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Sem-terra
Sem-terra prontos para conflito
Casa Militar tenta diálogo, mas trabalhadores prometem
resistir a uma ação de despejo e garantem que não deixam terras
Adilson Fonsêca
Eunápolis/Porto Seguro – As 3.500 famílias que estão acampadas
desde o último domingo nas terras da Veracel, entre os
municípios de Porto Seguro e Eunápolis, estão dispostas a
resistir a qualquer ação de despejo determinada pela justiça.
Ontem pela manhã a direção estadual do MST (Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra) foi comunicada oficialmente da
decisão de reintegração de posse, em favor da Veracel.
Ante a possibilidade de conflito, a Casa Militar do Governo do
Estado chamou a coordenação estadual do MST para tentar mediar
um acordo com a Veracel e evitar o confronto, alertando sobre os
riscos que o movimento corre ante uma possível ação da polícia.
Na conversa que teve com o coronel Cristóvão, chefe da Casa
Militar, Valmir Assunção, líder do MST na Bahia, foi informado
que a Polícia Militar já estaria pronta para agir, cumprindo
determinações da justiça.
“Não há o que negociar, pois não iremos sair pacificamente da
área ocupada. Se fizer isso estarei destruindo o sonho de
milhares de famílias que estão aqui”, respondeu Valmir, que
ontem mesmo se deslocou, com outros integrantes da direção
estadual do MST, de Salvador para Porto Seguro, para participar
da resistência ante uma possível ação da Polícia Militar.
SEM SAÍDA – A ocupação das terras da Veracel ganhou repercussão
nacional e colocou, tanto o governo do Estado como o federal,
diante de um impasse. Se ceder à pressão do MST, o governo dará
mostra de enfraquecimento e, ao mesmo tempo, estímulo para novas
ocupações. Por outro lado, se intervir com a polícia, corre o
risco de repetir uma tragédia, semelhante ao que aconteceu há
oito anos, em Eldorado dos Carajás, quando 19 sem-terra morreram
em confronto com a Polícia Militar do Estado do Pará.
A direção da Veracel reiterou, ontem, que aguarda uma ação da
Justiça, com base no “Interdito Proibitório”, determinado no ano
passado, que lhe garante a posse da terra. A decisão considera a
ação do MST de ocupar as terras da Veracel como ilegal. Mesmo
assim, alguns diretores manifestaram o temor de que outras áreas
da empresa, que atua em nove municípios do extremo sul, venham a
ser ocupadas pelos sem-terra. A Veracel domina 65 mil hectares
de terras nesta região da Bahia, plantados com eucaliptos.
Ontem os líderes do acampamento se reuniram com representantes
da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e com lideranças do PT
(Partido dos Trabalhadores) de Eunápolis. As suspeitas de uma
ação de reintegração de posse, com o apoio da Polícia Militar,
ganhou contornos mais nítidos com a presença de dez ônibus
vazios que se deslocaram de Eunápolis para Porto Seguro. “O
governo não apresenta alternativas e nós não vamos sair. Não
existe essa possibilidade”, disse o coordenador regional do
movimento, Valmir Assunção.
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Souto dá 1 dia
para MST deixar Veracel
Da Agência Folha
O governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), deu nesta quarta-feira, 7,
um prazo de 24 horas para os sem-terra deixarem a fazenda da
multinacional Veracel, invadida por 12 mil agricultores ligados ao
MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Para pressionar
psicologicamente os sem-terra, Souto determinou o envio de 200
policiais do Batalhão de Choque para Itabuna (469 km ao sul de
Salvador), cidade que fica a 150 km da área invadida. Outros cem
policiais que trabalham em cidades do extremo sul do Estado também
foram deslocados para Itabuna. "Não há mais nenhuma dúvida, vamos
cumprir a determinação judicial."
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