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19/12/2003   


Índio
Indígenas ocupam sedes da Funai

 
   Luciano da Mata
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Em Eunápolis, pataxós acampam no órgão cobrando dívidas. Em Paulo Afonso, tuxás pedem saída do administrador

Maria Eduarda Toralles e Clementino Heitor

EUNÁPOLIS e Paulo Afonso (DAs SUCURSAis) –
Dezesseis lideranças dos índios pataxós hã hãe, da Aldeia Caramuru em Pau Brasil, estão há três dias acampados na sede da Fundação Nacional dos Índios (Funai), em Eunápolis. Segundo a cacique Marilene Jesus dos Santos, eles estão reivindicando o pagamento de dívidas, contraídas em nome dos índios, com a autorização da administração do órgão.

As dívidas com frete, alimentação e combustível, da época das reintegrações, somam aproximadamente R$ 40 mil, de acordo com a cacique. “O Valdir ( Farias Mesquita, administrador regional da Funai em Eunápolis), falou que tem R$ 8 mil para entregar à panificadora e que se quiséssemos, deveríamos negociar com o dono da padaria para ver o resto da dívida com eles, que é de R$ 11 mil. Estou com o nome sujo na praça”, disse Marilene.

“Sabemos que há recursos, porque não resolvem os problemas das aldeias?”, questionou o vice-cacique Luís Vieira Teiteia. Os hã hãe garantiram que “não sairão da sede até que o problema seja resolvido, e que hoje chegarão novas lideranças para reforçar a manifestação”. Valdir Mesquita disse que as dívidas apresentadas pelos índios são de dois anos atrás, de outras administrações, “mesmo assim estou dando alternativas para eles”, disse.

Quanto à autorização da Funai para contrair as dívidas, Mesquita disse que “é preciso conferir que tipo é a autorização e quem deu. “Para contrair dívidas em nome da Funai temos que seguir os procedimentos normais, fazer tomadas de preço. A afirmação de que a administração autorizou as dívidas, é muito subjetiva”, alega o administrador regional da Funai.

Clientelismo – Cerca de 50 índios, tuxás e pankararus, ocupam desde ontem, pela manhã, a Administração Executiva Regional da Funai, em Paulo Afonso reivindicando o afastamento do administrador do órgão local, João Valadares, a quem acusam de “cooptar lideranças, dividir os povos indígenas e praticar clientelismo.” Valadares não foi localizado para falar sobre as acusações contra ele.

O líder Sandro Tuxá garante que já denunciaram “estas irregularidades ao presidente da Funai, Márcio Pereira Gomes, que assumiu o compromisso de tomar providências, mas até hoje nada, por isso resolvemos acampar”. Os acampados disseram que “só deixam a Administração Executiva Regional da Funai quando a reivindicação for atendida”.
 

 

Fonte: A Tarde

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Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores.

     

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