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09/02/2006 - Blog do Jornal da Mídia

Padre Pinto desabafa e diz que foi drogado pela Igreja

 

 

"Eu camuflei durante muito tempo, como a Igreja gosta. Ela vive muito exatamente a hipocrisia, sabe quanta coisa tem por baixo do pano e os bispos sabem porque eu sei, Foto: J. da Globotrabalhei com eles durante sete anos, os padres sabem, mas é bonito para se colocar por debaixo do pano. Como Pinto agora levantou as asinhas, sendo mais autêntico, dizendo a verdade, a melhor maneira deles se saírem é falar que eu estou com distúrbio mental. É ruim dizer isso, pois de repente a gente vai ter que chamar eles na Justiça para responderem".

A declaração, em tom de desabafo, foi feita hoje pelo padre Pinto, destituído pela Arquidiocese de Salvador da paróquia da Lapinha. Em entrevista à Agência Estado, o polêmico padre, que se transformou em uma das estrelas do Festival de Verão, onde rebolou, tomou cerveja e até beijou na boca de Caetano Veloso, declarou que foi drogado durante a Festa da Lapinha, quando dançou fantasiado de Orixá e proibido de dar entrevistas pelo cardeal-arcebispo dom Geraldo Majella Agnelo.

"Mandaram (a Arquidiocese) um médico que me deu remédio para epilepsia e loucura. Por isso num determinado momento quase não me agüentava em pé", sustentou. O padre confirmou na entrevista a informação divulgada pelo Jornal da Mídia, de que iria participar do Carnaval.

"Gosto muito do carnaval, então sempre vou à saída do (bloco afro) Ilê-Ayiê e não iria este ano, mas agora acho que vou, também vou ao camarote da Daniela Mercury com toda a (polêmica da) camisinha".

Segundo a agência, ele se recusa a deixar a Casa Paroquial da Lapinha, apesar de a Congregação Sociedade das Divinas Vocações que a administra ter dado um prazo de três dias para ele desocupar o imóvel.

"A Igreja não aceita as minhas atitudes, pois a filosofia é a da camuflagem. Ela sempre foi utilitarista com o artista: é lindo o artista vir cantar na missa, mas depois "se pique", é lindo ele vir pintar na minha igreja, depois vá embora. Para com os pobres é a mesma coisa: lembro quando papa João Paulo II visitou a Bahia. Quem entrava no palácio? Só os ricos da diocese os pobres eram para ficar na Praça do Campo Grande batendo palmas, para dar ibope", metralhou o padre.

 
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