População desconhece origem do feriado
de Tiradentes
Mártir da inconfidência mineira é
esquecido entre muita gente.
Davi Lemos
Joaquim José da Silva Xavier liderou
inconfidência
Tiradentes era dentista. Mas quem foi esse
Joaquim José da Silva Xavier, morto por enforcamento e
esquartejado após ser sacrificado? Não importa. O bom mesmo
é que essa quarta-feira é dia livre, momento de pegar um sol
na praia. Tudo por causa do 21 de abril de 1792, data em que
o alferes Tiradentes foi assassinado, quando foi marcado o
final do movimento. Pela memória geral da população, pode-se
afirmar que o Dia da Inconfidência Mineira é mais uma data
cujo significado foi para as cucuias. Agora o lema deveria
ser "conhecimento ainda que tardio".
A vontade dos inconfidentes era libertar o
Brasil da metrópole portuguesa, que insistia em cobrar altos
impostos para manter os privilégios da corte, mesmo diante
da notória decadência do ciclo do ouro. O movimento
pretendia fazer do Brasil uma república, com sede em São
João Del Rei. Além disso, eles queriam o desenvolvimento de
indústrias no país, era a época da I Revolução Industrial na
Europa, criar também uma universidade em Vila Rica e
instituir serviço militar obrigatório. Eles tentaram isso
tudo, e poucos sabem que a cabeça de Tiradentes foi roubada
em seu terceiro dia de exposição no Rio de Janeiro e não
mais encontrada.
Os que ainda demonstram uma vaga lembrança
sustentam aquela imagem de um homem de cabelos compridos e
barba longa - à feição de Jesus Cristo -, algo improvável
por se tratar de um militar, hoje patrono de todas as
corporações de Polícia Militar no Brasil. Sabem ainda menos
que a revolução mineira não intentava mudanças sociais
profundas, como a Conjuração Baiana, em 1798, fundamentada
nos princípios da Revolução Francesa - igualdade, liberdade
e fraternidade - e com intensa participação popular.
Como a Inconfidência Mineira foi um
movimento desorganizado, bastou um ato de traição do coronel
Joaquim Silvério dos Reis, denunciando os planos ao
governador de Minas Gerais, para terminar o sonho mineiro.
Silvério dos Reis queria o perdão de suas dívidas junto à
Fazenda Real, o que conseguiu. Outros dois militares,
Basílio de Brito Malheiros e Inácio Correia Pamplona,
participaram da traição. Tiradentes pregava as idéias da
Inconfidência em tavernas, bordéis e casas de comércio. Por
seu entusiamo, Joaquim José da Silva Xavier ficou conhecido
também como Corta-Vento, Gramaticão, República e Liberdade.
Tiradentes deve ainda sua casa arrasada e
seus filhos foram considerados infames. Mas nem tudo será
esquecimento. A Polícia Militar realizará hoje, às 8h, na
Vila Militar do Bonfim, solenidade em comemoração aos seus
179 anos de criação e em homenagem ao patrono das Polícias
Militares, Tiradentes. Estará presente o governador do
estado, Paulo Souto, quando serão outorgadas a autoridades
civis e militares medalhas do Mérito Policial Militar, a
Marechal Argolo e o Título de Amigo da Polícia Militar.