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Como
previsto, o MST foi recebido com toda " pompa e circunstância" pelo
governo em sua chegada a Brasília, depois de longa marcha em que conseguiu
dar uma demonstração de seu
poder de arrecadação de recursos, sem nunca
ter de prestar contas dos mesmos, que envolvem seguramente dinheiro
público, de organismos internacionais cujos objetivos e financiadores
precisam ser analisados e de uma ala da Igreja cuja opção preferencial
pelos pobres parece ser seletiva.
Conseguiu também mostrar sua capacidade de organização e se manter na
mídia durante toda semana. O presidente da República, de forma
irresponsável, não apenas os recebeu, como, mais uma vez, colocou o boné
do movimento, com o que avalizou todas as ilegalidades cometidas pelo
mesmo durante a caminhada, invadindo propriedade privadas a seu bel
prazer, como se contasse com um salvo conduto preventivo por parte das
autoridades. Como sempre, qualquer pressão ou ato de força do MST é
respondido com mais promessas ou concessões, com o governo sendo pautado
pelos "sem-terra", ao invés de comandar o processo.
Dentre as reivindicações (ou exigências ) do movimento, além do
cumprimento da promessa de assentamento de 400 mil famílias, coloca-se,
entre outras, a da mudança da política econômica, contra o acordo com a
ALCA e a favor da aprovação do plebiscito sobre o desarmamento, tema este
que muito interessa aos "sem-terra", pois com base nessa legislação
pretende o governo desarmar os proprietários agrícolas (basta ver que as
apreensões de armas, anunciadas espetacularmente pela Polícia Federal, não
foi de traficantes ou marginais, mas de empresas que faziam a proteção de
fazendas), deixando-os indefesos perante os invasores de suas terras.
Quando se discute a atuação do MST, muitos se concentram apenas no seu
constante desafio à lei na invasão de propriedades, prédios públicos ou
bloqueio de estradas, alguns considerando isso uma afronta ao Estado de
Direito e uma inibição aos investimentos, e outros, como o governo,
aceitando como uma "manifestação de um movimento social " que não pode ser
reprimida.
Pouco
se tem debatido sobre o impacto de longo prazo da atuação do MST na área
da educação, com mais de 1.200 escolas espalhadas pelo país, cujo
currículo não é subordinado ao Ministério da Educação e cuja contratação
de professores é controlada pelo movimento, sem contar os inúmeros
convênios com escolas e universidades e, agora, com sua própria
Universidade.
Não é
segredo para ninguém, o próprio MST não esconde que sua doutrinação é de
cunho marxista (basta ver as imagens de Che Guevara e de outros comunistas
em seus acampamentos ) e, embora não o afirme textualmente, fica claro que
seu objetivo é o poder.
Quando essas questões são colocadas, as respostas da maioria, por
comodismo ou falta de visão, é que não existe o risco do movimento entrar
por esse caminho e que os exemplos de Chiapas e das FARCs não servem
porque o Brasil não é o México ou a Colômbia.
Parecem esquecer que não é necessário se basear nos exemplos estrangeiros
para se preocupar com os riscos da doutrinação marxista para o futuro. Os
exemplos brasileiros deveriam servir de alerta. Em 35 um grupo de
militares, liderados por Prestes, intoxicados pelo marxismo e comandados
pela União Soviética, assassinou companheiros de quartéis para tentar
implantar o comunismo no país. Em 1962/63, Francisco Julião, com apoio de
Cuba, tentou fazer sua revolução a partir das Ligas Camponesas, que
pregavam "reforma agrária na lei, ou na marra". A partir de 64 assistimos
muitos jovens universitários, inoculados pela pregação marxista,
orientados e financiados pela China, Cuba e outros países comunistas,
partirem para a luta armada para implantar no país um sistema comunista..
Subestimar o efeito de uma pregação constante sobre crianças e jovens que
vivem em condições precárias, e cujas oportunidades de melhora nos
assentamentos são reduzidas em função da falta produtividade dos mesmos,
pode não ser a melhor política. A caminhada do MST para Brasília terminou
mas a "marcha da insensatez" que alimenta esse movimento continua.
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