Pataxós expulsos de
fazenda prometem nova retomada da área
Famílias indígenas deixaram
local revoltadas com a decisão da Justiça
Indígenas afirmam que Funai demorou em tomar
providências mais concretas para resolver os
problemas
Em
menos de um mês da retomada da fazenda Boa Vista, no
entorno de Monte Pascoal, no extremo sul da Bahia,
um grupo de 15 famílias de índios pataxós foi
expulso, na última quarta-feira, por determinação da
Justiça Federal de Ilhéus. A retomada, no dia 19 de
agosto, durou apenas 22 dias, mas os índios prometem
voltar à área. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi),
de Brasília, informou que a retirada dos índios para
cumprir a decisão judicial foi realizada numa
operação que envolveu 14 homens da Polícia Federal e
outros 15 da Polícia Militar de Itamaraju,
fortemente armados.
As
famílias indígenas deixaram o local revoltadas com a
decisão da Justiça. De acordo com Lica Pataxó, uma
das representantes do grupo que ocupou a
propriedade, os entraves ocorreram devido à
morosidade da Funai em tomar providências mais
concretas para resolver os problemas que afetam os
índios. Ao relatar suas condições de sobrevivência,
Lica conta que "nossa situação é difícil, pois a
Funai não toma providências e não tem apoiado a
nossa luta. Moro em um curral com meus seis filhos,
sofrendo sem que as autoridades tomem providências".
Essa
foi a segunda vez que os pataxós foram expulsos da
fazenda Boa Vista. Mas, à medida que são retirados,
ocupam outras áreas na luta pela terra. Desta vez,
os índios se deslocaram para outra fazenda vizinha à
área de onde foram retirados. Em abril de 2002, os
pataxós retomaram a fazenda Boa Vista, sendo
expulsos de lá oito meses depois também por força de
uma liminar de reintegração de posse.
Eles
argumentam que a área faz parte do território que
será demarcado a partir de um parecer provisório,
emitido pela coordenadora do GT (Grupo de Trabalho)
da Funai, confirmando a reivindicação dos índios. De
acordo com informações do Cimi, apesar de o
proprietário da Boa Vista, Paulo Chaves, ter
assinado uma carta de intenção com a disposição de
negociar a liberação da terra, a Justiça Federal
concedeu nova liminar a ele.
Inconformados com a decisão da Justiça, os índios
prometem retomar a área mais uma vez. As lideranças
da Aldeia Nova do Monte Pascoal estão pedindo ajuda
à Procuradoria da República de Ilhéus, 6ª Câmara em
Brasília e à Funai para resolver sua situação. Os
pataxós alegam que as decisões judiciais contra a
comunidade indígena têm saído em razão de a Funai
não demonstrar interesse pelo caso e que, na maioria
das vezes, o órgão não presta assistência jurídica
aos conflitos na região do extremo sul da Bahia. |