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Notícias

   
15/05/2006 - Da redação/Luiz Leitão

A incompreensível incompetência do Estado

 

 

São Paulo, o Estado mais rico da federação é refém dos criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital), liderado por Marcos Williams Herbas Camacho, o Marcola, de dentro do presídio. Provavelmente o leitor não sabe o que passam os policiais civis e militares deste Brasil. Se em Sampa é assim, o que dirá  em Estados com menos recursos?

 

Tivemos nada menos que 52 mortos em ações contra policiais civis, militares e da GCM-Guarda Civil Metropolitana. Em apenas dois dias, o que dá uma média à altura de Bagdá, 25 mortos por dia, e mais uma centena de feridos. O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da PM, Wilson Moraes, classificou os ataques contra os policiais civis e militares de "chacina". "A Secretaria de Segurança Pública sabia das conseqüências após a transferência dos líderes do PCC. Por que não reforçou o policiamento nas delegacias e nas bases?", questiona. A secretaria alega que houve reforço.

 

O delegado André Di Rissio, presidente da associação dos delegados, endossa as declarações de Moraes. "Temos um amador na Segurança e outro incompetente na Administração Penitenciária”.Tem razão o delegado, sempre critiquei a atuação de Saulo de Castro Abreu à frente da Secretaria da Segurança Pública.

 

Ainda têm a desfaçatez de dizer que agiram preventivamente, do contrário, o número de vítimas teria sido maior! Preventivamente coisa nenhuma. Nenhuma destas autoridades se empenhou em coibir o uso de celulares contrabandeados para dentro dos presídios paulistas.

 

É óbvio que, sendo as companhias de celulares detentoras de concessões públicas, caberia a elas a implantação de sistemas de bloqueio do sinal de celulares nas penitenciárias do país todo, nenhuma delas federal, por incrível que pareça! A única federal a ser inaugurada brevemente tem capacidade para 200 presos, que cabem numa cela daquele presídio em Pernambuco onde ficou preso injustamente por 19 anos Marcos Mariano.

 

Ora, a espinha dorsal do poder do PCC é a telefonia celular e o correio. Até uma ameba sabe que basta interromper estes canais de comunicação para acabar com o poder do crime organizado.

 

 

 

Conversando com policiais civis paulistas fiquei sabendo que, na sala de um escrivão, numa das delegacias situadas no bairro mais nobre da capital, a única peça de mobiliário pertencente ao estado era um armário. No mais, impressora, copiadora, micros e monitores, tudo tinham sido doados por gente do bairro. As viaturas são compradas e anunciadas com alarde, mas a manutenção é feita de favor.

 

Onde estamos? O escrivão de polícia me disse que não há sequer papel e “toner” de impressora suficientes para um inquérito de, digamos, 500 páginas; geralmente pede-se à vítima que tire as cópias fora.

 

Não me cabe adular a polícia, e sim transmitir a verdade ao leitor. Relatam os policiais civis que muitas vezes passam horas além da sua carga semanal de trabalho fazendo relatórios e investigações. Por um salário miserável, por condições de trabalho inaceitáveis, como um PM trabalhar sozinho numa viatura, tornando-se uma presa fácil para criminosos.

 

Agora vejamos uma coisa assaz interessante: Duas viaturas de grupos de elite, sempre muito bem armadas e preparadas, a ROTA, Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar, da PM,  e o GOE, Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil, atacadas neste trágico fim de semana, saíram ilesas; rechaçaram os ataques e mataram, cada uma, dois atacantes.

 

Os governos do Brasil, progressivamente, transferiram à iniciativa privada várias obrigações do Estado, como a manutenção das rodovias, agora se cogita cobrar pedágio até nas cidades, paga-se para estacionar na via pública, paga-se à Companhia de Engenharia de Tráfego CET por eventos particulares, paga-se pela saúde e educação, onde os governos, tanto estadual como federal são omissos.

 

Se Paga pela Justiça, que deveria ser gratuita, e leva-se um serviço de quinta, com ações que chegam a levar mais de trinta anos para serem finalmente julgadas quando  os autores, em sua maioria, já terão morrido.

 

É triste quando não se pode esperar absolutamente nada dos governos, nem dos demais poderes, o Judiciário, altivo, distante; o legislativo, abaixo de qualquer crítica e o Executivo, que inclui governos federal, estaduais e municipais.

 

É bom, glorioso mesmo ser uma alta autoridade, um ministro, um secretário de Estado, mas o verdadeiro merecimento deve ser creditado ao pessoal da linha de frente, que executa, muitas vezes tirando dinheiro do próprio bolso.

 

Aí, vem um tucano, cujo governo permitiu, por incúria, a morte de dezenas de policiais, inclusive de um bombeiro, pleitear o comando da nação. Nem Geraldo, nem Lula da Silva estão à altura de governar o Brasil. Que o digam as famílias dos policiais mortos pelo PCC.

 

Luiz Leitão

São Paulo, Brasil

lluizleitao@allsites.com.br

 

         

 

 
 
 
 
 

 

 
 
 
 

 

 

 

 

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