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Machado pode
ser arma que matou diretor da Shell
01/12/2003
Da Agência Estado
As investigações sobre a morte do diretor da
área de Gás e Energia da Shell, Todd Staheli, de
39 anos, começaram nesta segunda-feira (1/12). A
16ª Delegacia de Polícia (DP), da Barra da
Tijuca, é a responsável pela apuração do caso. O
delegado Marcos Henrique passou parte do dia
recolhendo informações no local do crime, que
provocou a morte do empresário e deixou sua
mulher Michelle gravemente ferida.
No fim da tarde de hoje, a polícia iniciou os
depoimentos com os empregados da casa do
executivo e do condomínio. O primeiro a depor
foi o motorista particular de Staheli, que saiu
da delegacia vestindo um colete da Polícia Civil
a fim de evitar entrevistas. Ele não estava de
serviço ontem.
Marcos Henrique disse à noite que ainda não era
possível saber o que teria levado alguém a
atacar com golpes cortantes o casal. Ele
lamentou que o circuito interno de TV do
condomínio não estivesse equipado para gravar
imagens.
Mistérios envolvem o crime
Diferentemente do que foi divulgado no início
das apurações, o empresário e sua mulher foram
encontrados pelo filho de 10 anos. A primeira
notícia era de que a filha de 13 anos teria
encontrado os pais. Staheli foi assassinado em
sua casa, num condomínio da Barra da Tijuca,
zona oeste do Rio.
Segundo o delegado, Staheli ainda foi encontrado
com vida ao lado da mulher, por um dos filhos do
casal. Estava agonizante e morreria em poucos
minutos. Michelle estava gravemente ferida na
cabeça. Os ferimentos nos dois foram causados
por um objeto cortante, possivelmente um
machado. Informações preliminares indicam que
não havia sinais de roubo ou arrombamento na
casa.
Michelle, de 34 anos, foi levada ao Hospital
Copa D´Or, em Copacabana, depois de receber os
primeiros socorros no Hospital Municipal Miguel
Couto. Ela deu entrada no Serviço de Emergência
do Copa D´Or às 13h18min, "com gravíssimo
traumatismo crânio-encefálico, em coma profundo,
com sinais claros de compressão do tronco
cerebral e isquemia", de acordo com boletim
médico divulgado às 20 horas.
Após exames e diagnósticos de imagem, ela foi
submetida, a partir das 15 horas, "em caráter de
emergência", a uma craniectromia, que consiste
na retirada de parte da calota craniana, com a
finalidade de aliviar a pressão causada pelo
edema cerebral. Os médicos também efetuaram uma
drenagem para aspirar um hematoma no cérebro. A
cirurgia durou três horas e Michelle permanecia,
às 21 horas, sedada por anestesia no CTI Pós-
operatório do Copa D´Or.
Ela recebeu golpes na face, que provocaram, além
do traumatismo craniano, diversos ferimentos
profundos na região do nariz e dos olhos. Ainda
segundo a nota do Copa D´Or, assinada pelo
neurocirurgião Marlo Flores, seria impossível
fornecer um prognóstico "para as próximas
horas", em razão do "estado de saúde gravíssimo"
da mulher do executivo da Shell.
Shell trará parentes dos EUA
Todd Staheli era norte-americano e chegou ao
Brasil há três meses e meio, para ocupar o cargo
na Shell, onde cuidava, entre outras coisas, do
controle da distribuidora de gás canalizado de
São Paulo, Comgás - a empresa foi comprada em
1998 por um consórcio formado pela Shell e pela
britânica BG - e da participação da
multinacional no projeto de construção do
Gasoduto Bolívia-Brasil.
O casal tem quatro filhos, com idades de 3, 8,
10 e 13 anos. Nenhuma das crianças sofreu
agressão. A caçula, de 3 anos, dormia no quarto
dos pais quando a tragédia ocorreu. A Shell está
trazendo, dos Estados Unidos, parentes das
vítimas para acompanhar o tratamento de Michelle
e para cuidar das crianças, segundo informou a
empresa.
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