09/12/2003
Educação
Prefeito retira verba da
educação
Ruiverson Barcelos, de Ibirapitanga, é
acusado pelo TCM de não comprovar despesas
efetuadas com recursos do Fundef
Ana Cristina Oliveira
IBIRAPITANGA (DA SUCURSAL SUL DA BAHIA) –
O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM)
rejeitou as contas do exercício de 2002 do
prefeito de Ibirapitanga, Ruiverson Lemos
Barcelos (PL), por “atos que ferem o
principio da transparência administrativa”,
e sugere o mesmo procedimento à Câmara
Municipal, que deve se reunir esta semana
para analisar a questão.
O parecer, assinado pelo presidente do TCM
Francisco de Souza Andrade Neto e pelo
relator João Lessa Ribeiro, aponta o desvio
de recursos do Fundef em 27 pagamentos sem
documentos correspondentes para a despesa
apresentada, num total de R$ 55,8 mil.
Também anota que o prefeito pagou com atraso
o salário dos professores de fevereiro a
novembro, “o que se constitui em falha
grave, tendo em vista a destinação dos
recursos alocados pelo fundo”.
O prefeito, diz o parecer, fez compras com
valores superfaturados em até 600% e, de
março a julho, emitiu 26 cheques sem fundos,
embora o tribunal não especifique a quem
foram destinados. O TCM diz ainda que os
relatórios técnicos, durante o exercício
financeiro de 2002, revelam a prática de
falhas que “significam não ter havido
rigoroso cumprimento das exigências legais,
especialmente em relação aos procedimentos
adotados nos processos licitatórios”. E
cita, sem especificar, que três processos
estão irregulares e em outros 21 não houve
licitação.
Em outro trecho, os conselheiros do TCM
assinalam que “foram registrados 154 casos
de ausência de identificação de pagamentos
superiores a R$ 100,00, efetuados mediante
cheque nominativo”, além de 24 casos de
empenhos fraudulentos, 15 de pagamentos
irregulares (sem a especificação da
despesa), 38 sem comprovação de regularidade
junto ao INSS e/ou FGTS e cinco de despesas
com terceiros sem identificar os
beneficiados.
RECONHECE – Ruiverson Barcelos diz
que o parecer do TCM não é definitivo e já
encaminhou pedido de reconsideração.
Entretanto, reconhece alguns problemas, a
começar pelo atraso dos salários de 25% a
30% dos servidores, exceto os do Fundef, que
o prefeito diz nunca terem sido pagos após o
quinto dia útil do mês.
O prefeito diz ainda que pode ter passado
cheques sem fundos, em razão da oscilação de
recursos da prefeitura, mas nenhum deixou de
ser pago depois que foi reapresentado no
banco. Com relação ao superfaturamento em
compras citado pelo TCM, ele diz que foi de
uma impressora e um estabilizador, que
custam R$ 500,00 e R$ 50,00,
respectivamente, mas a prefeitura pagou R$
2,4 mil e R$ 289,00, segundo o prefeito,
porque à época da compra o dólar estava
cotado em quase R$ 4,00. Quanto às fraudes e
ausências de licitações, como o TCM não
explicita bem, o prefeito diz que tudo será
esclarecido no pedido de reconsideração.
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