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A fabricante finlandesa de papéis e cartões Stora
Enso dará início à produção comercial de celulose em sua fábrica instalada
em Eunápolis, no Sul da Bahia, no próximo mês, em mais um passo para a empresa assegurar
fornecimento de matéria-prima a baixo custo.
Dois anos após a joint-venture com a fabricante
de papel e celulose Aracruz iniciar a construção da planta de 1,2 bilhão de dólares da
Veracel, a unidade iniciou testes para produção de celulose de eucalipto.
Em 1 de junho, metade da produção de celulose será transformada em
produtos de papel em fábricas da Stora Enso na Europa e, eventualmente, na
China. O restante da matéria-prima será destinado à Aracruz.
A produção deve atingir cerca de 330 mil toneladas de celulose este ano e
aumentar progressivamente para 1 milhão de toneladas em 2007.
A cerca de 70 dólares por tonelada de madeira, os custos da Veracel estão
entre os mais baixos do mundo e representam aproximadamente metade dos
custos que a Stora Enso tem em suas fábricas finlandesas, disse Glauco
Affonso, vice-presidente das operações latino-americanas da Stora Enso.
Estrategicamente, a Veracel "é uma fonte de matérias-primas de baixo
custo, o que é hoje um fator importante em nosso mercado", disse Affonso,
enquanto levava um grupo de jornalistas para uma visita pela nova fábrica.
A construção da Veracel é parte de uma iniciativa da Stora Enso para
aumentar sua presença em mercados emergentes como o Brasil, que pode
produzir celulose a baixo custo, ou como a China, que deve aumentar a
demanda por produtos de papel.
Analistas dizem que a busca por mercados emergentes é importante para
companhias européias do setor, que têm visto sua lucratividade erodir
devido à reviravolta nos preços do papel no mundo e à fraqueza do dólar.
O analista do Deutsche Bank em Londres, Mathias Carlson, disse que a
Veracel ajudará a Stora Enso a superar esse cenário. "Eles estão bem
posicionados na batalha por matéria-prima barata", disse ele.
Executivos da companhia sinalizaram que estão pensando em acrescentar
outra linha de produção na Veracel para aumentar a produção.
Mas Affonso informou que a companhia está concentrando esforços na
consolidação da primeira linha da Veracel. Além disso, tal crescimento
exigiria que a empresa comprasse mais terras já que suas instalações
atuais permitem a produção de 1,25 milhão de toneladas de celulose por ano
no máximo.
A Veracel tem cerca de 165 mil hectares de terras na Bahia. Cerca de 70
mil hectares estão plantados com árvores de eucalipto que serão derrubadas
a cada sete ou oito anos. Em comparação, a Stora Enzo precisa de 50 a 70
anos para que pinheiros e outros dois tipos de árvores fiquem prontas para
serem derrubadas em suas plantações nórdicas. Além disso, a produção de
madeira é menor.
A produtividade por hectare da Veracel é de 50 metros cúbicos de madeira
por ano, comparado com 3 a 5 metros cúbicos por hectare por ano em países
nórdicos, disse Affonso.
"A Veracel realmente definiu um novo patamar em termos de baixo custo na
produção de madeira", disse o executivo.
O restante das terras da Veracel estão sendo conservadas como Mata
Atlântica ou sendo restauradas, estratégia que a Stora Enzo espera que
sirva para aumentar sua imagem de proteção à ecologia junto a clientes
preocupados com o impacto ambiental da produção.
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