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Mouzinho e policiais acusados de execução
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Mouzinho e policiais acusados de execução
em praça pública para eliminar provas contra a
quadrilha de roubo de carros, tráfico de drogas e outros crimes. O
bando, conforme investigações do Ministério Público, continua sendo
chefiado pelo ex-coordenador da Polícia Civil, em Itabuna, Gilberto
de Souza Mouzinho.
Acusada de executar testemunhas para dificultar o andamento de
processos, a quadrilha incluiria policiais civis, militares, um
agente federal, delegados e traficantes.
Uma das últimas vítimas da quadrilha foi Marcelo Carvalho de
Jesus, executado com cinco tiros no rosto, em plena praça pública,
às 17 horas do dia 31 de março deste ano. E mais: o crime foi a
menos de dez metros de uma viatura da Policia Militar.
Marcelo, que era usuário e conhecia o "sistema", teria sido
morto porque dias antes da execução aceitou depor na Polícia Federal
para revelar como funcionava o esquema de tráfico de drogas
envolvendo o pessoal ligado à Mouzinho no sul e extremo sul da
Bahia.
Os suspeitos
De acordo com testemunhas, Marcelo Carvalho chegou a ser
procurado por policiais que apelaram para que ele não depusesse.
Como Marcelo insistia em depor, agentes lotados na delegacia de
Porto Seguro passaram a ameaçá-lo de morte, segundo apurou os
promotores que acompanham o caso.
"Eles falaram que o depoimento de Marcelo acarretaria na perda
dos cargos dos policiais", contou uma testemunha aos promotores
públicos. Essa mesma testemunha, que teve o nome preservado pelo
jornal, vai além.
Ela conta que o delegado Gilberto Mouzinho, acompanhado dos
agentes Horley Jackson Santos Oliveira, e outros dois policiais
civis identificados como Ranulfo e Valmir, visitou o traficante
conhecido como Carlinhos Caçamba (primo de Marcelo) na Cadeia
Pública. "Eles queriam saber onde Marcelo estava morando e chegaram
afirmar que ele iria morrer", narrou a testemunha.
A visita ao traficante, liderada por Mouzinho, teria ocorrido
na madrugada de 27 de março, quatro dias antes do assassinato de
Marcelo, que ocorreu na praça São Brás, em Arraial D'Ajuda.
Outro que o Ministério Público suspeita ter sido executado
pela quadrilha foi José Henrique Vieira Nascimento, "Madruga", morto
dias depois de prestar depoimento na Polícia Federal, em Porto
Seguro.
Em seu depoimento à polícia no início do ano, "Madruga" contou
como funcionava todo o esquema que, segundo ele, era comandado pelo
ex-coordenador da Polícia Civil, em Itabuna. "Madruga" tentou
escapar da quadrilha, mas dias depois foi executado em Teixeira de
Freitas.
As execuções de Marcelo Carvalho e "Madruga" teriam como
objetivo inocentar os agentes José Luciano Alves da Silva, "Guiamum";
Horley Jackson Santos da Silva, Luís Pellegrino, Amarildo Ribeiro do
Prado, Osvaldo Santana Rocha Filho em processo na Justiça.
Eles, juntamente com o delegado Mouzinho, tiveram a prisão
decretada em julho de 2002 pelo juiz Otaviano Andrade de Souza
Sobrinho, de Eunápolis. Foram soltos dias depois, graças a um
hábeas-corpus.
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Policiais
comandam "boca de fumo" em Porto
Seguro, Eunápolis, Itamaraju, Arraial D'Ajuda e em
outros municípios do extremo sul e sul da Bahia.
As investigações comandadas pelo Ministério Público Estadual
revelam um verdadeiro mar de lama envolvendo delegados, um desembargador
do Tribunal de Justiça da Bahia, agente da Polícia Federal, de Ilhéus,
um comandante e um major da Polícia Militar, em Porto Seguro.
Além do tráfico de drogas, eles são acusados de extorsão, coação,
ameaças de morte e assassinatos. Entre os citados em depoimentos
prestados à Procuradoria da Justiça em Ilhéus e aos MPs de Eunápolis e
Porto Seguro estão o delegado Deraldo Damasceno, Major Uzeda, da PM, e
os policiais civis identificados como Cezar, Ari, Barros, Falcão, Vitor
e Oderlã.
Os agentes são acusados de levar cocaína e maconha para os
traficantes venderem. "Eles mantinham estreitas relações com traficantes
de Porto Seguro", afirmam testemunhas.
Negócios
A maior parte dos "negócios" do bando era fechado, segundo as
investigações, em Porto Seguro, na Favela do Rato, Campinho e no Baianão,
onde é intenso o tráfico de drogas e o índice de criminalidade é alto.
Os depoimentos revelam, com detalhes, como a droga chega ao
extremo sul da Bahia e como ela é distribuída em Porto Seguro e
Eunápolis.
Uma das testemunhas afirmou que até viaturas eram utilizadas para
transportar a droga de Itamaraju para Porto Seguro e Eunápolis.
Outra testemunha deu detalhes de como a quadrilha era beneficiada
com hábeas-corpus concedidos por um desembargador do Tribunal de Justiça
da Bahia, que só em uma das negociações teria recebido R$ 150 mil.
'Costas largas' dão proteção aos envolvidos
e garantem os cargos dos cabeças do esquema de
tráfico de drogas, execuções, roubo de carros e extorsão.
Denunciado pelo Ministério Público Estadual em 2002, o delegado
Gilberto Mouzinho e os agentes José Luciano Alves da Silva, "Guiamum";
Horley Jackson Santos da Silva, Luís Pellegrino, Amarildo Ribeiro do
Prado, Osvaldo Santana Rocha Filho e outros policiais continuam lotados
na Secretaria de Segurança Pública da Bahia.
Depois de dois anos de investigações, o MP revelou como funcionava
todo o esquema comandado pelo ex-chefe da 6ª Coordenadoria da Polícia
Civil de Itabuna.
Além do tráfico de drogas e execuções sumarias, Mouzinho e os
agentes são acusados de formação de quadrilha, roubo e recepção de
veículos. A mortes acorridas neste ano, segundo os promotores públicos
que investigam o caso, comprovam que o grupo continua agindo.
Ousadia
A maior prova disso, afirmam os representantes do Ministério
Público, é que o delegado e os policiais tiveram acesso ao preso
Carlinhos Caçamba, quando fizeram interrogatório para saber onde Marcelo
Carvalho morava (aquele que teria sido morto pela quadrilha).
Como o estado não se preocupa em apurar e punir os denunciados
pelo MP e os indiciados pela Justiça, os policiais acusados continuam
investigando crimes como execução, tráfico de drogas, roubos de carros.
O resultado é que a violência vem crescendo assustadoramente em
Porto Seguro, Eunápolis e outros municípios do sul e extremo sul da
Bahia.
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