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A Justiça paulista acatou denúncia apresentada
pelo Ministério Público do Estado de São Paulo com base em investigação
feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
contra o bispo Edir Macedo e mais nove integrantes da Igreja Universal do
Reino de Deus, acusados dos crimes de formação de quadrilha e lavagem de
dinheiro.
Além de Edir Macedo, foi instaurada ação criminal contra os bispos Alba
Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da
Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luís Dutra
Leite, Maurício Albuquerque e Silva, Osvaldo Scriollli e Veríssimo de Jesus.
Segundo o levantamento feito pelo Ministério Público e pela Polícia Civil,
as fraudes vinham sendo praticadas há pelo menos dez anos. Os acusados
usavam dinheiro de doações dos fiéis para benefício próprio. A investigação
constatou que a movimentação chega a R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos
coletados em 4,5 mil templos em 1,5 mil cidades do país. Só no período de
2003 a 2008, os depósitos para a Igreja Universal do Reino de Deus
alcançaram R$ 3,9 bilhões.
Segundo explicação do Ministério Público, os líderes religiosos consumiam
grande parte das pregações com a defesa da coleta dos dízimos, argumentando
que os recursos seriam necessários para a compra de óleos santos de Israel,
para o financiamento de novos templos e para custeio das transmissões de
cultos e mensagens religiosas em emissoras de rádio e televisão.
Para facilitar a arrecadação, eram recebidos valores por meio de cheques,
além de doações de bens como carros. Entre as irregularidades constatadas na
investigação estão a abertura de empresas de fachada e o envio ilegal de
dinheiro para o exterior. Os acusados também procuraram se favorecer da
imunidade tributária concedida pela Constituição Federal aos templos
religiosos. Eles investiam os valores destinados à Igreja Universal, sobre o
qual não incidia a cobrança tributária, na aquisição de bens particulares
entre os quais imóveis, veículos e joias.
Os recursos obtidos por meio de doações eram aplicados em duas empresas de
fachada: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A.,
ambas encarregadas do esquema de envio de dinheiro para o exterior. As
remessas iam para contas nos chamados paraísos fiscais, em que os
favorecidos têm vantagens como sigilo e baixo custo de movimentação.
Depois esses valores retornavam ao país na forma de contratos que permitiam
a legalização do uso do dinheiro na compra de empresas de comunicação. Em
2004 e 2005, essas empresas movimentaram em torno de R$ 71 milhões.
De acordo com a assessoria de imprensa da Igreja Universal, por enquanto, os
dirigentes da instituição não vão se pronunciar sobre o recebimento da
denúncia pela Justiça de São Paulo. Procurada pela Agência Brasil, a
assessoria jurídica dos acusados informou que os advogados estavam em uma
reunião. |