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18/07/2005 - Super-Receita: mais uma MP imposta ao contribuinte

                                                               
 

 

 

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Laura Ignacio/Ae

 

Mais uma vez o governo federal vai utilizar uma medida provisória para impor ao contribuinte uma nova mudança na área tributária. Desta vez, a MP trará a fusão entre a Secretaria da Receita Federal e a parte do Ministério da Previdência Social encarregada da arrecadação, formando a chamada Receita Federal do Brasil – a Super-Receita. A nova estrutura é uma das medidas do chamado "choque de gestão", que deverá ser anunciado esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O fortalecimento do Fisco – que tem gerado recordes e mais recordes de arrecadação – é visto com desconfiança pelos líderes da Frente Brasileira que derrubou a MP 232. Em uma reunião marcada para a tarde de hoje, na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o movimento vai debater o assunto. Também estão na pauta as maldades embutidas na Medida Provisória 252, a MP do Bem, e as recentes ações da Polícia Federal, Receita e Ministério Público. "Por que isso não é feito por projeto de lei para ser discutido com a sociedade? Basta de MP", critica Guilherme Afif Domingos, presidente da ACSP e um dos líderes da Frente.

Para Afif, se o objetivo fosse realmente cortar gastos e não aumentar a arrecadação deveria ser criada uma "Superdespesa". "O que está em curso é a criação de uma Gestapo Fiscal que pode aumentar o poder da Receita. Mas ela não vai ter nenhuma autoridade. Quem tem autoridade propõe e não impõe."

A criação da Super-Receita já foi anunciada algumas vezes pelo governo. Se implementada, significará o fortalecimento do Ministério da Fazenda, que passará a abrigar a nova secretaria. A Previdência transferiria para lá a parte encarregada de arrecadar as contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os procuradores (que defendem o INSS na Justiça). O Ministério da Previdência continuaria responsável pelo pagamento dos benefícios.

Segundo a avaliação da área econômica, a nova estrutura permitiria dar mais eficiência à fiscalização, que poderia cruzar dados entre recolhimentos do Imposto de Renda na fonte dos empregados e as contribuições ao INSS, por exemplo. O cadastro da Previdência também passaria a ser atualizado com mais freqüência, eliminando os cerca de 15 milhões de registros sobre os quais há dúvidas. Também seria possível ampliar a estrutura de atendimento à população.

Aparentemente a idéia é boa, mas o setor contábil está com um pé atrás, segundo José Constantino de Bastos Júnior, assessor da presidência do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de São Paulo (Sescon-SP). "Se de fato a Super-Receita vier para facilitar a vida do contribuinte unificando cadastros e diminuindo o número de obrigações acessórias, a mudança será positiva. Mas, infelizmente, o que se vê nos últimos tempos é o aumento da burocracia", diz.

O medo do setor de serviços vai ainda mais longe. Para o presidente da Confederação Nacional de Serviços (CNS) e um dos líderes da Frente, Luigi Nese, a Super-Receita será um "big brother fiscal porque vai concentrar nas mãos da Receita toda a arrecadação de impostos federais".

Pela diminuição de custos em decorrência da simplificação do sistema de arrecadação, Nese considera que a Super-Receita será uma medida positiva. Mas ele teme o que pode acontecer caso estados e municípios também possam aderir à chamada unificação de cadastros. "Se isso ocorrer, uma falha no pagamento da taxa municipal do lixo de alguns reais vai impedir uma empresa de participar de uma licitação federal de milhões de reais."

PT era contra - Já o ex-secretário da Fazenda Everardo Maciel está convicto de que a criação da Super-Receita é uma medida excelente. "Pretendíamos dar alguns passos neste sentido ainda no governo passado. Entretanto, a oposição foi contrária. Agora percebo que esta idéia ganhou força e será muito bom tanto para a administração como para o contribuinte", avalia.

Maciel lembra que o Brasil, em 1969, realizou a fusão da administração de tributos internos com a administração aduaneira e foi imitado por vários países, como Holanda, Espanha e Canadá. "E os países que criaram essas novas administrações incluíram ainda as contribuições previdenciárias", diz.

Para Maciel, esta é a prova cabal de que a Super-Receita é uma boa solução. "Além de haver maior eficiência na fiscalização e menos custos para a administração, será bom para o contribuinte a unificação de declarações e a unificação cadastral. Uma única fiscalização poderá alcançar todos os tributos."


 

Fonte:  Sitepopular

 

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