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15/05/2005 - Redes de TV são condenadas por discriminação religiosa

                                                               
 

 

 

Da redação - Sitepopular

 

Do site www.infojur.com.br

 

Brasília - A Rede Record de Televisão e a Rede Mulher foram condenadas pela juíza Marisa Cláudia Gonçalves Cucio, da Justiça Federal em São Paulo, por discriminação contra religiões afro-brasileiras e seus praticantes. As emissoras transmitem programas da Igreja Universal do Reino de Deus, que as controla, considerados pela Justiça ofensivos à liberdade religiosa.

A decisão foi tomada em uma ação civil pública de autoria do MPF (Ministério Público Federal), do Intecab (Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileira) e do Ceert (Centro de Estudos das Relações do Trabalho e da Desigualdade).

Pela decisão, as emissoras estão obrigadas a transmitir durante sete dias consecutivos um programa de uma hora de duração do Intecab e do Ceert sobre os cultos trazidos ao Brasil pelos escravos, como direito de resposta. Além disso, as rés terão de transmitir três chamadas diárias _ de manhã, à tarde, e à noite _ para os programas das entidades.

Todos os custos de produção e transmissão serão pagos pelas emissoras, que terão um prazo de 15 dias após serem citados para começar a produzir os programas. Os direitos de resposta serão transmitidos no mesmo horário dos programas “Sessão de Descarrego” e “Mistérios”. A multa diária para o descumprimento da ação é de R$ 10 mil.

De acordo com a juíza a decisão teria de ser imediata, pois os danos causados pelos programas da igreja aos praticantes de cultos afro-brasileiros são de difícil reparação. Ela destacou ainda que a Constituição Federal prevê um laico e com liberdade de culto.

Segundo a magistrada, o MPF está certo de participar do caso como direito difuso, pois a programação em questão fere os princípios de uma sociedade justa e solidária, com respeito à diversidade cultural do país. Destacou ainda que a decisão não é de impedir a transmissão de um programa ou de censurá-lo, mas de dar espaço para a defesa de quem se sente ofendido por ele.

Os autores da ação anexaram fitas de VHS com os programas transmitidos como prova de que as religiões afro-brasileiras e seus praticantes eram ofendidos nos programas feitos de Igreja Universal.

A ação é da antiga procuradora regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, Eugênia Fávero, e é assinada também pelo coordenador da Comissão de Direitos Humanos da seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Hédio Silva Júnior, que assumirá a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo. "A decisão corajosa e inédita da Justiça Federal mostra que não há espaço, em nossa democracia, para que igrejas arrebanhem fiéis à custa de ofensas a outras religiões", disse o procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Sergio
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 Fonte:  Sitepopular

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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