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08-06-2004 - R E P ú D I O |
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MANIFESTO DE REPúDIO
O Conselho Regional de Contabilidade do Estado de Santa Catarina (CRCSC) quer manifestar seu repúdio às recentes declarações do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que atribuiu as dificuldades enfrentadas pelas pequenas empresas aos altos custos dos serviços contábeis. Em seu pronunciamento, além de ofender toda a classe contábil, o ministro tentou impingir aos profissionais da contabilidade uma conta que não lhes é devida. O aumento dos custos das empresas brasileiras está diretamente ligado à crescente burocracia exigida pelos órgãos ligados ao governo - tanto na esfera municipal, estadual quanto federal - e à dramática elevação da carga tributária promovida na última década. Produzir hoje no Brasil é um ato heróico. Atualmente, para gerar qualquer riqueza, o país tem que entregar quase metade deste valor nas mãos do governo (a carga tributária superou os 40% do PIB no primeiro trimestre deste ano). São esses os fatores que estão exaurindo o setor produtivo brasileiro, que convive com a quarta maior taxa de juros do mundo. Dentro desse universo, longe de ser apenas um “custo”, como afirma o ministro, o profissional da contabilidade é – ao contrário - um parceiro fundamental das empresas, ajudando-as a se manter no mercado, ao oferecer informações estratégicas para a gestão dos seus negócios. Além de servir como “bode expiatório” do governo federal para justificar as modestas taxas de crescimento da economia, os profissionais da contabilidade vêm sendo obrigados a arcar com um crescente volume de trabalho decorrente do aumento das obrigações acessórias impostas às empresas. Hoje, o profissional gasta parte considerável do seu tempo preenchendo guias, pagando taxas e contribuições e elaborando relatórios para os órgãos arrecadadores. Ao final, a contabilidade presta indiretamente serviços aos governos, sem nenhuma contrapartida. Não bastasse esse acúmulo de serviço, é cada vez mais pesado o valor das multas imputadas às empresas pelo não-cumprimento de obrigações acessórias, muitas vezes impossíveis de serem realizadas no tempo estipulado pela autoridade fiscal. O governo precisa aprender a ouvir o seu “público”. No pronunciamento do ministro da Fazenda, os participantes do encontro mostraram que a sociedade não aceita mais passivamente informações distorcidas e sabe a real importância dos contabilistas no desenvolvimento das empresas, especialmente pequenas, e do próprio país. De acordo com nota do colunista Elio Gaspari, publicada nos jornais O Globo e Folha de São Paulo, após proferir o seu discurso, o ministro viu-se confrontado com outro número: “estima-se que as empresas gastem 6% de seu faturamento mantendo estruturas destinadas a cumprir exigências do fisco. Nada a ver com a carga tributária de 38%, nem com os honorários dos 320 mil contadores que ralam para botar comida na geladeira. Eles custam em torno de 1% do faturamento da microempresa”, informa a nota.
Nilson José
Goedert |
| Fonte: Sitepopular |
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