ACM cobra ação do governo para conter
invasões do MST
Senador critica falta de iniciativa
governamental e condena privilégio do PT na liberação de verbas
federais
ACM condenou a invasão da fazenda da empresa
Veracel, em Porto Seguro, pelo MST
BRASÍLIA - O senador Antonio Carlos Magalhães
criticou ontem, no plenário do Senado, o privilégio dado pelo
governo aos estados e municípios administrados pelo PT, na
liberação de verbas orçamentárias da União. Ele criticou também
a falta de iniciativa do governo diante de problemas que,
segundo ele, são graves, prejudiciais ao país e não podem
continuar.
Ele citou o agravamento das invasões de terras
por parte do MST e afirmou que "isso tem que acabar",
acrescentando que "tem que acabar se o presidente Lula quiser
governar". ACM lamentou que, de uma equipe de 36 ministros,
somente cinco tenham competência. "Governar é uma experiência
que se adquire no trabalho diário do governo e quem não tem vai
ter três ou quatro pessoas nos seus ouvidos infernizando mais
ainda o seu desconhecimento".
O senador baiano disse que falava com a
autoridade de quem tem ajudado "demais" o governo, contrariando,
muitas vezes, o seu partido, por entender que o Brasil está
acima dos partidos. Mas insistiu que é preciso mudar. "Nós
queremos ajudar o presidente Lula, sabendo que ele também quer
ajudar o Brasil", afirmou lamentando que, "com a equipe que ele
tem, o país não vai para a frente".
Antonio Carlos Magalhães destacou as matérias
publicadas pela imprensa no domingo, segundo as quais o PT foi
privilegiado na distribuição de verbas federais no ano passado.
Oito capitais administradas pelo partido receberam 58,1% das
transferências da União em 2003, segundo dados do Sistema
Integrado de Administração Financeira (Siafi).
"A Bahia, segundo informações divulgadas pela
imprensa, recebeu, em 2003, 30% menos que em 2002. Acho que isso
é uma prova de ingratidão com a Bahia, onde o presidente teve
uma votação expressiva. E o estado também é responsável pela
aprovação dos projetos de maior importância do governo federal",
cobrou o senador.
Ele citou a capital de São Paulo como a cidade
que tem recebido o maior volume de recursos. "Dona Marta Suplicy
(PT-SP) ainda tem empréstimo aqui no Senado para ser votado",
completou, frisando que essa situação não pode continuar. Ele
também chamou a atenção do ministro da Fazenda, Antonio Palocci,
para liberação dos recursos.
"O ministro deve fazer isso com mais eqüidade",
afirmou, ressaltando que admira Palocci e que o ministro foi
consagrado no Senado durante sua última visita, na semana
passada, para prestar depoimento na Comissão de Assuntos
Econômicos.
O senador Antonio Carlos Magalhães cobrou ainda
uma ação mais rápida do governo em relação às ocupações de terra
por parte do MST, citando caso da Bahia, onde um terreno da
empresa Veracel foi invadido, 1.300 pés de eucalipto derrubados
e 1.800 sem-terra tomaram conta, "infernizando, avemelhando" o
local, como no discurso do líder João Pedro Stédile.
Indignado, o senador baiano disse que isso não
pode continuar. "É preciso haver reações, a Justiça tem que ser
mais rápida na reintegração de posse e em acionar o aparato
policial", enfatizou.
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