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20/10/2005 -
UNEB recebe visita de
relator da ONU sobre discriminação racial e xenofobia
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Sitepopular.com |
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ASCOM/UNEB |
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O
relator especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre Formas
Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância
Correlata, Doudou Diène, visita, nesta quinta-feira (20/10), a
Universidade do Estado da Bahia (UNEB) para conhecer, in loco, as ações
afirmativas e reparativas já implementadas pela instituição de ensino.
O
relator será recepcionado pela reitora Ivete Sacramento, na Reitoria da
UNEB, no campus do Cabula, às 14h.
Em visita oficial ao Brasil, no período de 17 a 25 de outubro,
Doudou Diène, interessou-se por conhecer a UNEB, instituição pioneira, nas
regiões Nordeste e Norte do país, na adoção do sistema de cotas para
afrodescendentes egressos da rede pública de ensino. Desde 2003, a UNEB
destina 40% das vagas de todos os cursos de graduação e pós-graduação para
esse público. Essa e outras ações afirmativas e reparativas da UNEB foram
adaptadas por outras instituições de ensino no país e exterior.
Nascido no Senegal, Doudou Diène é advogado e cientista
político, doutor em Direito Público. Foi vice-presidente e secretário do
Grupo Africano e do G-77 e diretor da Divisão de Projetos Interculturais
da Unesco. No ano de 2002, o relator especial foi designado pela Comissão
de Direitos Humanos da ONU para realizar estudos sobre incidentes
relativos a formas contemporâneas de racismo, discriminação racial e
qualquer tipo de discriminação contra afrodescendentes, árabes e
muçulmanos, xenofobia e anti-semitismo e formas correlatas de
intolerância, bem como sobre medidas governamentais para superá-los.
O
objetivo principal de sua visita ao Brasil é dar seguimento à visita feita
por seu antecessor, o relator especial Maurice Glèlè-Ahanhanzo, quando de
sua vinda ao Brasil em junho de 1995, inteirar-se dos avanços e
iniciativas em políticas públicas e ações governamentais de promoção da
igualdade racial, ao mesmo tempo em que manterá diálogo com grupos
organizados da sociedade civil. O interesse de Doudou Diène centra-se
especialmente sobre as plataformas dos partidos políticos. O relator
especial foi recebido hoje, dia 19, pelo governador Paulo Souto.
O
relatório de sua visita ao Brasil será apresentado durante a 62ª Sessão da
CDH, em abril de 2006. |
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Relator da ONU diz que é preciso
mudar o conteúdo da educação
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Racismo são construções ideológicas que buscam levar a vítima a
considerá-lo como uma coisa natural. Se repete como uma mantra que
educação é a solução, mas na minha experiência percebi que o racismo exige
uma desconstrução intelectual, o que muitos países não fazem. A questão é
o conteúdo da educação. As palavras são de Doudou Diène, relator
especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre Formas
Contemporâneas de Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância
Correlata, durante visita à Universidade do Estado da Bahia (UNEB), onde
foi recebido pela reitora Ivete Sacramento, pró-reitores, professores e
representantes dos alunos e técnicos. |
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Formulando perguntas e
solicitando sugestões, o relator ouviu da reitora Ivete Sacramento um
resumo das medidas afirmativas implantadas pela universidade nos últimos
anos, entre as quais as cotas para afrodescendentes no concurso
Vestibular despertaram maior reação da sociedade, trazendo à tona o
racismo velado da sociedade baiana, inclusive de Salvador, onde 85% da
população é afrodescendente.
Ela destacou, ainda, alguns
pontos sobre como o racismo se manifesta na Bahia e no Brasil, entre
eles as ameaças pessoais que sofreu à época da implantação das cotas
(2002) e as discussões travadas no Conselho Nacional de Reitores, onde é a
única de cor negra: “Quando estou presente a discussão é uma, quando não
estou é outra”, disse a reitora.
Entre os dados apresentados,
a reitora destacou o fato da UNEB ter, antes da política de cotas apenas
1,8% de afrodescendentes entre seus alunos, percentual que hoje é de 40%,
representando, em números, mais de sete mil alunos. Destacou também o bom
desempenho acadêmico, a evasão quase nula e perfeita integração com
estudantes não cotistas, jogando por terra os principais argumentos
daqueles que protestavam contra a política de cotas.
Do lado docente, ressaltou
que há 8 anos a universidade contava com dois doutores negros, número hoje
na casa de 40, fruto dessa política em todos os seus cursos, seja de
graduação ou pós. Também importante segundo a reitora, foi a inserção da
questão no ambiente acadêmico, provocando o surgimento de artigos, teses e
dissertações sobre as ações afirmativas no Brasil como um todo, muitas já
transformadas em livro.
Colocando à disposição da
comissão da ONU a experiência adquirida pela universidade, a reitora
ofereceu, como contribuição, as peças de defesa produzidas pelo procurador
geral da UNEB, Jônatas Falcão, que derrubaram nos tribunais as ações
impetradas contra as cotas, algumas eivadas de expressões racistas, que
atribuíam a adoção dessa política ao fato da reitora ser negra,
desconsiderando ter sido tomada pelo Conselho Universitário, como é normal
em instituições dessa natureza.
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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos
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