21/09/2003

                                  

      


Sem-terra
Grupos do MST entram em choque

Posseiros ligados à Cooterra estão prestes a travar uma batalha com integrantes dos sem-terra pela posse de três fazendas

Juscelino Souza

Vitória da Conquista e Itambé (Da Sucursal Sudoeste) -
Grupos de trabalhadores rurais sem-terra estão próximos de um conflito armado na briga pela posse de três fazendas, nos municípios de Itambé e Vitória da Conquista, a 566 km e 509 km de Salvador, respectivamente. Caso não haja uma pronta intervenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), como reconhecem os líderes dos grupos rivais, posseiros ligados à Cooperativa dos Lavradores na Luta pela Conquista da Terra (Cooterra) podem travar uma batalha com famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

O mesmo pode acontecer entre a Associação Comunitária dos Minifundiários de Lagoa do Juazeiro e Abrangências e sem-terra recrutados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista. Os primeiros indícios de animosidade podem ser observados em Conquista, a 35 km da sede. Homens ligados à Associação Comunitária dos Mini-fundiários de Lagoa do Juazeiro e Abrangências estão formando uma milícia para expulsar, à força, 54 famílias agrupadas na Fazenda Ingazeira, uma área de 525 hectares, espólio de Afrânio Fonseca Freitas. “Nós reivindicamos a posse daquela fazenda desde 11 de outubro de 2002 e esse grupo chegou no final de agosto deste ano; por isso, se eles não saírem, a gente resolve na bala”, ameaçou o líder da associação, Gildásio Ferreira Santos.

Ele afirma que a intenção do grupo é ocupar todas as áreas consideradas improdutivas na região, mesmo que isso implique o uso da força ou conflito armado com grupos rivais. Além da Ingazeira, na lista da entidade estão as fazendas Manga Nova, com 700 hectares; Quilombo e Palmares, com 400 hectares cada uma. “Vamos distribuir 15 hectares para cada família, como manda a lei”, anuncia.

AMPARO – “Quem é que não teme ameaça de morte?”, retruca o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista, Edilton Oliveira. “Mesmo assim, vamos ficar na terra, porque todo mundo precisa, e vamos buscar amparo na lei, mas, se ela não vier, a gente enfrenta”, afirma o sindicalista, descartando a presença de pessoas armadas ligadas ao seu grupo. “Primeiro o diálogo com o Incra”, suaviza.

Além das famílias já estabelecidas na Ingazeira, o sindicato pretende levar outras 36 para engrossar a lista dos sem-terra e ampliar a área ocupada. “Estamos dando todo apoio necessário, desde financeiro até comida”, diz Oliveira, assinalando que na próxima semana uma comissão deve solicitar vistoria da fazenda ao Incra.

No outro pólo da discórdia estão os grupos rivais Cooterra, com 100 famílias acampadas há um ano e seis meses, e o MST, com mais de 1,5 mil acampados desde dezembro do ano passado nas margens da BA-263 (Itambé-Itapetinga). Na mira de ambos estão as fazendas Gameleira, com 740 hectares, pertencente a Everardes Correia Leite, e a Novo Horizonte, com 1.128 hectares, em nome de Marcos Velame Santos e irmãs.

             

                    

 Fonte:A Tarde