Brasília –
O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci foi indiciado hoje
(27) por quatro crimes por irregularidades encontradas em
contratos de limpeza urbana firmados quando era prefeito de
Ribeirão Preto.
Ele vai responder pelos crimes de lavagem de dinheiro,
formação de quadrilha, peculato e falsidade ideologia. As
investigações sobre o período em que era ocupava a
prefeitura do município paulista estão a cargo da Polícia
Civil de São Paulo.
Palocci já responde pelo indiciamento por quatro outros
crimes na Polícia Federal, que teriam ocorrido quando era
ministro: quebra de sigilo funcional, quebra a de sigilo
bancário, prevaricação e denunciação caluniosa.
O ex-ministro prestou depoimento hoje, durante duas horas e
meia, em Brasília. Ele foi ouvido pelo delegado chefe da
delegacia de Capturas de Polícia Interestadual de CPI,
Antonio Admar Brandão, e pelo delegado Amarildo Fernandes.
No entanto, antes de iniciar o depoimento, ele já havia sido
indiciado. De acordo com o promotor de Justiça do Ministério
Público de São Paulo Daniel José de Angelis,"a carta
precatória já veio com a determinação de indiciamento". O
documento, segundo ele, permitiu à polícia de Brasília ouvir
Palocci, apesar de o inquérito ser presidido pela polícia
paulista.
"A gente nunca teve a preocupação de investigá-lo porque era
ministro, isso não cabia a nós. Agora vamos apurar. Já há
evidências de que ele tinha participação. Ainda não
conseguimos saber se o dinheiro ia para o Partido dos
Trabalhadores", disse de Angelis, referindo-se à exeistência
de supostos contratos ilegais à época que Palocci era
prefeito.
Na saída do depoimento, Palocci não deu declarações à
imprensa, mas seu advogado, José Batocchio, negou que o
ex-ministro tenha sido indiciado. "Não temos que nos ater a
diferentes versões, mas aos fatos", disse.
O advogado afirmou também que Palocci "não teve participação
direta" na assinatura dos contratos. "A concorrência foi
feita na gestão anterior, portanto, por outro prefeito. Ele
recebeu contrato já licitado e em execução, que teve
continuidade. Não existe um contrato ou termo de
continuidade assinado por ele", afirmou, em referência à
empresa Leão Leão, prestadora de serviço de coleta de lixo
no município de Ribeirão Preto.