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Sem-terra
Destino da ocupação em terras da Veracel sai
hoje
Governo do Estado e Incra reúnem-se para decidir desocupação
de área da empresa
ADILSON FONSÊCA
EUNÁPOLIS E PORTO SEGURO) – Da reunião marcada para a manhã
de hoje, na Secretaria da Agricultura, em Salvador, sairá a
solução de paz ou de confronto entre os integrantes do MST
(Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e os donos da
Veracel Celulose. As terras da empresa, em Porto Seguro, foram
invadidas no último domingo por mais de duas mil famílias que
permanecem acampadas no local e derrubaram milhares de pés de
eucalipto numa área de 25 hectares.
Ontem pela manhã, 26 ônibus foram deslocados para as
proximidades do acampamento onde estão as famílias dos
sem-terra. Os veículos, disponibilizados pela Veracel, serviriam
ao deslocamento dos sem-terra, e contaria com a presença da
Polícia Militar. Mas o pelotão do Batalhão de Choque não passou
da cidade de Itabuna, a 217 km de Eunápolis. A informação sobre
a ação da Polícia Militar foi passada, segundo explicou o
coordenador do MST, Valmir Assunção, por um coronel da Casa
Militar, José Alves, por telefone, de Salvador.
Os ônibus chegaram cedo e permaneceram, por toda a manhã, à
espera da Polícia Militar, que recebeu ordens, contudo, de não
intervir e esperar o resultado da reunião em Salvador, hoje de
manhã. A reunião, que acontecerá às 11 horas, foi convocada pela
Casa Militar do governo do Estado e deverá contar com a
participação do secretário executivo do Incra (Instituto
Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Marco Kovalic, do
secretário estadual da Agricultura, Pedro Barbosa de Deus, do
chefe da Casa Militar, coronel Cristóvão Rios, e de
representantes do MST. Os representantes da Veracel, contudo,
não irão participar.
FAZENDAS – Para que haja uma retirada pacífica, o MST impõe
condições, como a cessão de 20 mil hectares de terras – 10 mil
hectares em Porto Seguro e 10 mil em Eunápolis –, agilização nos
processos de desapropriação de fazendas em todo o Estado e
implantação de infra-estrutura nos assentamentos já
consolidados.
Conforme explicou o coordenador estadual do MST, Valmir
Assunção, somente com a cessão dos 20 mil hectares é que se pode
falar em retirada pacífica das famílias acampadas nas terras da
Veracel, em Porto Seguro. “Não queremos, necessariamente, que
sejam as terras da Veracel, mas queremos que sejam dadas as
terras para que possamos assentar, pelo menos, mil famílias, o
que aliviaria a pressão nos acampamentos no sul e extremo sul”,
disse.
Além de exigir que sejam feitas uma série de melhorias nos
assentamentos e agilizados os processos de desapropriação de
terras, pelo Incra, o MST quer que haja uma definição quanto aos
destinos das fazendas Canadá, Corumbau, Santa Maria, Itatiaia,
Rosa do Prado, Santa Luzia, São José, Pilões e Pedra Mole.
Todas as fazendas estão localizadas nas regiões sul e extremo
sul da Bahia, há mais de um ano. Essas propriedades já foram
vistoriadas pelo Incra, mas os processos finais de reforma
agrária encontram-se parados na Justiça. Em algumas dessas
fazendas, como a Canadá, em Mucuri, ocupada por mais de 200
famílias, já ocorreram 19 ações de reintegração de posse,
descumpridas sucessivamente pelos integrantes do MST.
retirada – Por volta das 9 horas, 26 ônibus, vindo das cidades
de Belmonte e Itapebi, a 55 e 30 quilômetros do local, onde
estão as mais de 2 mil famílias de sem-terra acampadas na área
da Veracel, se posicionaram numa estrada vicinal, aguardando
ordens para chegar até o acampamento e transportar as famílias
até os seus locais de origem.
A orientação dada aos motoristas é de que eles teriam que
aguardar a chegada da Polícia Militar, que viria com uma tropa
de choque da cidade de Itabuna, onde já estaria desde o dia
anterior. A apreensão tomou conta do acampamento e os homens
abandonaram o plantio de semente e se posicionaram nas guaritas
de vigilância, fechando o portão de acesso ao interior do
acampamento. “Eles (os policiais) terão que ser muitos para nos
desalojar”, disseram alguns.
No acampamento, ante a possibilidade de invasão do local pela
Polícia Militar, os sem-terra apressaram a construção de mais
barracos e reforçaram a vigilância. Os grupos nas guaritas,
construídas a cada 100 metros na beira da BR-467
(Eunápolis/Porto Seguro), ficaram de soltar rojões para avisar
os demais sobre a chegada dos policiais. “Vamos ver no que vai
dar”, disse o líder do acampamento, Onorildo Costa.
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