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07-04-2004 - MST NAS TERRAS DA VERACEL
 
 
Sem-terra
Sem-terra prontos para conflito

Casa Militar tenta diálogo, mas trabalhadores prometem resistir a uma ação de despejo e garantem que não deixam terras

Adilson Fonsêca


Eunápolis/Porto Seguro – As 3.500 famílias que estão acampadas desde o último domingo nas terras da Veracel, entre os municípios de Porto Seguro e Eunápolis, estão dispostas a resistir a qualquer ação de despejo determinada pela justiça. Ontem pela manhã a direção estadual do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) foi comunicada oficialmente da decisão de reintegração de posse, em favor da Veracel.
 
Ante a possibilidade de conflito, a Casa Militar do Governo do Estado chamou a coordenação estadual do MST para tentar mediar um acordo com a Veracel e evitar o confronto, alertando sobre os riscos que o movimento corre ante uma possível ação da polícia. Na conversa que teve com o coronel Cristóvão, chefe da Casa Militar, Valmir Assunção, líder do MST na Bahia, foi informado que a Polícia Militar já estaria pronta para agir, cumprindo determinações da justiça.
  
“Não há o que negociar, pois não iremos sair pacificamente da área ocupada. Se fizer isso estarei destruindo o sonho de milhares de famílias que estão aqui”, respondeu Valmir, que ontem mesmo se deslocou, com outros integrantes da direção estadual do MST, de Salvador para Porto Seguro, para participar da resistência ante uma possível ação da Polícia Militar.

SEM SAÍDA – A ocupação das terras da Veracel ganhou repercussão nacional e colocou, tanto o governo do Estado como o federal, diante de um impasse. Se ceder à pressão do MST, o governo dará mostra de enfraquecimento e, ao mesmo tempo, estímulo para novas ocupações. Por outro lado, se intervir com a polícia, corre o risco de repetir uma tragédia, semelhante ao que aconteceu há oito anos, em Eldorado dos Carajás, quando 19 sem-terra morreram em confronto com a Polícia Militar do Estado do Pará.
  
A direção da Veracel reiterou, ontem, que aguarda uma ação da Justiça, com base no “Interdito Proibitório”, determinado no ano passado, que lhe garante a posse da terra. A decisão considera a ação do MST de ocupar as terras da Veracel como ilegal. Mesmo assim, alguns diretores manifestaram o temor de que outras áreas da empresa, que atua em nove municípios do extremo sul, venham a ser ocupadas pelos sem-terra. A Veracel domina 65 mil hectares de terras nesta região da Bahia, plantados com eucaliptos.
 
Ontem os líderes do acampamento se reuniram com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e com lideranças do PT (Partido dos Trabalhadores) de Eunápolis. As suspeitas de uma ação de reintegração de posse, com o apoio da Polícia Militar, ganhou contornos mais nítidos com a presença de dez ônibus vazios que se deslocaram de Eunápolis para Porto Seguro. “O governo não apresenta alternativas e nós não vamos sair. Não existe essa possibilidade”, disse o coordenador regional do movimento, Valmir Assunção.
 

Souto dá 1 dia para MST deixar Veracel
 

Da Agência Folha

O governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), deu nesta quarta-feira, 7, um prazo de 24 horas para os sem-terra deixarem a fazenda da multinacional Veracel, invadida por 12 mil agricultores ligados ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Para pressionar psicologicamente os sem-terra, Souto determinou o envio de 200 policiais do Batalhão de Choque para Itabuna (469 km ao sul de Salvador), cidade que fica a 150 km da área invadida. Outros cem policiais que trabalham em cidades do extremo sul do Estado também foram deslocados para Itabuna. "Não há mais nenhuma dúvida, vamos cumprir a determinação judicial."

 

Fonte:  A Tarde

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

   

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