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Sem-terra
Grupos do MST entram em choque
Posseiros ligados à Cooterra estão prestes a travar uma
batalha com integrantes dos sem-terra pela posse de três
fazendas
Juscelino Souza
Vitória da Conquista e Itambé (Da Sucursal Sudoeste) -
Grupos de trabalhadores rurais sem-terra estão próximos de um
conflito armado na briga pela posse de três fazendas, nos
municípios de Itambé e Vitória da Conquista, a 566 km e 509 km
de Salvador, respectivamente. Caso não haja uma pronta
intervenção do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra), como reconhecem os líderes dos grupos rivais,
posseiros ligados à Cooperativa dos Lavradores na Luta pela
Conquista da Terra (Cooterra) podem travar uma batalha com
famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra
(MST).
O mesmo pode acontecer entre a Associação Comunitária dos
Minifundiários de Lagoa do Juazeiro e Abrangências e sem-terra
recrutados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista.
Os primeiros indícios de animosidade podem ser observados em
Conquista, a 35 km da sede. Homens ligados à Associação
Comunitária dos Mini-fundiários de Lagoa do Juazeiro e
Abrangências estão formando uma milícia para expulsar, à força,
54 famílias agrupadas na Fazenda Ingazeira, uma área de 525
hectares, espólio de Afrânio Fonseca Freitas. “Nós reivindicamos
a posse daquela fazenda desde 11 de outubro de 2002 e esse grupo
chegou no final de agosto deste ano; por isso, se eles não
saírem, a gente resolve na bala”, ameaçou o líder da associação,
Gildásio Ferreira Santos.
Ele afirma que a intenção do grupo é ocupar todas as áreas
consideradas improdutivas na região, mesmo que isso implique o
uso da força ou conflito armado com grupos rivais. Além da
Ingazeira, na lista da entidade estão as fazendas Manga Nova,
com 700 hectares; Quilombo e Palmares, com 400 hectares cada
uma. “Vamos distribuir 15 hectares para cada família, como manda
a lei”, anuncia.
AMPARO – “Quem é que não teme ameaça de morte?”, retruca
o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conquista,
Edilton Oliveira. “Mesmo assim, vamos ficar na terra, porque
todo mundo precisa, e vamos buscar amparo na lei, mas, se ela
não vier, a gente enfrenta”, afirma o sindicalista, descartando
a presença de pessoas armadas ligadas ao seu grupo. “Primeiro o
diálogo com o Incra”, suaviza.
Além das famílias já estabelecidas na Ingazeira, o sindicato
pretende levar outras 36 para engrossar a lista dos sem-terra e
ampliar a área ocupada. “Estamos dando todo apoio necessário,
desde financeiro até comida”, diz Oliveira, assinalando que na
próxima semana uma comissão deve solicitar vistoria da fazenda
ao Incra.
No outro pólo da discórdia estão os grupos rivais Cooterra, com
100 famílias acampadas há um ano e seis meses, e o MST, com mais
de 1,5 mil acampados desde dezembro do ano passado nas margens
da BA-263 (Itambé-Itapetinga). Na mira de ambos estão as
fazendas Gameleira, com 740 hectares, pertencente a Everardes
Correia Leite, e a Novo Horizonte, com 1.128 hectares, em nome
de Marcos Velame Santos e irmãs.
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