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EUNÁPOLIS (DA
SUCURSAL EXTREMO SUL) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autuou a empresa Veracel
Celulose, no extremo sul da Bahia, em R$ 360 mil, “por dificultar a
regeneração natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200
hectares”, segundo informou o gerente do Ibama, em Eunápolis, José
Augusto Tosato.
Ele disse que a empresa foi enquadrada na Lei de Crimes Ambientais,
de 1998, e que o crime foi constatado com base, sobretudo, em
análises de imagens de satélite e informações georeferenciadas sobre
as áreas pertencentes às empresas de celulose que atuam na região,
fornecidas pelo Ministério Público.
Em nota oficial, o assessor de Imprensa da Veracel, Gleison Rezende,
respondeu para A TARDE que a empresa “tomou conhecimento de uma
suposta autuação por parte do Ibama, através de notícia vinculada no
site daquele órgão, e que, até o presente momento (dia 25), não
chegou a esta empresa qualquer tipo de comunicação oficial”.
A nota revela ainda que a posição da Veracel é de perplexidade pela
maneira como o assunto foi divulgado. Diz, ainda, que o conteúdo do
documento divulgado no site “carece de veracidade e tem cunho
difamatório, contrário aos compromissos e práticas da Veracel na
área de sustentabilidade, notadamente aquelas relativas à
preservação e regeneração da Mata Atlântica”. A Veracel informou,
também, que tão logo receba o comunicado oficial tomará as
providências legais cabíveis na defesa de seus direitos e legítimos
interesses.
A devastação ambiental preocupa o Ibama, entre outros motivos,
porque a Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do planeta.
No Brasil, restam apenas 7% da sua configuração original. “Diante
desse fato, impedir sua regeneração em área de 1.200 hectares é
delito gravíssimo”, diz José Augusto Tosato. “Enquanto fazemos de
tudo para conectar os fragmentos florestais que resistem, via
Projeto Corredores Ecológicos, é inaceitável que empresas trabalhem
na contramão dessa estratégia vital para a salvação da Mata
Atlântica”, completou.
Segundo Tosato, o Ibama dará prosseguimento às investigações, pois
há indícios de desmatamentos em outros pontos da floresta na região.
Uma vez confirmados, novos autos serão emitidos, áreas serão
embargadas para ser recuperadas. A Veracel possui cerca de 140 mil
hectares no extremo sul da Bahia, 75 mil plantados com eucalipto
para produção de celulose. Metade da companhia pertence à empresa
sueco-filandeza Stora-Enso, metade à brasileira Aracruz Celulose.
CORREDORES – Quase todo sul da Bahia foi beneficiado pelo
Projeto Corredores Ecológicos, de proteção e expansão de florestas
tropicais, entre as quais a Mata Atlântica. O projeto conta, na
Bahia, com a parceria do Governo do Estado, além da participação de
órgãos públicos e organizações não-governamentais. “Objetivo é criar
condições para aumentar a conectividade dos remanescentes
florestais”, explica o gerente do Ibama, em Eunápolis, José Augusto
Tosato.
Os ministérios públicos Federal e Estadual, além de outras entidades
representativas, solicitavam ao Ibama informações sobre os impactos
de plantações de eucalipto (para produção de papel) na Mata
Atlântica. Este fato levou o órgão a realizar audiência pública em
Porto Seguro, em outubro passado. Mais de 2.600 pessoas
compareceram, entre elas lideranças da comunidade, o que, para o
gerente do Ibama, demonstra a preocupação que o tema suscita na
Bahia.
Segundo o gerente substituto do Ibama na Bahia, Célio Costa Pinto,
“cabe ao Ibama garantir o uso sustentável dos recursos naturais e a
promoção do desenvolvimento sustentável, por isso mesmo temos que
agir com firmeza quando há um desequilíbrio entre a atividade
econômica intensiva em detrimento da preservação da natureza”.
Luciana Rezende |