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O líder do PT no Senado
e presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios,
Delcídio Amaral (MS), afirmou ontem que o ex-secretário nacional de
Finanças
e
Planejamento do partido Delúbio Soares pôs o futuro da legenda em risco
com as declarações ao "Jornal Nacional", da Rede Globo de Televisão,
admitindo que a sigla fez operações de caixa 2 com o empresário Marcos
Valério Fernandes de Souza. "Está tudo muito ruim. Delúbio está expondo o
partido e, depois de suas declarações, o PT está praticamente com o
registro cassado", disse.
Delúbio irá depor na CPI
dos Correios na próxima quarta-feira, dia 20. Na entrevista, o
ex-secretário admitiu que acertou, em nome do PT, "empréstimos de boca"
com Valério, em torno de R$ 40 milhões, que foram repassados para as
campanhas eleitorais do partido em 2002 e 2004, sem que nada fosse
declarado à Justiça Eleitoral. "As declarações dele expõem demais o
partido e a reunião da Comissão Executiva Nacional do PT, amanhã,
certamente vai pegar fogo", afirmou.
Convocação - O
vice-presidente nacional do PT Romênio Pereira defendeu ontem que a
comissão executiva nacional do partido convoque Delúbio para que conte
tudo o que sabe sobre o suposto esquema de financiamento da legenda em
caixa 2, montado com Valério. Pereira disse que Delúbio tem preferido
apresentar novas versões sobre o que sabe diretamente para a imprensa ou
em depoimento à Procuradoria-Geral da República. O dirigente petista
reconheceu que "se sente enganado" pelo companheiro de partido.
"Todos os dias desaba
uma bomba sobre o colo do partido. Não é possível que ele não conte ao PT
tudo o que ele realmente sabe sobre o caso. Ele tem todo o direito de
prestar depoimentos a quem ele achar melhor, mas como o PT poderá fazer
sua defesa se sequer tem informação sobre o que ele está dizendo ou o que
ele sabe de fato sobre essas acusações?", avalia.
Pereira disse que
defenderá a proposta de convocação imediata de Delúbio na reunião de
amanhã da executiva como forma, inclusive, de preservar o partido. "É
inegável que o PT vai levar vários anos para se recuperar desse prejuízo
na sua imagem institucional. O nosso grupo dentro partido lançou para
disputar as eleições internas o slogan 'eu quero o meu PT de volta'",
disse.
Explicações - Os
novos integrantes da direção do PT também têm interesse em ouvir as novas
explicações de Delúbio. No sábado, o sucessor de Delúbio no PT, deputado
José Pimentel (CE), rebateu a informação da existência de várias
empréstimos bancários feitos ao PT por meio das empresas de Valério.
Pimentel afirmou ao canal GloboNews que estão contabilizados apenas dois
empréstimos bancários ao PT nos quais o empresário foi como avalista.
Segundo o tesoureiro, um dos empréstimos foi feito no banco Rural, no
valor de R$ 3 milhões, e o outro no banco BMG, de R$ 2,4 milhões. (AE)
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