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O ex-secretário-geral do PT, Silvio
Pereira, afirmou que o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza,
o pivô do escândalo do "mensalão", e o PT planejavam arrecadar R$ 1
bilhão por meio de esquemas ilegais com empresários que tinham
negócios com o governo. O ex-dirigente petista fez a revelação em
entrevista ao jornal "O Globo", que adiantou hoje trechos do
depoimento em seu site.
"O PT virou refém do Marcos Valério, não tinha mais jeito. O Marcos
Valério estabeleceu canais próprios com petistas e com não-petistas.
Tem muita gente, muitos partidos (estão envolvidos). Só que tudo
caiu na nossa conta", diz ele.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sabia da
atuação de Marcos Valério mas que muitos dirigentes do partido
sabiam da atuação do empresário. "Mas não há santo nessa história
toda, em nenhum partido, nem na direção do PT, que pagou o pato
todo", afirma.
Silvio Pereira afirma que o plano inicial era arrecadar recursos
para saldar dívidas de campanhas antigas. A direção do PT, no
entanto, mudou de idéia e o empresário passou a arrecadar recursos
também para as campanhas municipais de 2004, financiar planos de
ampliação do partido além de ajudar políticos do PTB.
"O que aconteceu é que o Delúbio perdeu o controle. Ele só sabia de
três ou quatro deputados do PT. O resto, que recebeu no Banco Rural,
não era esquema do Delúbio", afirma.
Land Rover
No início da crise política de 2005, Silvio Pereira foi apontado
pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como gerente de um
esquema de corrupção nas estatais para abastecer a base aliada por
meio de caixa dois.
Mais tarde, ganhou notoriedade com o episódio da Land Rover. Ele
admitiu ter recebido um jipe de presente de um executivo da empresa
GDK, que tem contrato com a Petrobras, e pediu sua desfiliação do
PT.
Homem de confiança do ex-deputado José Dirceu (PT-SP), Pereira
integrou a coordenação das últimas campanhas presidenciais do
partido e participou da elaboração do estatuto do PT. |