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21/04/2005 - Médico diz que família de Trancredo vivia de mentiras

                                                               
 

 

Da redação - sitepopular

 

 

BRASÍLIA - O médico Gustavo Arantes, diretor do Hospital de Base do Distrito Federal à época em que o presidente Trancredo Neves foi internado, disse ontem que "a família do ex-presidente sempre viveu de mentiras". Segundo ele, que está em férias em Porto de Galinhas (PE), "Tancredo morreu porque era um paciente morredor, um paciente grave, que iria morrer de qualquer jeito".

A primeira mentira, segundo ele, foi o pedido para fazer um laudo afirmando que o ex-presidente estava com uma diverticulite aguda perfurada, quando, na verdade, o diagnóstico era de leiomioma, um tumor benigno. Além da maquiagem do laudo, os médicos montaram uma outra farsa.

Na versão de Arantes, "a pedido do establishment da chamada Nova República", foi montada a foto em que Tancredo aparece, visivelmente inchado e ladeado pelo grupo médico que o tratava, como se a situação estivesse absolutamente sob controle. Em condições normais, um paciente com o quadro do ex-presidente não posaria para fotografias. "Agora, a família ficou incomodada porque saiu a verdade. Essa foto só foi feita porque o establishment da Nova República pediu", disse.

Os boletins médicos com informações falsas eram redigidos pelo médico Renault de Mattos, segundo informou o ex-diretor. E depois eram referendados por todos, inclusive, o cirurgião Pinheiro da Rocha. Ali, as informações falsas tinham como objetivo evitar que uma crise institucional se instalasse. Ele confidenciou que, na ocasião, chegou a pensar em não assinar os boletins. Disse que só os assinou após consulta ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que teria lhe informado que sua assinatura como diretor responsável era obrigatória. Em 1985, mesmo ano em que Tancredo morreu, os médicos foram advertidos pelo CRM por terem fornecido informações falsas sobre o real estado de saúde do presidente.

"Nós fomos repreendidos porque não dissemos a verdade desde o primeiro momento", confessou. Os médicos paulistas, chefiados pelo cirurgião Henrique Walter Pinotti, também sabiam da farsa, mas acabaram absolvidos pelo CRM paulista, segundo relato de Arantes. "Eles sabiam de tudo desde o começo", contou.

Arantes disse que os médicos resolveram contar o que aconteceu 20 anos depois porque foram procurados pela equipe do "Fantástico", da Rede Globo de Televisão. "Eu padeci com isso durante muitos anos e agora vou escrever um livro contando toda a história", avisou.

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), neto de Tancredo, afirmou sobre a polêmica dos médicos do avô: "O único sentimento que nos ocorre agora é de tristeza profunda por ver essa questão ser tratada dessa forma. Não vamos mais comentar essas declarações dos médicos todos."

 

            

 

 Fonte:  Sitepopular / Tribuna

 

 

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