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"Eu camuflei
durante muito tempo, como a Igreja gosta. Ela vive muito exatamente
a hipocrisia, sabe quanta coisa tem por baixo do pano e os bispos
sabem porque eu sei,
trabalhei com eles durante sete anos, os padres
sabem, mas é bonito para se colocar por debaixo do pano. Como Pinto
agora levantou as asinhas, sendo mais autêntico, dizendo a verdade,
a melhor maneira deles se saírem é falar que eu estou com distúrbio
mental. É ruim dizer isso, pois de repente a gente vai ter que
chamar eles na Justiça para responderem".
A declaração, em tom de desabafo, foi feita hoje pelo padre Pinto,
destituído pela Arquidiocese de Salvador da paróquia da Lapinha. Em
entrevista à Agência Estado, o polêmico padre, que se transformou em
uma das estrelas do Festival de Verão, onde rebolou, tomou cerveja e
até beijou na boca de Caetano Veloso, declarou que foi drogado
durante a Festa da Lapinha, quando dançou fantasiado de Orixá e
proibido de dar entrevistas pelo cardeal-arcebispo dom Geraldo
Majella Agnelo.
"Mandaram (a Arquidiocese) um médico que me deu remédio para
epilepsia e loucura. Por isso num determinado momento quase não me
agüentava em pé", sustentou. O padre confirmou na entrevista a
informação divulgada pelo Jornal da Mídia, de que
iria participar do Carnaval.
"Gosto muito do carnaval, então sempre vou à saída do (bloco afro)
Ilê-Ayiê e não iria este ano, mas agora acho que vou, também vou ao
camarote da Daniela Mercury com toda a (polêmica da) camisinha".
Segundo a agência, ele se recusa a deixar a Casa Paroquial da
Lapinha, apesar de a Congregação Sociedade das Divinas Vocações que
a administra ter dado um prazo de três dias para ele desocupar o
imóvel.
"A Igreja não aceita as minhas atitudes, pois a filosofia é a da
camuflagem. Ela sempre foi utilitarista com o artista: é lindo o
artista vir cantar na missa, mas depois "se pique", é lindo ele vir
pintar na minha igreja, depois vá embora. Para com os pobres é a
mesma coisa: lembro quando papa João Paulo II visitou a Bahia. Quem
entrava no palácio? Só os ricos da diocese os pobres eram para ficar
na Praça do Campo Grande batendo palmas, para dar ibope", metralhou
o padre. |