Por trás de
uma “inocente” brincadeira típica das festas de São João –
eleição da Rainha e do Rei do Milho – pode estar a semente
de um mal que se alastra e degenera a nação.
Na brincadeira ganha o “título” quem conseguir “vender mais
voto”, ou seja, a criança é “eleita” não por seus pares, mas
por meia dúzia de poderosos que bancaram sua campanha.
O Rei e a rainha do milho não são eleitos por suas
habilidades e competências e não há participação popular
nesta escolha. Além do mais para onde vai o dinheiro
arrecadado dessa “venda de voto”? Será que é investido no
bem comum?
Infelizmente esse cenário é muito próximo do que ocorre com
a situação eleitoral brasileira e conhecemos o resultado
dessa forma de “escolha” de candidatos e os resultados
desastrosos que os incompetentes geram para o país.
Talvez por causa de “brincadeiras” como esta alguns
brasileiros considerem normal compra/venda de votos.
Devemos preservar nossas tradições, é importantes o resgate,
valorização e revitalização de brincadeiras, mas o cunho
nefasto deve ser analisado criticamente.
A título de sugestão às pedagogas, coordenadores, diretores
e demais envolvidos diretamente com a organização de eventos
do gênero, recomendamos que analisem as brincadeiras
propostas e se preciso for alterem um pouco, por exemplo, no
caso da eleição do Rei e da Rainha do Milho que seja de fato
uma “eleição”, envolvam as crianças no processo, estimulem
que os candidatos elaborem sua campanha balizada em ações
positivas, projetos que envolvam o bem da coletividade e não
somente a aquisição de um título. Criem um ambiente que
estimule o aluno a pratica da cidadania.
Profª Eladyr B. Raykil
elaraykil@uol.com.br
EUNAPOLIS/BA