11/09/2003
MP quer o prefeito de Porto
Seguro afastado
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Foto: Antonio Alberghini |
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UBALDINO PINTO |
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Ação no TRF não impede Câmara Municipal de
aprovar contas relativas a 2001
José Fonseca Filho e Antonio Alberghini
O Ministério Público Federal propôs ontem o
afastamento do prefeito de Porto Seguro,
Ubaldino Pinto Júnior, além da indisponibilidade
de seus bens, quebra de sigilo bancário e
bloqueio de qualquer importância que o prefeito
tenha em conta bancária, como titular ou em
conjunto com outras pessoas. A ação civil
pública por improbidade administrativa foi
proposta no Tribunal Regional Federal da 1ª
Região, em Brasília.
O Ministério Público solicitou ainda que sejam
requisitadas à Receita Federal cópias das
declarações de renda do prefeito desde o seu
primeiro ano de mandato, em 1997, além de
oficiar ao Banco Central para informar a
existência de ativos financeiros em nome de
Ubaldino Júnior, bem como eventual remessa de
valores para o exterior e despesas efetuadas com
cartões de crédito. O relator do processo será o
desembargador federal Cândido Ribeiro.
As informações solicitadas sobre as contas do
prefeito se originam no fato de que, apesar de
graves indícios de desvio de recursos públicos,
terem sido identificados em nome de Ubaldino
apenas dois carros e uma motocicleta. A ação
proposta pelo Ministério Público se baseia na
auditoria realizada no município pela
força-tarefa da Controladoria Geral da União,
enviada pelo ministro Waldir Pires depois que o
presidente Lula assistiu a uma reportagem com
denúncias de corrupção no programa Fantástico,
da Rede Globo.
Em menos de um mês, os auditores da CGU
constaram irregularidades e desvio de recursos
no valor de R$ 48,5 milhões, através do emprego
generalizado de um sistema de fraudes com a
participação de empresas fantasmas em licitações
simuladas. Os cheques de pagamento eram emitidos
em nome da empresa fantasma vencedora das
concorrências, levados, já endossados, ao Banco
do Brasil e sacados por prepostos da prefeitura,
segundo a auditoria da CGU.
Os procuradores Hindemburgo Chateaubriand Filho,
Deborah Duprat e Odin Brandão Ferreira, que
assinam a ação encaminhada à Justiça Federal,
juntaram o relatório da CGU e fitas de vídeo com
filmagens de tentativas de suborno de elementos
ligados ao prefeito contra jornalistas que
publicavam as denúncias contra o prefeito
Ubaldino.
CONTAS APROVADAS – Em votação secreta, a
Câmara Municipal de Porto Seguro aprovou – por
oito votos a favor, cinco contra, um branco e um
nulo – as contas da prefeitura no exercício de
2001. Os vereadores da oposição estranharam que
o período analisado da gestão do prefeito
Ubaldino Júnior seja o mesmo em que a
força-tarefa da Controladoria Geral da União
apontou irregularidades da ordem de R$ 47
milhões.
O Tribunal de Contas dos Municípios aprovou as
contas em questão com ressalvas. A votação do
parecer do TCM pela Câmara mostrou um novo
quadro político, bem diferente do de 20 dias
atrás, quando a maioria dos vereadores defendia
a cassação do mandato do prefeito. Agora,
Ubaldino Júnior parece ter recuperado o controle
da Câmara, reorganizando a sua bancada de apoio.
Os vereadores da oposição lembraram o relatório
da força-tarefa da Controladoria Geral da União
que aponta o desvio de verbas públicas na
Prefeitura de Porto Seguro. “Não acredito que
sabendo da roubalheira tenha vereador que vai
votar a favor das contas”, questionou Jorge
Caminha (PMDB). “O parecer do TCM foi político,
há inúmeras irregularidades nas contas”,
acrescentou o vereador Gilvan Florêncio (PT).
“Como a Câmara pode votar a favor quando a
força-tarefa comprovou o desvio de 47 milhões de
reais somente em duas secretarias?”, indagou
Valter da Silva Cardoso (PL). Apesar da
aprovação folgada, antes da votação nenhum dos
15 vereadores argumentou a favor das contas.
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