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08-04-2004 - MST NAS TERRAS DA VERACEL
 
 
Sem-terra
Destino da ocupação em terras da Veracel sai hoje

Governo do Estado e Incra reúnem-se para decidir desocupação de área da empresa

ADILSON FONSÊCA

EUNÁPOLIS E PORTO SEGURO) –
Da reunião marcada para a manhã de hoje, na Secretaria da Agricultura, em Salvador, sairá a solução de paz ou de confronto entre os integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e os donos da Veracel Celulose. As terras da empresa, em Porto Seguro, foram invadidas no último domingo por mais de duas mil famílias que permanecem acampadas no local e derrubaram milhares de pés de eucalipto numa área de 25 hectares.
  Ontem pela manhã, 26 ônibus foram deslocados para as proximidades do acampamento onde estão as famílias dos sem-terra. Os veículos, disponibilizados pela Veracel, serviriam ao deslocamento dos sem-terra, e contaria com a presença da Polícia Militar. Mas o pelotão do Batalhão de Choque não passou da cidade de Itabuna, a 217 km de Eunápolis. A informação sobre a ação da Polícia Militar foi passada, segundo explicou o coordenador do MST, Valmir Assunção, por um coronel da Casa Militar, José Alves, por telefone, de Salvador.
  Os ônibus chegaram cedo e permaneceram, por toda a manhã, à espera da Polícia Militar, que recebeu ordens, contudo, de não intervir e esperar o resultado da reunião em Salvador, hoje de manhã. A reunião, que acontecerá às 11 horas, foi convocada pela Casa Militar do governo do Estado e deverá contar com a participação do secretário executivo do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Marco Kovalic, do secretário estadual da Agricultura, Pedro Barbosa de Deus, do chefe da Casa Militar, coronel Cristóvão Rios, e de representantes do MST. Os representantes da Veracel, contudo, não irão participar.

FAZENDAS – Para que haja uma retirada pacífica, o MST impõe condições, como a cessão de 20 mil hectares de terras – 10 mil hectares em Porto Seguro e 10 mil em Eunápolis –, agilização nos processos de desapropriação de fazendas em todo o Estado e implantação de infra-estrutura nos assentamentos já consolidados.
  Conforme explicou o coordenador estadual do MST, Valmir Assunção, somente com a cessão dos 20 mil hectares é que se pode falar em retirada pacífica das famílias acampadas nas terras da Veracel, em Porto Seguro. “Não queremos, necessariamente, que sejam as terras da Veracel, mas queremos que sejam dadas as terras para que possamos assentar, pelo menos, mil famílias, o que aliviaria a pressão nos acampamentos no sul e extremo sul”, disse.
  Além de exigir que sejam feitas uma série de melhorias nos assentamentos e agilizados os processos de desapropriação de terras, pelo Incra, o MST quer que haja uma definição quanto aos destinos das fazendas Canadá, Corumbau, Santa Maria, Itatiaia, Rosa do Prado, Santa Luzia, São José, Pilões e Pedra Mole.
  Todas as fazendas estão localizadas nas regiões sul e extremo sul da Bahia, há mais de um ano. Essas propriedades já foram vistoriadas pelo Incra, mas os processos finais de reforma agrária encontram-se parados na Justiça. Em algumas dessas fazendas, como a Canadá, em Mucuri, ocupada por mais de 200 famílias, já ocorreram 19 ações de reintegração de posse, descumpridas sucessivamente pelos integrantes do MST.

retirada – Por volta das 9 horas, 26 ônibus, vindo das cidades de Belmonte e Itapebi, a 55 e 30 quilômetros do local, onde estão as mais de 2 mil famílias de sem-terra acampadas na área da Veracel, se posicionaram numa estrada vicinal, aguardando ordens para chegar até o acampamento e transportar as famílias até os seus locais de origem.
  A orientação dada aos motoristas é de que eles teriam que aguardar a chegada da Polícia Militar, que viria com uma tropa de choque da cidade de Itabuna, onde já estaria desde o dia anterior. A apreensão tomou conta do acampamento e os homens abandonaram o plantio de semente e se posicionaram nas guaritas de vigilância, fechando o portão de acesso ao interior do acampamento. “Eles (os policiais) terão que ser muitos para nos desalojar”, disseram alguns.
  No acampamento, ante a possibilidade de invasão do local pela Polícia Militar, os sem-terra apressaram a construção de mais barracos e reforçaram a vigilância. Os grupos nas guaritas, construídas a cada 100 metros na beira da BR-467 (Eunápolis/Porto Seguro), ficaram de soltar rojões para avisar os demais sobre a chegada dos policiais. “Vamos ver no que vai dar”, disse o líder do acampamento, Onorildo Costa.


 

 

Fonte:  A Tarde

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

   

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