Chuvas
Chuva alaga hotéis de Porto Seguro
Secretário municipal culpa setor imobiliário, que aterra
desordenadamente áreas, e barraqueiros, que obstruem manilhas
Maria Eduarda Toralles
PORTO SEGURO (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) – Caos total na orla norte
de Porto Seguro ocorreu na manhã de ontem. Com a chuva forte que caiu
durante a madrugada de domingo para segunda, várias ruas da sede foram
alagadas e muitos hotéis e ruas amanheceram inundados. Os bombeiros e
funcionários da Secretaria de Infra-estrutura, de manhã, tentavam
drenar a água que tomava conta da entrada do Hotel Bosque do Porto.
No outro lado da BR-367, em frente ao hotel, para onde a água estava
sendo desviada, funcionários da secretaria tentavam encontrar uma
forma de impedir que um coqueiro, próximo da manilha de saída da água
para o mar, caísse sobre a barraca de Praia Gandhi. Durante a
madrugada, outros coqueiros foram derrubados pela força das águas,
destruindo parte desta barraca.
Inconsolável, o proprietário da Gandhi, Ronar Vilela, disse que já
havia previsto há um mês que isso poderia acontecer, tendo inclusive
avisado à secretaria. “A culpa disso são os aterros do outro lado da
pista. Essa é a única boca de lobo em toda a orla. Trabalho há 17 anos
aqui e essa é a primeira vez que isso aconteceu”, disse Vilela
calculando ter tido prejuízo de R$ 20 mil com as chuvas.
ÁGUA NA CINTURA – No bairro Taperapuãn, também na orla norte, as ruas
ainda estavam bastante alagadas pela manhã. O proprietário da Pousada
Bahia Tropical, Paolo Botticelli, aguardava as águas baixarem para
contabilizar todos os estragos. “Quando levantamos a água já entrara
em casa. Estava batendo na nossa canela. No hotel ao lado o pessoal
andava com água na cintura. A pressão da água chegou a quebrar nossa
piscina”, conta Botticelli.
Segundo o proprietário da pousada, “esta não é a primeira vez que o
bairro é atingido por enchentes, o mesmo já aconteceu em 1992 e 98.
Eles já deviam ter tomado providências. A orla norte é a mais
importante para o turismo de Porto Seguro. Pagamos o IPTU mais alto do
município. Foram suficientes quatro horas de chuva para alagar toda
orla”, desabafou.
Acrescentando que “a construção da BR-367, no trecho que liga Porto
Seguro a Santa Cruz Cabrália, age como barragem no refluxo das águas
pluviais, aliado a isso, o assoreamento de rios e riachos na orla são
as principais causas para o que aconteceu nesta madrugada”, explica
Botticelli. No centro da cidade, quando a água baixou, funcionários do
Hotel Pau Brasil usaram baldes e bombas para retirar a água que
inundou todo o saguão do hotel e do restaurante.
O engenheiro Luiz Jatobá, titular da Secretaria de Infra-estrutura
do município, estava na orla acompanhando os trabalhos de drenagem das
águas. Segundo ele, “o grande responsável pelas enchentes na orla
norte é o avanço imobiliário, que tem aterrado desordenadamente muitas
áreas, e os barraqueiros, que fizeram construção de concreto
obstruindo algumas manilhas. O Luiz Jatobá disse que há 20 anos não
caía uma chuva tão forte sobre o município. Além dos estragos na orla
norte, a chuva causou transtornos no centro da cidade e deslizamentos
de casas no bairro Baianão, na periferia.