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01/07/2009 - Sitepopular / por Theoney Guerra

 

Eunápolis: Comunidade da Colônia se organiza contra a instalação de Hidrelétrica

 
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Eunápolis: Comunidade da Colônia se organiza contra a instalação de Hidrelétrica

 

Cerca de duas centenas de moradores do distrito da Colônia -município de Eunápolis- se reuniram ontem à noite na igreja São Jorge, quando debateram questões relacionadas à implantação da usina hidrelétrica -mais conhecia como PCH- Pau Ferro, a ser construída no rio Buranhém –também conhecido como rio do Peixe, nas proximidades daquela localidade.

A reunião que foi convocada por representantes da comunidade, teve a presença de dois palestrantes convidados: João Alves Neto, promotor de Justiça e representante do Ministério Público no Conselho Municipal de Meio Ambiente (CONDAU) e Ivonete Gonçalves de Souza, coordenadora do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul (CEPEDES), ONG local. Participou também José Henrique Barbosa, advogado e representante da OAB Eunápolis no CONDAU.

Foi um encontro preparatório para a audiência que foi convocada pela Renova Energia, empresa responsável pela construção da PCH Pau Ferro e deverá acontecer no próximo dia 4, sábado, quando deverá ser apresentado um estudo de impactos da obra. A Pau Ferro será a primeira de seis pequenas usinas cuja construção está prevista no Buranhém.

O promotor público e a coordenadora do Cepedes foram convidados para proferir palestras em razão de terem um amplo conhecimento das questões ambientais, de uma forma geral e mais especificamente dos impactos que podem ser causados pelas PCHs.

A reunião pareceu ter sido bastante esclarecedora. O promotor, João Alves fez duras críticas ao processo de licenciamento que está em andamento, bem como à empresa e ao Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEPRAM).  Segundo o promotor, todo o processo de licenciamento, desde os estudos iniciais, têm muitos indícios de fraudes, com inúmeros dados e informações falsas, que teriam sido apresentados de forma proposital, com a finalidade de viabilizar o empreendimento. E classificou como “maquiavélico” o jeito como a empresa estaria tentando aliciar as pessoas, cooptando-as a apoiar o projeto. Disse ainda que vai processar criminalmente os responsáveis pelo Laudo que foi feito para obter o Termo de Referência –início do processo de licenciamento.

Por sua vez, Ivonete apresentou informações contidas num documento que obteve junto ao moimento dos atingidos pelas barragens. Segundo ela, os impactos provocados por barragens começam com a chegada de um grande número de trabalhadores, que trazem consigo doenças contagiosas, como: tuberculose, sífilis, AIDS, entre outras. Daí, as populações são atingidas por outros impactos econômicos -com o alagamento de áreas de plantios, até os impactos indiretos-, sociais -a perda dos laços comunitários, separação de comunidades e famílias, destruição de igrejas e inundação de locais sagrados-, e ambientais, cujo principal costuma ser o alagamento de importantes áreas florestais e o desaparecimento de animais.

Representantes da comunidade denunciaram que já há articulações visando convencer e aliciar pessoas da comunidade a apoiar a implantação do empreendimento, e até ameaças, visando calar a comunidade na audiência do dia 4.

O advogado José Henrique fez um relato sobre a situação do Buranhém hoje, já bastante assoreado, salientando que as bombas da Embasa que fazem a captação da água que serve a cidade de Eunápolis, ao retirar a água do rio já captam até 30% de areia.  

 

 

 

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