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03/10/2004 -
Liberdade de credo, liberdade de opinião e liberdade de voto |
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Flávio Oliveira
Liberdade de credo, liberdade de opinião e liberdade de voto.
Esses três princípios, que dão base ao estado democrático de direito, estão
contidos na Constituição Brasileira, mas são constantemente atacados no país.
Sobretudo em época de eleição, quando o poder econômico, o uso da força ou apelo
emocional falam mais alto que a análise racional e consciente de candidatos e
propostas para o futuro dos municípios.
Na disputa por votos, os candidatos costumam falar em “bases políticas”, que
podem ser categorias profissionais, bairros, associações e sindicatos. A
depender da personalidade de candidatos, igrejas e grupamentos religiosos podem
ser entendidos como base política também, embora Deus, Jeová, Alá ou os orixá
nada tenham a ver com desigualdades, injustiças, negociatas e acordos espúrios.
Ao contrário, a maioria das religiões trabalha com a hipótese de construção de
uma sociedade igualitária, em que um homem não seja prejudicado em detrimento de
outro. Cristo, por exemplo, afirmava a existência de um reino dos Céus para
almas de boa vontade, mas também pregava a construção do paraíso na terra. O
filho de Maria e José se posicionava politicamente contra a escravidão e a
dominação dos judeus pelos romanos.
O posicionamento da Igreja Católica para essas eleições, como das últimas, é o
de pedir a seus adeptos o voto consciente. “A Igreja não tem candidatos. A
Igreja Católica tem propostas, projetos, indicações”, disse o arcebispo primaz
do Brasil, cardeal dom Geraldo Majela, por meio de nota oficial enviada por sua
assessoria de comunicação. “Usar a Igreja para impor nomes pode ferir os
princípios da democracia, da liberdade do voto, do direito de escolher. Pode
soar a coerção”, completou na mesma nota.
DIGNIDADE – De fato, nos últimos anos a Igreja Católica tem adotado posições
políticas bastante contundentes, como campanhas pelo voto consciente, contra a
corrupção ou a iniciativa de criar uma lei para coibir a compra de votos. “A
Igreja forma consciências, busca preparar para uma escolha saudável e
comprometida com a História e com a dignidade da pessoa humana”, prosseguiu o
cardeal, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) na mesma nota.
A postura de neutralidade, de não imposição de nomes ou partidos, também é
seguida pelo candomblé. Djalma de Iansã, mãe-de-santo do terreiro Ilê Axé
Omontoyá, afirmou que a religião afro-baiana traz para a política a filosofia de
livre arbítrio adotada em outra esferas das vidas de seus seguidores. “A
mãe-de-santo pode ter as preferências dela, mas não faz a cabeça de ninguém.
Apenas espera que todos votem com consciência”, declarou. “A mãe-de-santo cuida
do Orixá, aconselha para a prática de fazer o bem. O seguidor faz o que quer. A
mãe está acima do bem e do mal. Ela cria filhos, não naturezas”.
De acordo com Djalma de Iansã, essa postura histórica da religião foi mantida
este ano, mesmo com o Candomblé sendo alvo constante de ataques de Igrejas
Evangélicas, na chamada intolerância religiosa da Bahia. “Não posso garantir por
todos os terreiros, mas a regra é essa. Acho que em alguns lugares existem
aqueles que vendem seu voto, que trabalham dentro da perspectiva de dar e
receber, da troca de favores”, explicou.
Evangélicos progressistas
O senso comum denota às Igrejas Evangélicas posturas rigidamente conservadoras,
com o pastor impondo candidatos aos fiéis. A realidade, porém, é diferente.
Tanto assim que existe em todo o Brasil o Movimento dos Evangélicos
Progressistas (Mep). Alba Rodrigues Victor, coordenadora do Mep em Salvador,
explicou que o movimento existe para conscientizar o povo evangélico, sem
induções. “É uma conscientização social e sobre a importância do voto. Da
necessidade de se não vender votos ou de se deixar manipular, inclusive por
pastores”, disse. Integram o Mep membros das Igrejas Batista, Assembléia de
Deus, Prebisteriana, Luterana, entre outras. “O movimento está aberto a todos
evangélicos”, definiu.
“É preciso acabar com a história do crente votar em crente só porque é crente.
Há muito crente safado, como qualquer outra categoria”, criticou. “O eleitor não
pode deixar se impressionar por um discurso religioso. O discurso tem de ser
político, a vida religiosa é a parte. O eleitor, evangélico ou não, tem que
olhar as pessoas e seu programas de governo, já que o governante não vai
governar apenas para os evangélicos”, completou.
Apesar do discurso contundente, Alba Victor disse que o Mep é um organismo
desvinculado de partidos políticos e de correntes ideológicas, baseado nos
princípios de Deus expostos na Bíblia. “Somos evangélicos comprometidos com
mudanças sociais dentro da integridade cristã, rigor ético a favor de toda a
sociedade. Isso nos leva a confrontar políticos que se dizem evangélicos mas
que, no fundo, agem contra a vontade de Deus, que se vendem ou trocam favores,
e, assim, prejudicam toda a sociedade”, resumiu.
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Sitepopular / Fonte: A Tarde |
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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos
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