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Mulher aponta
assassinos de Valdenor
mas polícia ignora a revelação, feita em depoimento
oficial há meses, assim como outras evidências de
que
o ex-prefeito de Jussari foi assassinado, e não vítima de um enfarto.
Depois de 10 meses, a família ainda não tem sequer o laudo médico.
Todo o material colhido pelos peritos do DPT de Itabuna foi para Salvador
e até hoje não saiu o resultado.
A versão que se sustenta é de que ele teria morrido de enfarto
fulminante, mas a família tem certeza de que ele foi assassinado.
De acordo com o irmão de Valdenor, Calvet Cordeiro, existe uma forte
suspeita de que o ex prefeito tenha sido envenenado.
Ele conta que na família nunca houve um caso de enfarto e seu irmão
era uma pessoa saudável, que se preocupava com sua saúde.
"A própria demora do laudo médico já deixa forte suspeita de que ele
realmente foi assassinado. Não acredito que o resultado de um enfarto
demore tanto para sair".
As investigações sobre a morte de Valdenor foram iniciadas com
declarações de técnicos do DPT informando ter quase certeza de que o
ex-prefeito fora assassinado, mas nenhum documento oficial foi emitido
para o chefe da 6ª Coordenadoria da Policia Civil de Itabuna, delegado
Carlos Nascimento, que na época ficou responsável pelo caso.
Em fevereiro, a Secretaria de Segurança Pública nomeou o delegado
especial João Laranjeira, de Salvador para dar prosseguimento nas
investigações.
O delegado foi à cidade algumas vezes, ouviu várias pessoas mas não
indiciou ninguém como provável culpado ou mandante do crime. O inquérito
está hoje no Ministério Público, sob a promotoria do Dr. Cassio Marcelo.
Testemunha
De acordo com o irmão de Valdenor, Calvet Cordeiro, existem provas
que indicam que Valdenor foi assassinado.
Ele acompanhou a perícia e viu o coração de Valdenor sem qualquer
sinal de que ele tenha tido um enfarto, pois se fosse assim o coração
deveria estar preto. Calvet diz que a boca apresentava sinais de que tenha
sido forçada para tomar alguma coisa.
Mais importante é o testemunho de uma mulher, que no dia do crime
estava numa casa que dá fundo para a de Valdenor.
Ela afirma que viu seis homens pulando o muro, quatro conhecidos e
dois encapuçados. E que ouviu Vadenor pedindo para não ser morto porque
tinha filhos para sustentar. Pouco tempo depois os clamores cessaram.
"Meu irmão fez capoeira por um bom tempo e tinha um bom preparo
físico. Um mês antes da morte ele tinha passado por um médico e feito
vários exames, com todos os resultados dentro da normalidade", lembra
Calvet.
"Quem encomendou o assassinato sabia disso, por isso mandou seis
homens para forjar um enfarto. Pela forma como ele foi encontrado, tudo
indica que foi morto na sala e levado para o quarto. A cama onde ele foi
encontrado estava intacta".
Calvet conta que a testemunha já foi ouvida por todos os delegados
que pegaram o caso e pelo Ministério Público, mas até o momento não houve
mandado de prisão para ninguém.
"Uma das pessoas vistas pela testemunha já vinha fazendo ameaças de
morte para Valdenor e, no final do ano passado, ele registrou três queixas
na delegacia de Jussari".
Para Calvet a morte de Valdenor foi um crime político. "Nós vamos
continuar lutando por justiça. O ministro Waldir Pires, da Corregedoria
Geral da união, está marcando uma audiência com o Ministro da Justiça,
onde pretendemos solicitar a punição dos culpados".
A população de Jussari já fez duas manifestações públicas com
cartazes, faixas e muita indignação clamando por justiça. O promotor
Cassio Marcelo não foi encontrado pela reportagem para falar sobre o caso.
Valdenor Cordeiro, 61 anos foi encontrado morto no seu quarto, no
final da tarde do dia 2 de janeiro, um dia após ter sido empossado no
cargo de prefeito do município. Ele assumiria a prefeitura pela segunda
vez.
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