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21/05/2005 - A marcha da insensatez

                                                               
 

 

 

Da redação - Sitepopular

 

Por Marcel Solimeo

Como previsto, o MST foi recebido com toda " pompa e circunstância" pelo governo em sua chegada a Brasília, depois de longa marcha em que conseguiu dar uma demonstração de seu poder de arrecadação de recursos, sem nunca ter de prestar contas dos mesmos, que envolvem seguramente dinheiro público, de organismos internacionais cujos objetivos e financiadores precisam ser analisados e de uma ala da Igreja cuja opção preferencial pelos pobres parece ser seletiva.

Conseguiu também mostrar sua capacidade de organização e se manter na mídia durante toda semana. O presidente da República, de forma irresponsável, não apenas os recebeu, como, mais uma vez, colocou o boné do movimento, com o que avalizou todas as ilegalidades cometidas pelo mesmo durante a caminhada, invadindo propriedade privadas a seu bel prazer, como se contasse com um salvo conduto preventivo por parte das autoridades. Como sempre, qualquer pressão ou ato de força do MST é respondido com mais promessas ou concessões, com o governo sendo pautado pelos "sem-terra", ao invés de comandar o processo.

Dentre as reivindicações (ou exigências ) do movimento, além do cumprimento da promessa de assentamento de 400 mil famílias, coloca-se, entre outras, a da mudança da política econômica, contra o acordo com a ALCA e a favor da aprovação do plebiscito sobre o desarmamento, tema este que muito interessa aos "sem-terra", pois com base nessa legislação pretende o governo desarmar os proprietários agrícolas (basta ver que as apreensões de armas, anunciadas espetacularmente pela Polícia Federal, não foi de traficantes ou marginais, mas de empresas que faziam a proteção de fazendas), deixando-os indefesos perante os invasores de suas terras.

Quando se discute a atuação do MST, muitos se concentram apenas no seu constante desafio à lei na invasão de propriedades, prédios públicos ou bloqueio de estradas, alguns considerando isso uma afronta ao Estado de Direito e uma inibição aos investimentos, e outros, como o governo, aceitando como uma "manifestação de um movimento social " que não pode ser reprimida.

Pouco se tem debatido sobre o impacto de longo prazo da atuação do MST na área da educação, com mais de 1.200 escolas espalhadas pelo país, cujo currículo não é subordinado ao Ministério da Educação e cuja contratação de professores é controlada pelo movimento, sem contar os inúmeros convênios com escolas e universidades e, agora, com sua própria Universidade.

Não é segredo para ninguém, o próprio MST não esconde que sua doutrinação é de cunho marxista (basta ver as imagens de Che Guevara e de outros comunistas em seus acampamentos ) e, embora não o afirme textualmente, fica claro que seu objetivo é o poder.

Quando essas questões são colocadas, as respostas da maioria, por comodismo ou falta de visão, é que não existe o risco do movimento entrar por esse caminho e que os exemplos de Chiapas e das FARCs não servem porque o Brasil não é o México ou a Colômbia.

Parecem esquecer que não é necessário se basear nos exemplos estrangeiros para se preocupar com os riscos da doutrinação marxista para o futuro. Os exemplos brasileiros deveriam servir de alerta. Em 35 um grupo de militares, liderados por Prestes, intoxicados pelo marxismo e comandados pela União Soviética, assassinou companheiros de quartéis para tentar implantar o comunismo no país. Em 1962/63, Francisco Julião, com apoio de Cuba, tentou fazer sua revolução a partir das Ligas Camponesas, que pregavam "reforma agrária na lei, ou na marra". A partir de 64 assistimos muitos jovens universitários, inoculados pela pregação marxista, orientados e financiados pela China, Cuba e outros países comunistas, partirem para a luta armada para implantar no país um sistema comunista..

Subestimar o efeito de uma pregação constante sobre crianças e jovens que vivem em condições precárias, e cujas oportunidades de melhora nos assentamentos são reduzidas em função da falta produtividade dos mesmos, pode não ser a melhor política. A caminhada do MST para Brasília terminou mas a "marcha da insensatez" que alimenta esse movimento continua.

 
 

 

 Fonte:  Sitepopular

 

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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