|
Salvador - A dona-de-casa Rosanita Nery dos
Santos, 47 anos, está sendo acusada de matar, na noite da véspera de São
João, o seu marido, o tenente reformado da Polícia Militar José Raimundo
Soares dos Santos, 52 anos. Ele foi esfaqueado, provavelmente enquanto
estava dormindo, e o corpo esquartejado, destrinchado e seccionado em mais
de 100 partes. Elas foram cozidas em óleo fervente e colocadas debaixo da
escada que dá acesso ao subsolo da residência do casal, na Vila São Cosme,
no Vale do Ogunjá.
A polícia prendeu Rosanita às 20 horas de anteontem, na casa da sua filha
Shisleide Neri dos Santos, no Engenho Velho de Brotas. A filha esteve na
6ª- Delegacia, em Brotas, onde prestou queixa, depois de ouvir o relato da
mãe de que o seu pai tinha se matado. Após a prisão, em seu primeiro
depoimento, Rosanita negou a autoria do homicídio, afirmando que ele tinha
cometido suicídio.
O delegado Nilton José Ferreira, que investiga o crime, esteve na
residência do casal e concluiu que o oficial foi assassinado pela mulher
com facas de cozinha, tipo peixeira. As facas foram usadas para
esquartejar o cadáver, coisa que foi feita anteontem, durante o dia. O
delegado suspeita de que Rosanita teve auxílio de outra mulher, que está
sendo investigada, mas seu nome está sendo mantido em sigilo para não
atrapalhar as investigações.
Coração – Após tomar o depoimento da dona-de-casa, ela foi autuada
em flagrante e enviada para o Presídio Feminino. Pela maneira como
praticou o crime, o delegado Nilton José acredita que ela sofre de alguma
doença mental. O policial também investiga a influência de uma seita
religiosa de que Rosanita participava. Numa das sessões, ela teria ouvido
de uma mulher que deveria arrancar o coração de seu marido, disse o
delegado.
O irmão da vítima, o músico Adailton Soares dos Santos, 47 anos, foi,
ontem pela manhã, até a residência do casal. Para ele, Rosanita premeditou
o crime, tendo-o planejado com detalhes. “Ela pediu a todos dentro de casa
que viajassem, porque queria ficar sozinha com o marido no São João”,
disse ele.
Adailton contou que o casal tinha um relacionamento de 30 anos e que
levaram um longo período de constantes brigas, principalmente motivadas
pelos ciúmes da mulher. “Ela tinha muito ciúme dele e chegou a ameaçar de
matá-lo”, afirmou. O músico ouviu do irmão que, nas ameaças, ela dizia que
poderia matá-lo com um tiro de revólver que ele portava, pois, como
militar, tinha o porte de armas. O tenente reformado, que ainda prestava
serviços no Quartel dos Aflitos, a partir daí, decidiu não mais levar a
arma para casa, temendo que ela cumprisse a ameaça. O irmão também disse
que Rosanita falava que, se o matasse, “iria cortá-lo em pedacinhos”, como
terminou concretizando.
O irmão do oficial não soube dizer que seita Rosanita freqüentava, pois
não tinha conversado o assunto com o casal. “Soube do envolvimento de
Rosanita com uma seita por intermédio da polícia”, afirmou.
|