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Fortaleza –
Mesmo recebendo uma remuneração mensal de R$ 5 mil como prefeita de
Tarrafas, a 520 quilômetros de Fortaleza, no Cariri, Antônia Simião
Lopes Leite (PSDB), mais conhecida como Teca, é uma das beneficiadas
do programa federal Bolsa Família. O nome de Teca consta no
cadastro. A irregularidade foi denunciada pelo ex-prefeito
Tertuliano Cândido de Araújo (PSDB) e pelos vereadores Francisco
Teotônio Neto (PSDB), Antônio Genúbio de Alcântara (PSDB) e Maria
Matias Martins (PSDB), todos desafetos dela. ‘‘O que nos chamou a
atenção foi ver nas primeiras páginas da lista o nome da prefeita,
onde retirou em todo o ano de 2005 esse benefício’’, acusa
Alcântara.
De acordo com o Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br),
que divulga na internet informações sobre aplicação de recursos
públicos federais, Teca recebe o dinheiro (R$ 95 mensais) do
programa destinado ao combate à fome e à exclusão social. Também
aparecem na relação os nomes das secretárias de Finanças, Maria
Auzir de Oliveira, e de Ação Social da prefeitura, Lucineide Batista
de Oliveira, e da funcionária pública municipal Gilvanir Antunes de
Oliveira, lotada no gabinete da prefeita de Tarrafas, além de uma
suposta sobrinha dela, Maria Vilca Lopes de Oliveira.
CADASTRO – A coordenadora do Bolsa Família na cidade, Antônia
Oscarina, em entrevista à uma emissora de TV local, confirmou ontem
que o nome de Teca e dos assessores estão entre as 1,8 mil famílias
do município beneficiadas pelo projeto. A prefeita disse que pediu a
suspensão dos pagamentos. ‘‘Quando ela (Teca) se candidatou, a gente
mandou um ofício para o ministério (do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome) e o ministério não fez o cancelamento’’, disse
Oscarina, afirmando que a prefeita não fez os saques porque o cartão
sequer foi entregue a ela.
Em entrevista ao jornal cearense ‘‘O Povo’’, Teca admitiu ter feito
o cadastro, mas sustentou que não sacou os recursos. A prefeita
afirmou não lembrar quando foi inscrita no programa, mas que, na
época, tinha o perfil socioeconômico exigido pelo governo. Teca
informou também que pediu o cancelamento da inscrição. Segundo a
prefeita, a denúncia é fruto de perseguição política por parte do
ex-prefeito de Tarrafas, de quem era aliada e hoje está rompida.
Gilvanir confessou que recebe o benefício. Ela informou que as
ilegalidades ocorrem desde 2001, durante a gestão de Araújo. De
acordo com a funcionária pública municipal, parentes dele também
estavam no rol. ‘‘Meus irmãos são todos pobres. Os que estão
cadastrados, pode fazer uma pesquisa, que eu tenho a absoluta
certeza de que eles se enquadram’’, defendeu-se Araújo. Os demais
acusados não foram localizados para falar sobre o assunto. As
acusações foram levadas à Justiça de Assaré (CE) e são investigadas
pela Polícia Federal (PF) de Juazeiro do Norte, cidade vizinha a
Tarrafas. |