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Prefeitos somem
para não pagar funcionários
público de municípios como Floresta Azul, Itapitanga,
Pau Brasil, Canavieiras, Mucuri, São José da Vitória, Una, Itaju do Colônia
e Itajuípe. Uma verdadeira epidemia.
A estimativa de representantes dos servidores municipais e de câmaras
de vereadores é de que os prefeitos derrotados nas urnas nas últimas
eleições municipais deixaram mais 20 mil funcionários públicos sem o salário
de setembro. Isso, só no sul da Bahia.
Há casos de servidores com até 10 meses de salários atrasados. Nessa
situação estariam funcionários de Pau Brasil, Itaju do Colônia, Itapitanga e
Itajuípe.
"Sou funcionário do município há mais de 25 anos e essa é a primeira
vez que enfrento tantas dificuldades provocadas pela falta de pagamento.
Ainda não passei fome porque tenho recorrido a parentes que não dependem da
prefeitura", reclama o servidor J.R.S.S., de Pau Brasil.
Sumiram
Embora com menos meses de salários atrasados, as dificuldades dos
funcionários das prefeituras de Canavieiras, Una e Mucuri são similares às
vividas pelos colegas da maioria dos demais municípios do sul da Bahia.
"Já foi o tempo em que trabalhar para o município era sinônimo de
crédito no comércio. Hoje são poucos os estabelecimentos que confiam um
quilo de feijão, farinha e uma dúzia de ovos", conta M.B.N, servidora em
Canavieiras há mais de 10 anos.
Para piorar, uma grande parte dos prefeitos que perderam a reeleição
ou que apoiaram candidatos derrotados desapareceram das cidades. Depois das
eleições, os prefeitos derrotados estão sempre "viajando".
"O daqui desapareceu. Nos últimos dias não tem aparecido nem para nos
enrolar", reclama um funcionário da Prefeitura de Itapitanga.
"Por aplicar calote na gente, o prefeito quase paga com própria vida",
conta C.L.B, de Itaju do Colônia.
A servidora se refere ao episódio ocorrido no início do mês,
envolvendo o prefeito Vivaldo Santos de Oliveira Alves e o pedreiro José
Raimundo Costa Santos, o Dinho Pedreiro.
O prefeito teria agredido o servidor público, que revidou desferindo
duas facadas. Vivaldo recebeu atendimento médico e está fora de perigo.
Exoneração
Em Itajuípe, além do atraso de salários, os servidores reclamam que há
uma semana as portas do prédio da prefeitura local não são abertas e ninguém
aparece para trabalhar.
A situação é tão grave que na semana passada a secretária de Educação,
Eliana Moreira, pediu exoneração do cargo. E o prefeito Paulo Martinho sumiu
da cidade.
O diretor da APLB/Sindicato de Itajuípe, Luiz Carlos Araújo Ribeiro,
diz que para completar o caos os servidores estão sem poder recorrer à
Justiça, já que juíza titular está de licença médica e seu substituto, que é
de Coaraci, não foi localizado.
"Ficamos impossibilitados de pedir o bloqueio dos mais de R$ 180 mil
que foram repassados para o município. O volume é referente à cota do dia
20, repassada pela União e Estado", explica.
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