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Saddam Hussein foi
preso em depósito subterrâneo e com barba falsa,
diz Chalabi

Reuters
BAGDÁ - O representante do Congresso Nacional
Iraquiano Ahmed Chalabi afirmou neste domingo
que forças americanas capturaram Saddam Hussein
em Tikrit, cidade natal do ex-ditador.
- Ele foi arrancado de um depósito subterrâneo -
disse Chalabi, acrescentando que Saddam estaria
usando uma barba falsa.

Em Dubai, um membro do Conselho de Governo
Iraquiano disse ter sido informado pelo
administrador civis americano no Iraque, Paul
Bremer, sobre a prisão do ex-líder iraquiano.
- O senhor Bremer me disse que Saddam foi preso
e me convidou para vê-lo (Saddam) esta tarde -
Nasser Kamel Chaderji à rede de TV Al-Arabiya.
Chaderji disse que foi informado que Saddam
usava uma barba falsa quando foi preso.
Teste de DNA confirma que
suspeito capturado no Iraque é Saddam, diz fonte
iraquiana

Reuters
MADRI - Testes de DNA confirmaram que o homem
preso em Tikrit por tropas americanas no domingo
é mesmo Saddam Hussein, segundo um líder do
Conselho de Governo Iraquiano, que está em
Madri. No entanto, a informação não foi
confirmada oficialmente pelos EUA.
Tiros, buzinas, gritos de alegria: iraquianos
comemoram captura de Saddam

Agências Internacionais

BAGDÁ - Gritos de alegria, o som ensurdecedor de
buzinas e tiros disparados para o alto ecoaram
por vários pontos do Iraque numa grande
algazarra com ares de catarse coletiva neste
domingo, momentos depois de anunciada captura de
Saddam Hussein - homem que por mais de duas
décadas governou a vida de milhões de iraquianos
com um Estado policial - mantido sob tortura,
prisões, perseguição e medo.
Na capital, Bagdá, sede do regime de horror de
Saddam, estações de rádio tocaram músicas de
comemoração, pessoas entregavam doces nas ruas e
dezenas gritavam: "Eles pegaram Saddam! Eles
pegaram Saddam!" No Norte do Iraque, os curdos -
minoria étnica com ambições separatistas que foi
um dos principais alvos de Saddam - saíram às
ruas às centenas na cidade de Kirkuk, para
celebrar.
- Estamos celebrando como num casamento - disse
o morador Mustapha Sheriff. - Finalmente nos
livramos de um criminoso.
Cenas semelhantes foram reportadas em Nasiriya,
no Sul, e na segunda maior cidade do Iraque,
Basra, no Sul. Cidade predominantemente xiita
(braço do Islã seguido por 60% da população
iraquiana), Basra sentiu o peso da mão-de-ferro
do líder baathista depois da Guerra do Golfo,
quando Saddam ordenou a prisão e o massacre de
líderes de uma rebelião oportunista - que se
achou capaz de derrubar o então ditador.
- Essa é a alegria de uma vida - disse Ali
Al-Bashiri. - Falo em nome das pessoas que
sofreram sob esse regime.
Mas apesar do tom de celebração, muitos
iraquianos, acostumados a anos de propaganda
oficial, continuavam céticos, sem acreditar que
o ex-homem-forte do país realmente havia sido
capturado por seus arquiinimigos. Como Mohaned
al-Hasaji:
- Ouvi a notícia, mas só acredito quando vir.
Eles precisam mostrar que eles realmente o tem
Principais momentos da trajetória de Saddam
Hussein

Reuters
LONDRES - Veja aqui uma cronologia sobre a vida
do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein,
capturado pelas forças americanas neste domingo:
28 de abril de 1937 - Nasce no vilarejo de
Al-Awja, próximo à cidade de Tikrit, 150
quilômetros ao norte de Bagdá
Outubro de 1956 - Passa a ser um militante do
partido Baath
Outubro de 1959 - Participa de atentado contra o
primeiro-ministro iraquiano Abdel-Karim Kassem.
Deixa o país
Fevereiro de 1963 - Volta a Bagdá quando o
Partido Baath toma o poder com uma cúpula
militar. Nove meses depois os baathistas são
derrubados. Saddam é capturado e preso. Na
prisão é eleito secretário-geral do partido.
Julho de 1968 - Saddam participa do golpe
político que depõe o presidente Abdul-Rahman
Aref. O partido Baath volta ao poder
Março de 1975 - Como vice-presidente do Conselho
do Comando Revolucionário, Saddam assina um
acordo com o Irâ, encerrando o apoio deste a uma
revolta curda iraquiana, e acabando com a mesma
16 de julho de 1979 - Saddam assume como
presidente do Iraque
22 de setembro de 1980 - Saddam entra em guerra
contra o Irã. O confronto dura oito anos
16 de março de 1988 - Forças iraquianas fazem um
ataque com armas químicas à cidade iraquiana de
maioria curda Halabja, matando cinco mil pessoas
20 de agosto de 1988 - Saddam fecha um acordo de
cessar-fogo com o Irã. mas a campanha contra os
curdos continua
2 de agosto de 1990 - Saddam invade o Kuwait,
levando o Conselho de Segurança da ONU a impor
sanções contra o Iraque
17 de janeiro de 1991 - Forças americanas dão
início à Guerra do Golfo com ataques ao Iraque e
ao ocupado Kuwait
28 de fevereiro de 1991 - Confronto termina com
a expulsão das tropas iraquianas do Kuwait
3 de abril de 1991 - O Conselho de Segurança da
ONU ordena que o Iraque ponha fim a seus
programas de armas químicas, biológicas e
nucleares
15 de outubro de 1995 - Saddam vence as eleições
presidenciais no Iraque e é reeleito com mais de
99% dos votos
23 de fevereiro de 1996 - Dois genros de Saddam,
que haviam desertado, são assassinados por
parentes alguns dias depois de voltarem da
Jordânia
15 de outubro de 2002 - Saddam vence mais uma
vez um referendo com 100% dos votos para
permanecer no cargo
7 de dezembro de 2002 - Saddam pede desculpas
pela invasão ao Kuwait, que rejeita o pedido.
7 de fevereiro de 2003 - Em sua primeira
entrevista em mais de uma década, Saddam garante
que o país não tem armas químicas e nenhuma
ligação com a rede terrorista Al-Qaeda
15 de março de 2003 - Saddam prepara o país para
a guerra contra os Estados Unidos, dividindo o
país em quatro áreas militares, com o seu filho
mais novo, Qusay, no comando da região
Bagdá-Tikrit, coração do país
20 de março de 2003 - Os Estados Unidos e a
Inglaterra dão início à guerra contra o Iraque.
Saddam aparece na TV, pedindo à população que
defenda seu país.
7 de abril de 2003 - Caças americanos fazem um
ataque com cerca de 900 quilos de bombas numa
área residencial de Iraque porque havia indícios
de que Saddam e seus dois filhos estariam na
região com outros líderes do partido Baath
9 de abril - Tropas americanas tomam Bagdá
22 de julho - Comando militar americano confirma
a morte dos dois filhos de Saddam, Uday e Qusay,
durante uma batalha na cidade de Mosul
14 de dezembro - Oficiais americanos anunciam a
captura de Saddam
Conheça as reações de governo aliados dos EUA à
captura de Saddam

Agências Internacionais
LONDRES - Líderes mundiais, entre eles os mais
proeminentes aliados dos EUA na guerra do
Iraque, comemoraram a captura de Saddam Hussein.
Leia abaixo algumas das principais declarações.
Tony Blair, premier da Grã-Bretanha: "Onde seu
regime significava terror, divisão e
brutalidade, que essa captura traga unidade,
reconciliação e paz. Saddam deixou o poder. Ele
não voltará, os iraquianos sabem disso e são
eles que decidirão seu futuro".
José Maria Aznar, presidente do governo da
Espanha:"Chegou a hora de ele pagar por seus
crimes. Ele é responsável pela morte de milhões
de pessoas ao longo dos últimos 30 anos. Ele é
uma ameaça a seu povo e ao mundo inteiro".
Jacques Chirac, presidente da França: "É um
grande evento que deve contribuir muito para a
democracia e a estabilidade do Iraque e permitir
que os iraquianos sejam mestres de seu destino"
Farhan Haq, porta-voz da ONU: "Esperamos que a
captura de Saddam restaure a estabilidade.
Esperamos que os episódios ajudem a estabilizar
a situação lá (no Iraque) e a garantir a
segurança dos iraquianos a longo prazo".
Gerhard Schroeder, chanceler da Alemanha: "Com
muita alegria soube da prisão de Saddam Hussein.
Parabenizo-o por esta ação bem sucedida", disse
ele em carta a Bush.
Ariel Sharon, premier de Israel: "Disse a Bush
que hoje era um grande dia para o mundo
democrático, para os que lutam por liberdade e
justiça e para aqueles que se opõem ao terror. O
mundo inteiro pode respirar aliviado, porque o
ditador que arruinou o Iraque não pode
interferir na reconstrução"
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