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03-05-2004 - Turismo |
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“Ser diferente é que atrai gente!” Cultura Baiana: Diferencial no turismo brasileiro
Cristiano Raykil Professor de Sociologia do Turismo e Diversidade Cultural da UniSulBahia Faculdades Integradas A importância do conhecimento antropológico no estudo do turismo é impar, pois essa atividade, muito praticada pelos seres humanos, traz consigo um recorte cultural que se realiza no contraste entre o “EU” e o “OUTRO”, produzindo emoções que motivam uma grande quantidade de pessoas a se deslocarem em busca desse “DIFERENTE”. Comparando a uma análise de mercado, onde podemos direcionar as organizações a uma orientação para o marketing, estabelecendo o “targeting” que é a escolha daqueles clientes que irão reagir melhor às ofertas de produtos e serviços e às comunicações da organização, e esses clientes encontram-se em uma configuração de espécie (o ser humano), recortamos então uma característica peculiar das culturas humanas que é o “deslumbre pelo diferente”. Essa percepção do “outro” se apresenta de diversas formas que colaboram com o percurso histórico de cada cultura. As Grandes Navegações européias foram motivadas principalmente pela busca do contato com o outro, mesmo que esse contato não gerasse um benefício para o outro, resultado disso foram os grandes genocídios históricos ocorridos na América e África, para resumir um espaço que nos circunda. Outro exemplo desse fenômeno esta no relacionamento individual. Segundo incontestável afirmação de sociólogos a exemplo de Durkheim, a sociedade só se realiza no indivíduo, é preciso o campo (espaço), corpo individual para ocorrer o fluxo dos pensamentos e idéias sociais (consciência coletiva), portanto, sob o ponto de vista do indivíduo que incorpora como seu o que é resultado da produção cultural e se representa para o todo de forma diferenciada, sua leitura de mundo, seu jeito de ser, que se diferencia dos outros indivíduos, motiva o outro para a busca do diferente. Algumas expressões populares, sabiamente, narram sobre esse fato: “os opostos se atraem”; “um completa o outro”; etc. Assim como os relacionamentos amorosos e de amizade tem como motivações, pelo menos no início, o conhecer o diferente, o novo, o não dominado. Essa busca pelo diferente na configuração da teia cultural, ou até mesmo na forma de expressão de cada cultura, um “ethos”, uma determinada maneira de ser, de agir frente ao outro e ao ambiente, que garante a importância da restauração e manutenção dos patrimônios histórico – cultural e ambiental, possibilitando a forma de existência simbólica e material de uma comunidade: no que se refere ao indivíduo inserido na representação cultural e ambiental, sentindo-se respaldado através da sua valorização pelo outro; e o mercado que deveria utilizar os sujeitos culturais para compor seu produto e atender com excelência a uma exigência global com a “cara” diferencial local, valorizando seu “ethos” e trabalhando para o mercado, pois toda essa ação deve estar voltada para atender as necessidades do indivíduo que é nesse momento o seu cliente. Inevitavelmente esses patrimônios necessitam de significação dentro da sociedade voltada para o mercado, que configura o mundo em produtos comercializáveis e poderiam incluir essa população para explorar melhor o valor de seus produtos. O papel da ciência nesse contexto é de proliferar o conhecimento racional no âmbito dessa demanda social e de mercado, garantindo uma maior inserção do habitante local no processo econômico-simbólico gerado por sua existência/expressão cultural. O turismo assim como uma atividade humana que gerencia o contato entre diferentes, tem como principal foco a necessidade pela descoberta do “outro”, mediado pela sensação de prazer e bem estar. Os recursos utilizados para esses fins são os serviços turísticos que devem de forma bem objetiva focar seus esforços para atender dentro dessa perspectiva sistêmica e conceitual, as necessidades expressas pelo setor e principalmente as necessidades sociais traduzidas e expressadas pelos indivíduos. Mediando o diferente através do prazer o turismo objetiva-se em suas instituições de serviços, onde deve vibrar todas as condições conceituais e transmitir para os indivíduos atendidos a sensação do PRAZER em busca da descoberta do OUTRO.
Referências
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| Fonte: Sitepopular |
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