Rio -
Quando se fala em petróleo atualmente, a palavra Bofete não
significa nada para a maioria das pessoas. Mas Bofete, no
interior de São Paulo, foi o local da perfuração do primeiro
poço profundo de petróleo brasileiro, ainda no século XIX.
É um dos marcos da exploração petrolífera no país, nos
registros da Petrobras, embora pouco se saiba sobre o
responsável pela empreitada, o fazendeiro Eugênio Ferreira
de Camargo, de Campinas, SP.
Os poucos registros à disposição do público informam que,
entre os anos de 1892 e 1897, Camargo mandou fazer um buraco
de 500 metros de profundidade com o intuito de procurar
petróleo. Segundo o geólogo Celso Fernando Lucchesi, no
artigo "Dossiê Recursos Naturais: Petróleo", de 1998, o poço
não atingiu um depósito. Rendeu apenas dois barris.
Mas foi o começo. Dez anos depois, o governo brasileiro
criaria o Serviço Geológico e Mineralógico Brasileiro (SGMB),
ligado ao ministério da Agricultura, para cuidar da
exploração do minerai.
De acordo com a Petrobras, Bofete inaugurou a busca profunda
e a SGMB profissionalizou a participação governamental na
atividade. Em 1933, foi criado o Departamento Nacional da
Produção Mineral, no governo de Getúlio Vargas.
O primeiro poço relativamente produtivo do Brasil, em Lobato
(BA), nos arredores de Salvador, foi descoberto em 1939, 80
anos depois do primeiro poço do mundo ser escavado na
Pensilvânia, Estados Unidos, pelo coronel Edwin L. Drake, em
1859.