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25-05-2004 - Chuva alaga hotéis de Porto Seguro

 
 

Chuvas
Chuva alaga hotéis de Porto Seguro

Secretário municipal culpa setor imobiliário, que aterra desordenadamente áreas, e barraqueiros, que obstruem manilhas

Maria Eduarda Toralles

PORTO SEGURO (DA SUCURSAL EXTREMO SUL) –
Caos total na orla norte de Porto Seguro ocorreu na manhã de ontem. Com a chuva forte que caiu durante a madrugada de domingo para segunda, várias ruas da sede foram alagadas e muitos hotéis e ruas amanheceram inundados. Os bombeiros e funcionários da Secretaria de Infra-estrutura, de manhã, tentavam drenar a água que tomava conta da entrada do Hotel Bosque do Porto.
 
No outro lado da BR-367, em frente ao hotel, para onde a água estava sendo desviada, funcionários da secretaria tentavam encontrar uma forma de impedir que um coqueiro, próximo da manilha de saída da água para o mar, caísse sobre a barraca de Praia Gandhi. Durante a madrugada, outros coqueiros foram derrubados pela força das águas, destruindo parte desta barraca.
  Inconsolável, o proprietário da Gandhi, Ronar Vilela, disse que já havia previsto há um mês que isso poderia acontecer, tendo inclusive avisado à secretaria. “A culpa disso são os aterros do outro lado da pista. Essa é a única boca de lobo em toda a orla. Trabalho há 17 anos aqui e essa é a primeira vez que isso aconteceu”, disse Vilela calculando ter tido prejuízo de R$ 20 mil com as chuvas.

ÁGUA NA CINTURA – No bairro Taperapuãn, também na orla norte, as ruas ainda estavam bastante alagadas pela manhã. O proprietário da Pousada Bahia Tropical, Paolo Botticelli, aguardava as águas baixarem para contabilizar todos os estragos. “Quando levantamos a água já entrara em casa. Estava batendo na nossa canela. No hotel ao lado o pessoal andava com água na cintura. A pressão da água chegou a quebrar nossa piscina”, conta Botticelli.
  Segundo o proprietário da pousada, “esta não é a primeira vez que o bairro é atingido por enchentes, o mesmo já aconteceu em 1992 e 98. Eles já deviam ter tomado providências. A orla norte é a mais importante para o turismo de Porto Seguro. Pagamos o IPTU mais alto do município. Foram suficientes quatro horas de chuva para alagar toda orla”, desabafou.
  Acrescentando que “a construção da BR-367, no trecho que liga Porto Seguro a Santa Cruz Cabrália, age como barragem no refluxo das águas pluviais, aliado a isso, o assoreamento de rios e riachos na orla são as principais causas para o que aconteceu nesta madrugada”, explica Botticelli. No centro da cidade, quando a água baixou, funcionários do Hotel Pau Brasil usaram baldes e bombas para retirar a água que inundou todo o saguão do hotel e do restaurante.
  O engenheiro Luiz Jatobá, titular da Secretaria de Infra-estrutura do município, estava na orla acompanhando os trabalhos de drenagem das águas. Segundo ele, “o grande responsável pelas enchentes na orla norte é o avanço imobiliário, que tem aterrado desordenadamente muitas áreas, e os barraqueiros, que fizeram construção de concreto obstruindo algumas manilhas. O Luiz Jatobá disse que há 20 anos não caía uma chuva tão forte sobre o município. Além dos estragos na orla norte, a chuva causou transtornos no centro da cidade e deslizamentos de casas no bairro Baianão, na periferia.
 

 
Fonte: A Tarde

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