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28/09/2004 - O preço do voto

                                                               
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Belisa Ribeiro

 

Foi lançado ontem, no Rio, um livro que pode desanimar - ou alertar - quem se prepara para votar domingo. A mentira das urnas, crônica sobre dinheiro e fraude nas eleições (Record), de Maurício Dias, prova que quem tem mais dinheiro, como regra, tem mais voto. Um dos documentos citados é estudo do ministro Nelson Jobim, quando presidente do TSE. Revela que Lula teve mais verbas que Serra e Dias mostra como isso o ajudou a vencer. O jornalista investiga não apenas o que chama de ""trindade maligna"" - a mistura de refluxo de ideologias com o peso da televisão e a influência dos marqueteiros -, mas também o uso da máquina do governo. Como exemplo, telegrama de um superintendente regional do INSS implorando ao presidente do instituto que contenha a ânsia de um deputado por nomeações. E documento da Petrobras que mostra como eram essencialmente políticas as indicações das usinas no Proálcool. A melhor citação é de Gilberto Freire, derrotado em 1950 na disputa pela reeleição para a Câmara por Pernambuco: ""A vantagem do morto político é que ele pode fazer seu próprio necrológio. A eleição se transformou em competição de vulgaridade e dinheiro.""

O jornalista não acredita que a reforma política, como proposta, possa resolver o problema:

 

- Financiamento público não basta. Precisamos de uma boa legislação punitiva e da volta de partidos mais programáticos. A ideologia, seja social-democrata ou comunista, forma militância E torna mais viável idéias competirem com o vil metal.Participação sem preço

 

O apelo para que o deitado eternamente se levante está no quadro de uma pintora amadora que enfeita o gabinete do marido, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan. Ana dá a ordem: ""Dá a mão a quem do teu lado retumba e brada. O antigo futuro já se faz presente. Acorda o bravo dentro de nós."" Vale bem para esta semana, em que um eleitorado potencial de 119,8 milhões irá escolher mais de 50 mil vereadores e definir quais, entre 15.781 candidatos, vão virar prefeitos. O TSE avalia o custo médio do voto em R$ 6,77 - transporte e lanche para os mesários, basicamente. Eles serão 1.539.039 em todo o país. Para mantermos a democracia, francamente é pouco e está barato.



 

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Fonte: Sitepopular / JB

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