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24/12/2003   

Plano de saúde ficará até 25% mais caro

 

Adaptação de contratos antigos, para usuário contar com cobertura completa, fará mensalidade subir, segundo regras da ANS


 

Nice de Paula

 
nic@jb.com.br

 

Os consumidores de planos e seguros saúde antigos (contratados antes de 1999) vão pagar até 25% a mais por mês se quiserem adaptar seus contratos às regras que asseguram coberturas mais amplas. Na média, porém, o aumento não poderá ultrapassar 15%, o que significa que haverá percentuais de reajustes diferentes de acordo com o tipo de plano. As regras estão em medida provisória apresentada ontem em Brasília.

As empresas terão 60 dias para fazer as propostas de migração que devem ser aprovadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e depois enviadas aos consumidores. Eles terão outros 60 dias para decidir se aceitam ou não. Ninguém é obrigado a mudar.

- O consumidor não deve se sentir pressionado. Não se apavore, tenha calma e se decidir não mudar continuará protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, mesmo com a decisão do Supremo - afirma Hilma Araújo dos Santos, técnica do Procon de São Paulo.

Ela se referia à liminar concedida em agosto pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou os contratos antigos fora do alcance da Lei 9.656/98, em vigor desde 1999.

Com essa decisão, os reajustes de mensalidades dos planos antigos e não adaptados ficaram livres do controle da ANS e as medidas restritivas, como tempo de limite de internação, também voltaram a ser permitidas. Foi isso que forçou o governo a apressar a elaboração de regras para adaptar os 22,3 milhões de contratos antigos (60% do total). Desse total, 8,2 milhões são clientes individuais. Os demais são segurados de planos coletivos, cujas regras de migração são diferentes.

Mesmo que o consumidor aceite a mudança, a operadora só estará obrigada a efetivar a alteração se pelo menos 35% de seus clientes também concordarem. Além disso, aquelas empresas que acharem o índice de aumento do governo baixo poderão solicitar à ANS autorização para um reajuste maior.

- Para algumas empresas, o reajuste médio de 15% será razoável, mas aquelas que tinham cobertura muito restritiva não vão conseguir - prevê Arlindo de Almeida, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Medicina de Grupo (Abramge).

Ele afirma que a adaptação dos contratos antigos é benéfica para empresas e consumidores e deve ser estimulada, mas tem dúvidas sobre o sucesso da proposta do governo, por causa das dificuldades dos consumidores ''para aceitar qualquer aumento de preço''. O presidente da Unimed-Brasil, Celso Barros, diz que o reajuste médio deveria ter sido de 22% e acredita que muitas empresas vão pedir índices maiores.

Além de regras de adaptação, as empresas também serão obrigadas a oferecer aos clientes uma proposta de migração. A ampliação de cobertura é a mesma, mas nesse caso é possível alterar outras regras do contrato antigo e o percentual de reajuste não está definido previamente. Nos dois casos, a mudança inclui também o número de faixas etárias para diferenciação de preços, que sobe de sete para dez, como os planos de saúde vendidos a partir do ano que vem. Essa mudança foi feita para atender exigências do Estatuto do Idoso, que proíbe aumento por faixa etária para quem tem mais de 60 anos.

- O Estatuto foi altamente nocivo. Com essa mudança de faixa, as pessoas passaram a pagar aos 59 anos o preço máximo que iriam pagar aos 70 - diz o presidente da Abramge.

Hilma de Araújo, do Procon, reforça a crítica.

- Essa mudança de faixa etária não beneficiou o consumidor porque a alta diferença, de 500%, entre a primeira e a última faixa foi mantida.


 

 

Fonte: JB

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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

     

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