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19/08/2004 - Serrarias precisam de eucalipto

 

Madeireiros de Eunápolis e de Itabela, reclamam da redução da oferta do produto, pela Veracel, e prevêm desemprego

Maria Eduarda Toralles

EUNÁPOLIS E ITABELA (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) –
Proprietários de serrarias de Eunápolis e de Itabela (21 ao todo) encaminharam um documento à Veracel Celulose solicitando reavaliação da redução “drástica” da quantidade de m³ de eucalipto que será oferecida para aquisição das serrarias. Segundo os proprietários, o consumo mensal de m³ de eucalipto é de 13.400 e a empresa passará a ofertar apenas 5 mil m³. “A redução acarretará grande desorganização do setor e desempregos”, garantem.

“Dependemos diretamente da madeira da empresa”. Hoje, as serrarias de Eunápolis e de Itabela geram mais de 1.300 empregos diretos. Estas são a principal fonte de emprego de Itabela. Produzimos 6.000 m³ de pó de serra utilizado diretamente em cerâmicas, não existe outro produto para substituí-lo. Além disso, os resíduos de eucalipto abastecem padarias, laticínios, entre outros”, afirmaram os proprietários.

“Trabalho há 20 anos neste setor. Com a proibição do Ibama para a exploração dos recursos naturais remanescentes da Mata Atlântica comecei a trabalhar, há 15 dias, com eucalipto. Com essa redução tive que demitir hoje 30 dos meus funcionários”, revelou Glória Rodrigues Frisso, proprietária da Madeireira Líder Ltda.

REFUGO – Segundo Ricardo Louzada, secretário de Meio Ambiente da Prefeitura de Eunápolis, as serrarias consomem apenas o produto que não tem utilidade para a celulose, somente o refugo da madeira. “A gente limpa a área para eles. Na realidade a venda para as serrarias é um compromisso social da empresa que gera grande lucro para ela. Só para exemplificar, o custo de plantio para eles é de R$ 1.800 por hectare, depois de cinco anos eles vendem a mesma área por R$ 5.600 o hectare”, disse um proprietário de madeireira que preferiu não se identificar.

De acordo com os proprietários, nunca existiu um acordo formal com a Veracel, apenas um acordo verbal, mas a venda de madeira seria uma condicionante para resolver problemas sociais da região. “Consideramos a cota estabelecida pela empresa muito aquém das necessidades do nosso setor. Não queremos causar problemas, só queremos conciliar para que todos possamos trabalhar”, salientou outra proprietária.

QUESTÃO SOCIAL – O diretor florestal da Veracel, Antônio Sérgio Alípio, informou que na realidade não houve uma redução. A empresa teria vendido excepcionalmente este ano um volume maior que nos anos anteriores e resolveu retornar a quantidade média vendida normalmente. “Nós não temos nenhuma obrigação de vender madeira. Estamos atendendo esse mercado com o objetivo de alavancar o setor madeireiro da região. Fazemos mais por questão social”.

De acordo com Alípio, em curto prazo, a empresa pretende reavaliar os critérios para venda de madeira. “Recebemos a visita de uma equipe da Delegacia Regional do Trabalho (DRT), que nos alertou sobre as obrigações trabalhistas dessas empresas para as quais estávamos fornecendo madeira. Muitas delas foram notificadas pela DRT. Não podemos mais transigir com parceiros que não cumpram o mínimo das obrigações legais. Seremos mais rígidos em relação a isso”, disse o presidente da Veracel, Vitor Manoel Domingos da Costa,

Segundo informaram os diretores da Veracel, a longo prazo, a empresa pretende fornecer conhecimentos para que as serrarias possam produzir sua própria madeira. “Em conjunto eles poderiam buscar financiamento e a Veracel repassaria o conhecimento que possui”, salientou o presidente da Veracel.
 

 

 

 

Fonte: Sitepopular / A Tarde

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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