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Notícias

   
18/05/2006 - MP-BA/MariaAlcinaPipolo

Vereador paga empréstimo pessoal com dinheiro público

 

 

O Ministério Público da Bahia ajuizou 'Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa' contra o presidente da Câmara Municipal de Serrolândia (320 Km de Salvador), vereador Raimundo Rios Maia, que, para pagamento de um empréstimo pessoal, com o auxílio de vereadores e 'laranjas', desviou recursos públicos, via pagamentos por serviços inexistentes, envolvendo uso indevido do nome de empresa que atua no ramo da contabilidade pública. “A imoralidade, a desídia no zelo dos recursos públicos, a utilização dos mesmos para a satisfação de interesse escuso, o enriquecimento irregular pessoal e alheio são evidentes, tendo-se utilizado de simulado negócio jurídico de prestação de serviços, simplesmente para deviar numerário do município de Serrolândia, à disposição e administração do Poder Legislativo local, para pagamento de dívida de seu presidente”, assinala o titular da 5ª Promotoria de Justiça de Jacobina, em exercício de substituição em Serrolândia, promotor de Justiça José Jorge Meireles Freitas, no requerimento encaminhado à juíza da Vara Criminal da Comarca.

Além de Raimundo Maia, a Ação Civil foi ajuizada contra o professor João Santana Júnior; o técnico em contabilidade Dalmir Lima Cerqueira; os auxiliares de contabilidade Everton de Oliveira Vilas Boas e Elber Vilas Boas Matos; o comerciante Geraldo Celestino de Santana Filho; os vereadores Jaime Franco Filho, José Robervalter Rios Cunha e Clebson Lima de Moura; e o servidor do Poder Legislativo Municipal José Orlando Costa Rios. Antes da Ação por Improbidade Administrativa, o promotor de Justiça já havia oferecido 'Denúncia Criminal' no final de abril, contra as mesmas pessoas, tomando por base representação formulada pelo cidadão Juvecy Santos Bispo e as peças informativas do Inquérito Policial 038/2005.

O presidente da Câmara de Vereadores, lembra o representante do MP, determinou o pagamento de R$ 7 mil, em parcelas mensais de R$ 1 mil, à empresa Freire Informática Ltda., de fevereiro a agosto de 2005, por supostos serviços de 'locação de sistemas de contabilidade pública e folhas de pagamento', os quais a empresa nunca prestou, além de não ter recebido os recursos, tendo seu nome sido usado indevidamente. Para tanto, Raimundo Maia se valeu do auxílio de Dalmir Cerqueira, que prestava serviços contábeis ao Poder Legislativo e confeccionava os fraudulentos processos de pagamento. Ambos se servirem como instrumentos para o favorecimento de João Santana Júnior, que administra um escritório de contabilidade em Salvador, é sócio de Maia, e fez o empréstimo a Raimundo Maia, no valor de R$ 5.500,00, no início de 2005.

“Ainda que de forma não intencional, mas sem qualquer espécie de cautela para com o patrimônio público, já que assinavam cheques em branco, contribuíram para o desvio dos recursos oficiais os vereadores e tesoureiros da Câmara, Clebson de Moura, José Cunha e Jaime Franco Filho”, informou o promotor de Justiça. Igual procedimento teve o servidor José Rios, que declarava falsamente, em todos os pagamentos fraudulentos, sem a devida observação do cuidado cabível. Para a concretização dos ilícitos, eram utilizadas as contas bancárias de Everton Vilas Boas e Elber Matos, auxiliares de contabilidade de Dalmir Cerqueira e João Santana Júnior, bem como do comerciante Geraldo Santana Filho, que simulava a venda de materiais de consumo para o Poder Legislativo. Na ação, o representante do MP requer a quebra do sigilo bancário e fiscal dos acionados (exceto dos vereadores tesoureiros e de José Rios), a fim de se comprovar o trânsito escuso de dinheiro público e o enriquecimento ilícito, bem como a condenação dos réus, dentro da gradação legal, a perde da função pública, ressarcimento do dano, suspensão dos direitos políticos, pagamento de multa civil e proibição de contratar com o Poder Público e de receber deste benefícios fiscais ou creditícios.

 

         

 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

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