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Notícias

   
25/01/2006 - A. Tarde - Maria Eduarda Toralles
Reintegração de posse em Cabrália
 

 

Por determinação da Justiça, famílias são retiradas de área da Veracel e acusam policiais de queimar os barracos

 

SANTA CRUZ CABRÁLIA (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) – Representantes da Federação de Trabalhadores na Agricultura no Estado da Bahia (Fetag) foram surpreendidos, ontem, com a reintegração de posse da área da Fazenda Água Vermelha pertencente a empresa Veracel, em Santa Cruz Cabrália, a 507 quilômetros de salvador. A área estava ocupada por famílias de trabalhadores desde o dia 29 de dezembro,

A reintegração já havia sido determinada no início de janeiro pelo juiz Afrânio de Andrade Filho, mas só foi cumprida ontem, com o apoio de cerca de 100 policiais militares, segundo informações das famílias que estavam na área. – Ocorreram várias irregularidades na reintegração. A Fetag não foi comunicada antes, para que a gente acompanhasse a ação.

Nós respeitamos a decisão da Justiça, mas também queremos que nossos direitos sejam respeitados – disse o assessor da Fetag, José Augusto Júnior, acrescentando ainda que, hoje, já estava agendada uma reunião com representantes jurídicos da empresa de celulose para negociar a saída das famílias da área.
  
VIOLÊNCIA – Júnior só foi avisado sobre a reintegração após a ação já ter sido executada. “Eles chegaram para todos os lados; quando vimos, estávamos cercados. Já chegaram dizendo que era para sairmos, senão iriam queimar tudo com a gente dentro”, disse o trabalhador rural sem-terra Erivaldo Gomes.

Segundo os trabalhadores rurais, a PM, que teria chegado à área em dois ônibus, não deu tempo para que as famílias recolhessem seus pertences, tocando fogo nas cerca de 25 barracas de lona que estavam no local e expulsando as famílias da área com empurrões.

– Perdi todos os meus documentos – afirmou o sem-terra José Vieira Martins, que estava saindo do local com a mulher Maria e dois filhos pequenos.

O coronel Júlio dos Santos, do 8º BPM, nega as acusações de abuso e afirmou que o material queimado era pertencente ao próprio local e teria sido reunido e queimado por pessoas contratadas pela Veracel, logo após a saída das famílias da área.

A assessoria de comunicação da empresa Veracel informou que aguarda mais informações para se pronunciar sobre o assunto.

 

 

 
 

         
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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