Índio
Indígenas ocupam sedes
da Funai
Em
Eunápolis, pataxós acampam no órgão
cobrando dívidas. Em Paulo Afonso, tuxás
pedem saída do administrador
Maria Eduarda Toralles e Clementino
Heitor
EUNÁPOLIS e Paulo Afonso (DAs SUCURSAis)
– Dezesseis lideranças dos índios
pataxós hã hãe, da Aldeia Caramuru em
Pau Brasil, estão há três dias acampados
na sede da Fundação Nacional dos Índios
(Funai), em Eunápolis. Segundo a cacique
Marilene Jesus dos Santos, eles estão
reivindicando o pagamento de dívidas,
contraídas em nome dos índios, com a
autorização da administração do órgão.
As dívidas com frete, alimentação e
combustível, da época das reintegrações,
somam aproximadamente R$ 40 mil, de
acordo com a cacique. “O Valdir ( Farias
Mesquita, administrador regional da
Funai em Eunápolis), falou que tem R$ 8
mil para entregar à panificadora e que
se quiséssemos, deveríamos negociar com
o dono da padaria para ver o resto da
dívida com eles, que é de R$ 11 mil.
Estou com o nome sujo na praça”, disse
Marilene.
“Sabemos que há recursos, porque não
resolvem os problemas das aldeias?”,
questionou o vice-cacique Luís Vieira
Teiteia. Os hã hãe garantiram que “não
sairão da sede até que o problema seja
resolvido, e que hoje chegarão novas
lideranças para reforçar a
manifestação”. Valdir Mesquita disse que
as dívidas apresentadas pelos índios são
de dois anos atrás, de outras
administrações, “mesmo assim estou dando
alternativas para eles”, disse.
Quanto à autorização da Funai para
contrair as dívidas, Mesquita disse que
“é preciso conferir que tipo é a
autorização e quem deu. “Para contrair
dívidas em nome da Funai temos que
seguir os procedimentos normais, fazer
tomadas de preço. A afirmação de que a
administração autorizou as dívidas, é
muito subjetiva”, alega o administrador
regional da Funai.
Clientelismo – Cerca de 50
índios, tuxás e pankararus, ocupam desde
ontem, pela manhã, a Administração
Executiva Regional da Funai, em Paulo
Afonso reivindicando o afastamento do
administrador do órgão local, João
Valadares, a quem acusam de “cooptar
lideranças, dividir os povos indígenas e
praticar clientelismo.” Valadares não
foi localizado para falar sobre as
acusações contra ele.
O líder Sandro Tuxá garante que já
denunciaram “estas irregularidades ao
presidente da Funai, Márcio Pereira
Gomes, que assumiu o compromisso de
tomar providências, mas até hoje nada,
por isso resolvemos acampar”. Os
acampados disseram que “só deixam a
Administração Executiva Regional da
Funai quando a reivindicação for
atendida”.
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