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26/12/2005 - A Tarde

Veracel é multada em R$ 360 mil

 
A punição, com base em dados do Ministério Público, foi por impedir a regeneração de florestas de Mata Atlântica
 

EUNÁPOLIS (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autuou a empresa Veracel Celulose, no extremo sul da Bahia, em R$ 360 mil, “por dificultar a regeneração natural de florestas de Mata Atlântica em 1.200 hectares”, segundo informou o gerente do Ibama, em Eunápolis, José Augusto Tosato.

Ele disse que a empresa foi enquadrada na Lei de Crimes Ambientais, de 1998, e que o crime foi constatado com base, sobretudo, em análises de imagens de satélite e informações georeferenciadas sobre as áreas pertencentes às empresas de celulose que atuam na região, fornecidas pelo Ministério Público.

Em nota oficial, o assessor de Imprensa da Veracel, Gleison Rezende, respondeu para A TARDE que a empresa “tomou conhecimento de uma suposta autuação por parte do Ibama, através de notícia vinculada no site daquele órgão, e que, até o presente momento (dia 25), não chegou a esta empresa qualquer tipo de comunicação oficial”.

A nota revela ainda que a posição da Veracel é de perplexidade pela maneira como o assunto foi divulgado. Diz, ainda, que o conteúdo do documento divulgado no site “carece de veracidade e tem cunho difamatório, contrário aos compromissos e práticas da Veracel na área de sustentabilidade, notadamente aquelas relativas à preservação e regeneração da Mata Atlântica”. A Veracel informou, também, que tão logo receba o comunicado oficial tomará as providências legais cabíveis na defesa de seus direitos e legítimos interesses.

A devastação ambiental preocupa o Ibama, entre outros motivos, porque a Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do planeta. No Brasil, restam apenas 7% da sua configuração original. “Diante desse fato, impedir sua regeneração em área de 1.200 hectares é delito gravíssimo”, diz José Augusto Tosato. “Enquanto fazemos de tudo para conectar os fragmentos florestais que resistem, via Projeto Corredores Ecológicos, é inaceitável que empresas trabalhem na contramão dessa estratégia vital para a salvação da Mata Atlântica”, completou.

Segundo Tosato, o Ibama dará prosseguimento às investigações, pois há indícios de desmatamentos em outros pontos da floresta na região. Uma vez confirmados, novos autos serão emitidos, áreas serão embargadas para ser recuperadas. A Veracel possui cerca de 140 mil hectares no extremo sul da Bahia, 75 mil plantados com eucalipto para produção de celulose. Metade da companhia pertence à empresa sueco-filandeza Stora-Enso, metade à brasileira Aracruz Celulose.

CORREDORES – Quase todo sul da Bahia foi beneficiado pelo Projeto Corredores Ecológicos, de proteção e expansão de florestas tropicais, entre as quais a Mata Atlântica. O projeto conta, na Bahia, com a parceria do Governo do Estado, além da participação de órgãos públicos e organizações não-governamentais. “Objetivo é criar condições para aumentar a conectividade dos remanescentes florestais”, explica o gerente do Ibama, em Eunápolis, José Augusto Tosato.

Os ministérios públicos Federal e Estadual, além de outras entidades representativas, solicitavam ao Ibama informações sobre os impactos de plantações de eucalipto (para produção de papel) na Mata Atlântica. Este fato levou o órgão a realizar audiência pública em Porto Seguro, em outubro passado. Mais de 2.600 pessoas compareceram, entre elas lideranças da comunidade, o que, para o gerente do Ibama, demonstra a preocupação que o tema suscita na Bahia.

Segundo o gerente substituto do Ibama na Bahia, Célio Costa Pinto, “cabe ao Ibama garantir o uso sustentável dos recursos naturais e a promoção do desenvolvimento sustentável, por isso mesmo temos que agir com firmeza quando há um desequilíbrio entre a atividade econômica intensiva em detrimento da preservação da natureza”.
Luciana Rezende

         
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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