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24/12/2003 |
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Desejar 'Feliz Natal' começa a virar tabu nos
EUA
Em tempos do politicamente correto e de apoio público à tolerância religiosa, desejar Feliz Natal – Merry Christmas, em inglês - está se tornando um tabu nos Estados Unidos. Na publicidade, são poucas as empresas que ainda se atrevem a anunciar os seus produtos como bons presentes de Natal. Para conquistar consumidores de todas as religiões - ou de nenhuma delas -, elas preferem apresentar seus produtos como "presentes para o feriado" (holiday gifts) ou "presentes para estação" (season gifts). E, mesmo no dia-a-dia, os americanos também estão preferindo desejar apenas um feliz feriado ou um feliz fim de ano. “Percebi que muita gente me olhava torto quando eu dizia Feliz Natal, mesmo os cristãos”, comentou em conversa com a BBC Brasil o chefe dos críticos de Arte do jornal The Washington Post, Blake Gopnik. Ateu
Incomodado com a mudança, Gopnik – um ateu canadense - escreveu um artigo no jornal em que trabalha, defendendo o direito e a tradição de desejar Feliz Natal. “Feliz Natal: sei que estas palavras cristãs podem soar estranhas saindo dos lábios de um ateu de terceira geração e de antepassados judeus. Mas me sinto bem com elas”, escreveu o crítico de arte. Gopnik defende que desejar Feliz Natal não tem mais necessariamente o sentido cristão e simboliza uma festa que já está estabelecida no Ocidente, e ganhando espaço no Oriente, independentemente de seu sentido religioso. “Entendo que as pessoas evitam dizer Feliz Natal com a melhor das intenções e acho positivo que haja este esforço para evitar ofensas a outras religiões”, admite o jornalista. “Mas acho que a beleza do feriado vem exatamente de suas antigas tradições e não creio que faça sentido desassociar as duas coisas.” Muçulmanos Mas no Conselho de Relações Islâmico-Americanas (Cair, na sigla em inglês) – um importante grupo muçulmano sediado na capital dos Estados Unidos – a tendência é vista com simpatia. Para a coordenadora de comunicação do grupo, Rabiah Maahmedh, o principal motivo para esta nova moda é comercial: na publicidade, o Feliz Natal é evitado para não alienar os milhões de americanos que não são cristãos. “Depois que esta tendência aparece na televisão, acaba se espalhando pela sociedade”, disse. Mas Maahmedh acredita que os motivos comerciais para a adoção dos novos cumprimentos não desvalorizam a importância deles. “Não acho que a comunidade muçulmana se sinta ofendida com menções ao Natal, mas evitá-las mostra um respeito à nossa cultura.". Politicamente correto DJ Kaiser é professor de inglês para estrangeiros na Universidade Washington em Saint Louis, no Estado do Missouri. Em seu curso, Kaiser desenvolveu um módulo especial para explicar o modo de falar politicamente correto aos seus alunos. “Não é um conceito muito fácil para muitos dos alunos entenderem. Acho que esta é uma particularidade muito forte da cultura americana”, avalia o professor. Nas aulas dele, Kaiser não menciona o Natal, mas se concentra em questões mais graves, como explicar os estudantes que a palavra nigger remete aos tempos da escravidão e é altamente ofensiva para a comunidade negra americana, e que o termo afro-american (afro-americano) deve ser favorecido. Mas no dia-a-dia, o especialista no politicamente correto prefere jogar na defesa. “Sempre trabalhei com alunos de diversas origens culturais e religiosas e acho melhor desejar um bom fim de ano em vez de um Feliz Natal”, disse. “Não acho que meus alunos se sentiriam ofendidos com votos de um bom Natal, mas eu venho de uma família católica e entendo que a frase tem uma conotação religiosa.” |
| Fonte: BBC-BR |
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