro, que enfatize que qualquer cessar-fogo durável requer o fim do bloqueio e do armamento do Hamas.

Na última noite, o Exército de Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza, com 60 ataques aéreos. De acordo com os israelenses, os alvos foram dez túneis usados pelo Hamas para esconder armas, bases policiais, aparatos de lançamento de foguetes e homens armados. No entanto, fontes palestinas afirmam que uma mesquita na Cidade de Gaza também foi destruída.

Em paralelo às negociações no Cairo, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu mais uma vez em Nova York. A Líbia apresentou, com apoio dos países árabes, o rascunho de uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato. A proposta foi criticada pelos EUA, que alegaram que a linguagem era muito crítica a Israel.

A França, o Reino Unido e os Estados Unidos apresentaram uma proposta de resolução que foi considerada mais amena. No entanto, os países árabes protestaram, dizendo que a credibilidade do Conselho de Segurança está em jogo e que uma resolução que coloque um fim na crise deve ser aprovada imediatamente.

Em 12 dias, a ação militar já provocou a morte de pelo menos 704 palestinos, dos quais se estima que 220 sejam crianças. Segundo balanço dos serviços médicos da Palestina, os feridos somam 3,1 mil.

 
 

07/01/08 - Depois de pausa, Israel retoma ataques contra Gaza

Brasília - Depois de uma pausa de três horas nos ataques à Faixa de Gaza, Israel retomou a ofensiva logo depois das 12h, horário de Brasília, segundo informações da BBC Brasil. Ainda não está claro se a pausa diária, que o governo israelense prometeu para a partir de hoje, cobrirá toda a região de Gaza.

Hoje (7), o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que tanto Israel quanto a Autoridade Palestina aceitaram a proposta de cessar-fogo no território, apresentada em conjunto com o Egito. Israel disse que aceitou, em princípio, os termos do acordo.

No entanto, o grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que ainda não há consenso em relação ao cessar-fogo. Atualmente, a Autoridade Palestina é controlada pelo Fatah, grupo rival do Hamas.

De acordo com o Ministério da Saúde palestino, mais de 600 pessoas morreram desde o início da operação militar de Israel, em 27 de dezembro. Pelo menos 205 vítimas são crianças, afirmam fontes palestinas. Não é conhecido o número de crianças entre os 2,9 mil feridos, por causa do caos instalado em Gaza.

Psiquiatras infantis na Faixa de Gaza e no sul de Israel temem que algumas crianças nunca se recuperem dos danos psicológicos causados pela violência do conflito.
Segundo o diretor do Programa Comunitário de Saúde Mental da Faixa de Gaza, Iyad Sarrai, muitas pessoas estão ligando para o centro, mas os funcionários tiveram que abandonar o escritório da organização depois de um ataque aéreo.

 
 

VIOLÊNCIA ENTRE TORCIDAS ORGANIZADAS DE FUTEBOL

CARLOS ALBERTO MÁXIMO PIMENTA
Professor de Sociologia na Universidade de Taubaté

 

O FENÔMENO: "TORCIDAS ORGANIZADAS"

A violência ao redor do futebol não é acontecimento novo e há exemplos na história do futebol brasileiro e mundial (Murphy, Williams e Dunning, 1994:39-70) de atos de extrema violência entre torcedores. O que é inédito é o movimento social de jovens em torno de uma organização que difunde novas dimensões culturais e simbólicas no cotidiano urbano, amoldando o comportamento dos inscritos. Diante desse contexto, duas questões ficam registradas: quem são esses "torcedores"? Quais os motivos desse aumento considerável de violência?

Dos anos 80 para cá, sabe-se que, no Brasil, o comportamento do torcedor nas arquibancadas dos estádios de futebol modificou-se consideravelmente. Isso se deu pelo surgimento de configurações organizativas com característica burocrática/militar, fenômeno essencialmente urbano que cria uma nova categoria de torcedor, ou seja, o chamado "torcedor organizado".

Fica uma indagação: em quais circunstâncias socioculturais, políticas e econômicas nasce essa "nova categoria de torcedor"? A questão perpassa todo texto e remete à análise da constituição do tecido social das grandes cidades.

As primeiras "torcidas organizadas" datam do fim da década de 60 e do começo dos anos 70. Nesse período, o Brasil caminhava em passos largos na busca do desenvolvimento econômico e a cidade de São Paulo avançava no processo de aceleração urbana, porém, notoriamente desarticulado e descompromissado com as bases sociais.

A violência entre "torcidas organizadas" não está desarticulada dos aspectos político, econômico e sociocultural vivenciados nas relações individuais e grupais na sociedade brasileira contemporânea. Conseqüentemente, o estilo de vida dos jovens, aqui denominados de novos sujeitos sociais, não pode ser dissociado dos desdobramentos causados por esses traçados político-econômicos legitimados no "jogo" social. Na década de 70, o poder de mando do complexo industrial interferiu nas macroorganizações político-econômicas, provocando grandes instabilidades nas microorganizações sociais emergentes.

Em outras palavras, o conflito entre os poderes econômico e social marcou a construção do espaço urbano das grandes cidades, prevalecendo o interesse do capital e, de alguma forma, esse processo interferiu, inclusive, na identidade social dos jovens que se expressam através da negação do outro (enquanto ser social), da disputa e da violência prazeirosa entre os grupos rivais.

Ademais, um apontamento possível desses desdobramentos é o esvaziamento da noção do coletivo na formação dos jovens, fator indispensável na compreensão dos novos sujeitos. O aumento dos atos de violência praticados pelo movimento de "torcidas organizadas" tem decorrência no surgimento desses "sujeitos". Estes são, predominantemente, jovens individualizados, do ponto de vista da formação de uma consciência social e coletiva. O diálogo grafado viabiliza melhor o entendimento da argumentação exposta:

"Repórter: - O que você acha dessa violência?

Torcedor: - (...) a gente tem um cachorro que vai e te morde e você vai ficar parado?

Os atos de violência perdem a percepção da existência do outro, enquanto pessoa do mesmo grupo social ou mesmo humana:

"Repórter: - Você chegou a bater em alguém?

Torcedor: - Não sei...

Repórter: - Você se defendeu pelo menos?

Torcedor: - Defendi...

Repórter: - O que você acha disso, você gosta?

Torcedor: - Gosto ... é só para chegar em casa e ter o prazer de tirar um barato com os meus amigos.

Repórter: - Não importa que alguém morra nisso?

Torcedor: - Não sendo amigo meu, tudo bem?

Armando Nogueira, no programa "Apito Final", da TV Bandeirantes, no dia 20 de agosto de 1995, após o acontecimento no Pacaembu, percebeu que "(...) É com um constrangimento inimaginável. Eu estava vendo estas cenas aqui e não é o caso da gente fazer uma pergunta mais profunda, porque a paisagem humana que eu vi em campo era predominantemente de adolescentes, predominantemente de garotos e aí eu pergunto: como nos desculpar de tudo isso? O que o Brasil tem feito pela sua infância? O que o Brasil tem feito pela sua adolescência? (...) eu não tenho a menor dúvida que nós não podemos nos considerar inocentes."

 
 

Nas Filipinas, um espetáculo lamentável: Briga de Cavalos.

 

Uma organização internacional que defende os direitos dos animais está fazendo uma campanha para pôr fim às brigas de cavalo nas Filipinas, uma tradição cultural das comunidades nativas do sul do país. A Network for Animals critica o "esporte sangrento", em que os cavalos seriam colocados numa arena e em seguida incitados a brigar diante de multidões, em plena luz do dia.

"A briga de cavalos é um esporte sangrento em que dois garanhões são incitados a brigar por uma égua no cio. Os eventos ocorrem em estádios ou em áreas cercadas diante da platéia", descreve o documento divulgado pela organização.

 

Fêmea no cio

"Numa luta típica, dois garanhões são apresentados a uma fêmea no cio, que fica na arena durante a luta. Normalmente, eles começam a brigar logo em seguida para obter o privilégio de cruzar com a égua", afirma o documento.

Ainda segundo os ativistas, os cavalos "se mordem, dão coices e cabeçadas para derrotar o adversário". Perde o animal que se render, fugir ou morrer, afirma a Network for Animals.

"Durante a luta, a fêmea assiste à briga e pode passar horas debaixo do sol sem direito a água." Ainda de acordo com a ONG, muitos animais terminam a luta com membros quebrados, olhos e orelhas arrancadas e alguns morrem dias depois em decorrência dos ferimentos.

Para se preparar para a luta, diz o grupo, os animais passam por "treinamento brutal envolvendo carregamento de peso ladeira acima para melhorar a força".

BBC-BR

 
 

Policiais civis e militares estão em confronto em São Paulo

 

São Paulo - Policiais civis e militares estão em confronto há cerca de uma hora em São Paulo. Em greve há 30 dias, os civis faziam manifestação no bairro Morumbi, na zona sul da capital, na intenção de chegar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

Segundo João Batista Rebouças, um dos policiais civis que estão na manifestação, cerca de 3 mil policiais caminhavam pacificamente pelo Morumbi quando foram surpreendidos pela Polícia Militar.

"Jogaram polícia contra polícia, isso é um absurdo", afirma. De acordo com Rebouças, seis policiais civis estão feridos e um do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) perdeu um dedo. "Atiraram, jogaram bombas de gás lacrimogêneo, pimenta. Não estamos armados e [estamos] sendo tratados com insensatez".

Procurada pela reportagem da Agência Brasil, a Polícia Militar afirmou que o conflito é assunto da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, que não se manifestou a respeito.

 
 

ALERTA CONTRA A INSEGURANÇA
DO SISTEMA ELEITORAL INFORMATIZADO

 

Matéria publicada em 2003 no site Votoseguro.org

 

Somos favoráveis ao uso da Informática no Sistema Eleitoral, mas não à custa da transparência do processo e sem possibilidade de conferência dos resultados.

Cidadão brasileiro,

Nosso regime democrático está seriamente ameaçado por um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto do Voto Virtual, PL 1503/03. Este projeto, sob a máscara da modernidade, acaba com as alternativas de auditoria eficiente do nosso Sistema Eleitoral Informatizado, pois: (1) elimina o registro impresso do voto conferido pelo eleitor, substituindo-o por um "voto virtual cego", cujo conteúdo o eleitor não tem como verificar; (2) revoga a obrigatoriedade da Justiça Eleitoral efetuar uma auditoria aberta no seu sistema informatizado antes da publicação dos resultados finais; (3) permite que o Sistema Eleitoral Informatizado contenha programas de computador fechados, ou seja, secretos.

O Projeto de Lei do Voto Virtual nasceu por sugestão de ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Senador Eduardo Azeredo, e sua tramitação tem sido célere, empurrado pela interferência direta desses ministros sobre os legisladores, como declarado por estes durante a votação no Senado.

As Comissões de Constituição e Justiça das duas casas legislativas analisaram a juridicidade do projeto mas, apesar dos constantes alertas de membros da comunidade acadêmica para seus riscos sem rigorosos procedimentos de auditoria e controle, nenhuma audiência pública com especialistas em Informática e Segurança de Dados foi realizada.

Essa lei, se aprovada, trará como resultado a instituição de um sistema eleitoral no qual não se poderá exercer uma auditoria externa eficaz, pondo em xeque até os fundamentos do projeto democrático brasileiro. Aceitando essa interferência e implantando um sistema eleitoral obscuro, corremos o risco de virmos a ser governados por uma dinastia, com os controladores do sistema eleitoral podendo eleger seus sucessores, mesmo sem ter os votos necessários.

A nação, anestesiada pela propaganda oficial, lamentavelmente desconhece o perigo que corre. Os meios de comunicação, com honrosas exceções, omitem-se inexplicavelmente, como se o assunto não fosse merecedor de nossa preocupação.

A finalidade deste alerta é a denúncia da falta de confiabilidade de um sistema eleitoral informatizado que: utiliza programas de computador fechados, baseia-se em urnas eletrônicas sem materialização do voto, não propicia meios eficazes de fiscalização e auditoria pelos partidos políticos, e identifica o eleitor por meio da digitação do número de seu título eleitoral na mesma máquina em que vota. Assim, o princípio da inviolabilidade do voto, essencial numa democracia, será respeitado apenas na medida em que os controladores do sistema eleitoral o permitirem, transformando-se o voto secreto em mera concessão.

Uma verdadeira caixa-preta a desafiar nossa fé, este sistema é inauditável, inconfiável e suscetível de fraudes informatizadas de difícil detecção. Como está, ele seria rejeitado na mais simples bateria de testes de confiabilidade de sistemas pois, em Informática, "Sistema sem fiscalização é sistema inseguro". Muitas das fraudes que ocorriam quando o voto era manual, foram eliminadas, mas o cidadão brasileiro não foi alertado de que, com a informatização, introduziu-se a possibilidade de fraudes eletrônicas mais sofisticadas, mais amplas e mais difíceis de serem descobertas.

Enquanto os países adiantados caminham no sentido de exigir que sistemas eleitorais informatizados possuam o registro material do voto, procedam auditoria automática do sistema e só utilizem programas de computador abertos, com esse Projeto de Lei do Voto Virtual, o Brasil vai na contramão da história.

De que adianta rapidez na publicação dos resultados, se não respeitarmos o direito do cidadão de verificar que seu voto foi corretamente computado? Segurança de dados é assunto técnico especializado e assusta-nos a falta de seriedade com que nossa votação eletrônica tem sido tratada, nos três Poderes, por leigos na matéria. Os rituais promovidos pelo TSE, como a apresentação dos programas, a carga das urnas e os testes de simulação são apenas espetáculos formais, de pouca significância em relação à eficiência da fiscalização.

Surpreende-nos, sem desmerecer suas competências na área jurídica, que autoridades respeitáveis da Justiça Eleitoral possam anunciar, com toda a convicção, que o sistema eleitoral informatizado é "100% seguro" e "orgulho da engenharia nacional", externando inverdades em áreas que não dominam, alheias ao seu campo de conhecimento específico.

Para o eleitor, a urna é 100% insegura, pois pode ser programada para "eleger" desde vereadores até o próprio presidente. O único e mais simples antídoto para esta insegurança é a participação individual do eleitor na fiscalização do registro do seu próprio voto, pois ele é o único capaz de fazer isto adequadamente.

O TSE sempre evitou debater tecnicamente a segurança da urna, ignorando todas as objeções técnicas em contrário. Nenhum estudo isento e independente foi feito até hoje sobre a alegada confiabilidade da urna sem o voto impresso. O estudo de um grupo da Unicamp (pago pelo TSE), parcial e pleno de ressalvas, recomendou vários procedimentos como condição para garantir o nível de segurança necessário ao sistema. Essas ressalvas, infelizmente, foram omitidas na propaganda sobre as maravilhas da urna.

A confiabilidade de sistemas informatizados reside nas pessoas e nas práticas seguras. Palavras mágicas como assinatura digital, criptografia assimétrica, embaralhamento pseudo-aleatório e outras panacéias de nada valem se não forem acompanhadas de rigorosos procedimentos de verificação, fiscalização e auditoria externas. Se esta urna algum dia cair sob o controle de pessoas desonestas, elas poderão eleger quem desejarem. De modo algum podemos confiar apenas nas pesquisas eleitorais como modo de validar os resultados das urnas eletrônicas, especialmente se as diferenças entre os candidatos forem pequenas.

Nenhum sistema informatizado é imune à fraude, especialmente a ataques internos, como sucedeu em julho de 2000 com o Painel Eletrônico do Senado, fato que levou à renúncia de dois senadores. A única proteção possível é um projeto cuidadoso que atenda aos requisitos de segurança, e à possibilidade de auditorias dos programas, dos procedimentos e dos resultados.

Basta de obscurantismo no sistema eleitoral. Enfatizamos a necessidade de serem realizados debates técnicos públicos e independentes sobre a segurança do sistema e de seus defeitos serem corrigidos, antes da aprovação de leis que comprometam a transparência do processo.

A democracia brasileira exige respeito ao Princípio da Transparência e ao Princípio da Tripartição de Poderes no processo eleitoral.

Instamos todos os eleitores preocupados com a confiabilidade de nosso sistema eleitoral a transmitirem suas preocupações, por todos os meios possíveis, a seus representantes no Congresso e aos meios de comunicação.

Brasil, setembro de 2003

Signatários:

Walter Del Picchia
Professor Titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - USP

Jorge Stolfi
Professor Titular do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP

Michael Stanton
Professor Titular do Depto. de Ciência da Computação da Universidade Federal Fluminense - UFF

Routo Terada
Professor Titular do Depto. de Ciências da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo - USP

Edison Bittencourt
Professor Titular da Faculdade de Engenharia Química da Universidade de Campinas - UNICAMP

Pedro Dourado Rezende
Professor do Depto. de Ciência da Computação da Universidade de Brasília - UNB - Representante da Sociedade Civil no Comitê Gestor da Infra-estrutura de Chaves Públicas ICP-Brasil

Paulo Mora de Freitas
Chefe do serviço de Informática do Laboratório Leprince-Ringuet da Ecole Polytechnique, Palaiseau, França

José Ricardo Figueiredo
Professor Dr. do Departamento de Energia da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade de Campinas - UNICAMP

 
 

 

30/05/2008 - Sitepopular

Amazônia à venda

 

Uma organização não-governamental inglesa oferece a compra de terras da Amazônia por meio da internet. A ONG alega que a compra ajuda a preservar o meio ambiente. A Agência Brasileira de Inteligência e a Polícia Federal já investigam a entidade suspeita de irregularidades

"Ajudar-nos a comprar a Amazônia não é apenas uma ótima oportunidade de investimento: pode ser a única maneira de salvar a floresta. Lembre-se, a Amazônia não pertence a nenhum país. Pertence ao mundo".

O apelo é feito em inglês por uma pessoa que se apresenta como diretor senior da Arkhos Biotechnology, empresa que tem como divisa a frase: "The future is ours" (o futuro é nosso).

 
 

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