![]() |
|
||
|
|
|||
|
|
|
||
.................................................................................................
|
20-05-2004 - Waldir Pires |
|
Waldir Pires foge do debate na Câmara
Controlador gagueja e se enrola na Comissão de Fiscalização e Controle Editoria de Política
José Carlos Araújo fez as perguntas que os baianos fazem a Pires e não têm resposta *Foto: Antonio Saturnino BRASÍLIA - O chefe da Controladoria Geral da União (CGU), o ex-governador Waldir Pires (PT), gaguejou, se enrolou, mas não respondeu aos questionamentos feitos pelo deputado federal José Carlos Araújo (PFL), ontem, durante audiência pública da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara Federal. A audiência, que contou ainda com o presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, teve o objetivo de debater o trabalho desenvolvido pela CGU no suposto combate à corrupção e no controle dos gastos públicos. O controlador geral não aceitou debater as reclamações dos municípios com o presidente da CNM, dizendo que havia sido convidado para falar sobre a atuação da CGU. Segundo José Carlos Araújo, tanto ele quanto a entidade têm recebido queixas de todo o país, não apenas dos prefeitos da Bahia, sobre a atuação da CGU. Segundo as denúncias, a Controladoria é tendenciosa, vale-se da fiscalização para intimidar e perseguir prefeitos de partidos de oposição, em benefício dos candidatos aliados do governo federal, sobretudo do Partido dos Trabalhadores, ao qual Pires é filiado. Sem conseguir o debate, o deputado José Carlos Araújo encaminhou dez perguntas ao controlador, nenhuma delas respondida de forma objetiva e direta. O deputado baiano quis saber porque o sistema de sorteio - depois de realizado nove vezes e selecionar 381 cidades brasileiras para serem fiscalizadas - foi quebrado para investigar as prefeituras pefelistas de Porto Seguro, Maragogipe e Cansanção e nada foi feito com relação às prefeituras petistas de Alagoinhas e Itabuna, apesar dos fortes indícios de irregularidades. De olhos arregalados, o controlador geral tergiversou, falou da atuação da CGU na fiscalização dos recursos públicos, mas não respondeu o porquê da preferência por prefeituras baianas administradas pelo PFL e partidos aliados. E por ter investigado apenas uma prefeitura do PT, a da pequena Pintadas, na região de Ipirá, sem denunciar o desvio de verbas federais. O deputado também quis saber se o controlador geral considerava ético e legal divulgar no site da CGU informações preliminares sobre investigações realizadas em municípios, sem que tenham sido cumpridos todos os procedimentos legais de tomadas de contas, e sem que os gestores tivessem amplo direito à defesa. Mais uma vez, José Carlos Araújo não obteve uma resposta direta. Araújo insistiu. Quis saber se o controlador acha ético e isento, sendo ele político, ex-deputado federal, ex-governador, realizar fiscalização em municípios baianos onde ele tem interesses políticos. Ou participar do lançamento de pré-candidaturas de aliados em municípios que ele tem a responsabilidade de fiscalizar. Não obteve resposta. O deputado continuou com as perguntas: "Consciencioso de suas responsabilidade, já que tem sobre os ombros o controle e a transparência, gostaria de saber quais as providências adotadas nas denúncias sobre o caso Waldomiro Diniz, cuja suspeita foi levantada em junho de 2003 e reiteradas a partir de 13 de fevereiro deste ano, agora fundamentadas em fortes evidências? E sobre o custeio da viagem da então ministra do Desenvolvimento Social, Benedita da Silva, à Argentina? E sobre as denúncias de supostos favorecimentos no pagamento de empreiteiras pelo Ministério dos Transportes? E quanto às denúncias de beneficiamento de empresas terceirizadas pelo Ministério do Trabalho? E porque o ministro ainda está ocupando um apartamento funcional da Câmara dos Deputados - já que não é mais deputado -, conforme denunciou a imprensa?" José Carlos Araújo foi mais além e perguntou se a CGU tem conhecimento de que uma ONG chamada Colméia, com sede nos Barris, em Salvador, estaria executando obras de revitalização do Parque da Sementeira, em Aracaju (SE), custeadas pela Petrobras. Ou ainda das denúncias publicadas pela revista Veja, edição 1.846, de que a Controladoria Geral da União está sob suspeita. De acordo com a Veja, a Secretaria de Controle Interno da Presidência da República encaminhou ao Tribunal de Contas da União pedido de auditoria sobre indícios de soluções heterodoxas em licitações e outras questões administrativas adotadas pela Controladoria Geral. "A denúncia procede? Quais as circunstâncias envolvidas e as providências adotadas?", insistiu Araújo sem novamente obter uma resposta objetiva de Waldir Pires. Por fim, cansado de ver o ministro tergiversar, José Carlos Araújo questionou porque Pires, que assinou atos oficiais durante toda a sua vida pública e em todos os cargos apenas como "Waldir Pires", modificou-a quando recebeu sua segunda aposentadoria como ex-governador da Bahia, ato assinado em 24 de julho de 1989, pelo então governador Nilo Coelho e publicado do Diário Oficial do estado cinco dias depois, um sábado, com a forma pouco usual de "Francisco W. P. de Souza". A esta última pergunta o controlador sequer precisou responder: um providencial "apagão" em todo o Congresso Nacional, que se estendeu pela Esplanada dos Ministérios, fez com que a audiência pública, que acontecia no plenário 11, fosse interrompida. Waldir Pires aproveitou e, cercado por assessores e seguranças da Casa, foi conduzido até portas dos fundos da Câmara dos Deputados e saiu. |
| Fonte: Correio BA |
Os assuntos assinados são de responsabilidade dos autores
Copyright © 2003 - Sitepopular.com.br Ltda