mail

 

 
 
 
 
 

 

.................................................................................................

10-06-2004 - Acusados

 
 
Mouzinho e policiais acusados de execução


Mouzinho e policiais acusados de execução
em praça pública para eliminar provas contra a quadrilha de roubo de carros, tráfico de drogas e outros crimes. O bando, conforme investigações do Ministério Público, continua sendo chefiado pelo ex-coordenador da Polícia Civil, em Itabuna, Gilberto de Souza Mouzinho.
      Acusada de executar testemunhas para dificultar o andamento de processos, a quadrilha incluiria policiais civis, militares, um agente federal, delegados e traficantes.
      Uma das últimas vítimas da quadrilha foi Marcelo Carvalho de Jesus, executado com cinco tiros no rosto, em plena praça pública, às 17 horas do dia 31 de março deste ano. E mais: o crime foi a menos de dez metros de uma viatura da Policia Militar.
      Marcelo, que era usuário e conhecia o "sistema", teria sido morto porque dias antes da execução aceitou depor na Polícia Federal para revelar como funcionava o esquema de tráfico de drogas envolvendo o pessoal ligado à Mouzinho no sul e extremo sul da Bahia.
      Os suspeitos
      De acordo com testemunhas, Marcelo Carvalho chegou a ser procurado por policiais que apelaram para que ele não depusesse. Como Marcelo insistia em depor, agentes lotados na delegacia de Porto Seguro passaram a ameaçá-lo de morte, segundo apurou os promotores que acompanham o caso.
      "Eles falaram que o depoimento de Marcelo acarretaria na perda dos cargos dos policiais", contou uma testemunha aos promotores públicos. Essa mesma testemunha, que teve o nome preservado pelo jornal, vai além.
      Ela conta que o delegado Gilberto Mouzinho, acompanhado dos agentes Horley Jackson Santos Oliveira, e outros dois policiais civis identificados como Ranulfo e Valmir, visitou o traficante conhecido como Carlinhos Caçamba (primo de Marcelo) na Cadeia Pública. "Eles queriam saber onde Marcelo estava morando e chegaram afirmar que ele iria morrer", narrou a testemunha.
      A visita ao traficante, liderada por Mouzinho, teria ocorrido na madrugada de 27 de março, quatro dias antes do assassinato de Marcelo, que ocorreu na praça São Brás, em Arraial D'Ajuda.
      Outro que o Ministério Público suspeita ter sido executado pela quadrilha foi José Henrique Vieira Nascimento, "Madruga", morto dias depois de prestar depoimento na Polícia Federal, em Porto Seguro.
      Em seu depoimento à polícia no início do ano, "Madruga" contou como funcionava todo o esquema que, segundo ele, era comandado pelo ex-coordenador da Polícia Civil, em Itabuna. "Madruga" tentou escapar da quadrilha, mas dias depois foi executado em Teixeira de Freitas.
      As execuções de Marcelo Carvalho e "Madruga" teriam como objetivo inocentar os agentes José Luciano Alves da Silva, "Guiamum"; Horley Jackson Santos da Silva, Luís Pellegrino, Amarildo Ribeiro do Prado, Osvaldo Santana Rocha Filho em processo na Justiça.
      Eles, juntamente com o delegado Mouzinho, tiveram a prisão decretada em julho de 2002 pelo juiz Otaviano Andrade de Souza Sobrinho, de Eunápolis. Foram soltos dias depois, graças a um hábeas-corpus.

 

Policiais comandam "boca de fumo" em Porto
Seguro, Eunápolis, Itamaraju, Arraial D'Ajuda e em outros municípios do extremo sul e sul da Bahia.
      As investigações comandadas pelo Ministério Público Estadual revelam um verdadeiro mar de lama envolvendo delegados, um desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia, agente da Polícia Federal, de Ilhéus, um comandante e um major da Polícia Militar, em Porto Seguro.
      Além do tráfico de drogas, eles são acusados de extorsão, coação, ameaças de morte e assassinatos. Entre os citados em depoimentos prestados à Procuradoria da Justiça em Ilhéus e aos MPs de Eunápolis e Porto Seguro estão o delegado Deraldo Damasceno, Major Uzeda, da PM, e os policiais civis identificados como Cezar, Ari, Barros, Falcão, Vitor e Oderlã.
      Os agentes são acusados de levar cocaína e maconha para os traficantes venderem. "Eles mantinham estreitas relações com traficantes de Porto Seguro", afirmam testemunhas.
      Negócios
      A maior parte dos "negócios" do bando era fechado, segundo as investigações, em Porto Seguro, na Favela do Rato, Campinho e no Baianão, onde é intenso o tráfico de drogas e o índice de criminalidade é alto.
      Os depoimentos revelam, com detalhes, como a droga chega ao extremo sul da Bahia e como ela é distribuída em Porto Seguro e Eunápolis.
      Uma das testemunhas afirmou que até viaturas eram utilizadas para transportar a droga de Itamaraju para Porto Seguro e Eunápolis.
      Outra testemunha deu detalhes de como a quadrilha era beneficiada com hábeas-corpus concedidos por um desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia, que só em uma das negociações teria recebido R$ 150 mil.


'Costas largas' dão proteção aos envolvidos
e garantem os cargos dos cabeças do esquema de tráfico de drogas, execuções, roubo de carros e extorsão.
      Denunciado pelo Ministério Público Estadual em 2002, o delegado Gilberto Mouzinho e os agentes José Luciano Alves da Silva, "Guiamum"; Horley Jackson Santos da Silva, Luís Pellegrino, Amarildo Ribeiro do Prado, Osvaldo Santana Rocha Filho e outros policiais continuam lotados na Secretaria de Segurança Pública da Bahia.
      Depois de dois anos de investigações, o MP revelou como funcionava todo o esquema comandado pelo ex-chefe da 6ª Coordenadoria da Polícia Civil de Itabuna.
      Além do tráfico de drogas e execuções sumarias, Mouzinho e os agentes são acusados de formação de quadrilha, roubo e recepção de veículos. A mortes acorridas neste ano, segundo os promotores públicos que investigam o caso, comprovam que o grupo continua agindo.
      Ousadia
      A maior prova disso, afirmam os representantes do Ministério Público, é que o delegado e os policiais tiveram acesso ao preso Carlinhos Caçamba, quando fizeram interrogatório para saber onde Marcelo Carvalho morava (aquele que teria sido morto pela quadrilha).
      Como o estado não se preocupa em apurar e punir os denunciados pelo MP e os indiciados pela Justiça, os policiais acusados continuam investigando crimes como execução, tráfico de drogas, roubos de carros.
      O resultado é que a violência vem crescendo assustadoramente em Porto Seguro, Eunápolis e outros municípios do sul e extremo sul da Bahia.



 

 
Fonte: A Região

Os assuntos assinados são de responsabilidade dos  autores

  

Leia mais +

Copyright © 2003 -  Sitepopular.com.br Ltda