Belisa Ribeiro
Foi lançado
ontem, no Rio, um livro que pode desanimar - ou alertar - quem se prepara para
votar domingo. A mentira das urnas, crônica sobre dinheiro e fraude nas eleições
(Record), de Maurício Dias, prova que quem tem mais dinheiro, como regra, tem
mais voto. Um dos documentos citados é estudo do ministro Nelson Jobim, quando
presidente do TSE. Revela que Lula teve mais verbas que Serra e Dias mostra como
isso o ajudou a vencer. O jornalista investiga não apenas o que chama de
""trindade maligna"" - a mistura de refluxo de ideologias com o peso da
televisão e a influência dos marqueteiros -, mas também o uso da máquina do
governo. Como exemplo, telegrama de um superintendente regional do INSS
implorando ao presidente do instituto que contenha a ânsia de um deputado por
nomeações. E documento da Petrobras que mostra como eram essencialmente
políticas as indicações das usinas no Proálcool. A melhor citação é de Gilberto
Freire, derrotado em 1950 na disputa pela reeleição para a Câmara por
Pernambuco: ""A vantagem do morto político é que ele pode fazer seu próprio
necrológio. A eleição se transformou em competição de vulgaridade e dinheiro.""
O jornalista não acredita que a
reforma política, como proposta, possa resolver o problema:
- Financiamento público não
basta. Precisamos de uma boa legislação punitiva e da volta de partidos mais
programáticos. A ideologia, seja social-democrata ou comunista, forma militância
E torna mais viável idéias competirem com o vil metal.Participação sem preço
O apelo para que o deitado
eternamente se levante está no quadro de uma pintora amadora que enfeita o
gabinete do marido, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Furlan. Ana dá a ordem:
""Dá a mão a quem do teu lado retumba e brada. O antigo futuro já se faz
presente. Acorda o bravo dentro de nós."" Vale bem para esta semana, em que um
eleitorado potencial de 119,8 milhões irá escolher mais de 50 mil vereadores e
definir quais, entre 15.781 candidatos, vão virar prefeitos. O TSE avalia o
custo médio do voto em R$ 6,77 - transporte e lanche para os mesários,
basicamente. Eles serão 1.539.039 em todo o país. Para mantermos a democracia,
francamente é pouco e está barato.
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