Polícia
investiga morte misteriosa de prefeito
A notícia teve ampla repercussão na Bahia e ganhou espaço em
rádios, jornais e no noticiário das redes de televisão
A Polícia está
investigando a morte, em circunstâncias misteriosas, do prefeito de
Jussari, Valdenor Cordeiro da Silva, 61 anos, empossado no último
sábado, e cujo corpo foi encontrado
no
interior do seu quarto, em sua casa, no final da tarde de domingo. A
necropsia foi realizada ontem, no DPT de Itabuna, pelo legista
Agamenon Rosa, auxiliado pelos peritos João Paulo e Messias Malheiros
que coletaram material para a realização de exames laboratoriais.
Há informações repassadas por assessores do prefeito falecido de que
ele apresentava suspeita de fraturas num dos punhos e nos quadris, o
que pode indicar que a vítima teria se defendido de uma possível
agressão. Outra versão também carente de confirmação é de que ele
teria sido envenenado ao ingerir um pó branco com cheiro de inseticida
encontrado em sua casa, depois de participar de um churrasco com
correligionários, que comemoravam a sua terceira eleição para a
prefeitura de Jussari, um município com cerca de 10 mil habitantes e
que dista 60 quilômetros de Itabuna.
O que aumenta a suspeita de um possível atentado contra a vida de
Valdenor Cordeiro da Silva é que ele mesmo havia denunciado há 15
dias, momentos após a sua diplomação, que estava sendo ameaçado de
morte. A denúncia foi feita no programa Ponto Quatro, na Rádio
Difusora Sul da Bahia. Os autores das ameaças teriam dito que ele foi
eleito, mas não iria governar a cidade.
Repercussão
A notícia da morte do prefeito teve ampla repercussão na região e em
Jussari, uma confusão generalizada se formou na cidade, onde houve a
tentativa de depredação da casa do ex-prefeito Jorge Cordeiro, um dos
seus adversários políticos. O clima de tensão fez com que o 15º
Batalhão da Polícia de Militar deslocasse de Itabuna 12 homens e
viaturas de missões especiais para aquela cidade.
A PM também mobilizou uma patrulha para vigiar o corpo durante a
madrugada de ontem, que ficou numa ambulância lacrada, no necrotério
do DPT, em Itabuna, para onde foi removido. O corpo também foi levado
para exames radiológicos complementares no Hospital de Base Luís
Eduardo, na tarde de ontem. O caso está sendo investigado inicialmente
pelo delegado de Jussari, Ismael Galo, que pretende ouvir familiares
de vítima e também trabalhar em cima dos resultados dos exames
periciais.
Seu irmão, Calvert Cordeiro informou que o irmão estava bem de saúde e
no domingo, além de atender pacientes na pequeno hospital da cidade,
também participou de um almoço com amigos, A sua morte foi descoberta
no final da tarde, em função de um outro compromisso assumido pelo
prefeito numa vila próxima a Jussari.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia, Dinailton
Oliveira, que está em Itabuna, anunciou ontem que a OAB vai acompanhar
as investigações do caso, "um assunto que vou discutir com o
presidente da subsecção local da OAB, Oduvaldo Carvalho, porque este é
um caso que teve ampla repercussão e que precisa ser apurado uma vez
que existe muita especulação."
Quem era
Valdenor Cordeiro
Valdenor Cordeiro tinha 61 anos, era médico clínico geral e havia
trabalhado durante todo o domingo no hospital da cidade, onde também
prestava atendimento a pessoas carentes . Quando assessores o
encontraram, ele já estava morto, com o corpo arroxado, o que provocou
suspeitas de envenenamento, pois, segundo seus familiares, ele não
tinha nenhum problema de saúde e estava bem.
Na cidade também correm boatos de que o candidato derrotado nas
eleições municipais de outubro de 2004 teria ameaçado Valdenor
Cordeiro, afirmando que ele venceu o pleito mas não tomaria posse. Até
a semana passada, Valdenor ocupava o cargo de secretário municipal de
Saúde de Eunápolis.
Esta seria a terceira vez que Valdenor Cordeiro assumiu a prefeitura
de Jussari, município ao qual ajudou como vereador na luta pela
emancipação política há cerca de 18 anos, quando desmembrado de
Itabuna.
Políticos de
todo o estado no enterro de Valdenor
Lideranças políticas de todo o estado estarão hoje em Jussari
acompanhando o enterro do prefeito Valdenor Cordeiro (PSDB), que
morreu no último domingo à tarde em circunstâncias misteriosas. O
prefeito foi encontrado morto em cima da cama onde dormia, poucas
horas depois dele ter chegado em casa alegando a necessidade de
descansar para, em seguida, retomar o plantão no único hospital da
cidade, o Eduardo Gileno Amado Brandão.
Prefeitos e vereadores de toda a região, além de deputados estaduais e
federais, como João Almeida, do PSDB, já confirmaram presença no
sepultamento, marcado para as 9 horas. Entre os prefeitos que irão a
Jussarí estão o de Itabuna, Fernando Gomes, e o de Itapé, Pedro
(Pedrão) Jackson Brandão. O corpo de Valdenor Cordeiro retornou no
final da tarde de ontem para Jussari. O velório está sendo realizado
nas dependências da Câmara Municipal, de onde sairá direto para o
cemitério. O clima na cidade é de comoção, e, até certo ponto, de
revolta, especialmente por parte de partidários do prefeito, que vinha
recebendo constantes ameaças de morte.
O próprio Valdenor Cordeiro tornou públicas as ameaças numa entrevista
concedida ao programa radiofônico “Ponto 4”, da Rádio Difusora, no dia
16 de dezembro, data em que foi diplomado prefeito em solenidade no
Fórum Ruy Barbosa. Ele disse que seus adversários não aceitavam a
derrota e por isso o ameaçavam, chegando ao ponto de afirmarem
abertamente que ele havia sido eleito, mas não governaria.
Coincidência ou não, a previsão dos ameaçadores confirmou-se no último
domingo, um dia após a posse de Cordeiro.
Ontem, no mesmo programa de rádio, o ex-prefeito Jorge Cordeiro se
defendeu das insinuações de que poderia estar por trás das ameaças e
até lamentou a morte do adversário, e primo. “Quero dizer ao povo de
Jussari e da região que também estou sentido com a morte do Valdenor,
que era meu primo. Felizmente, é meu parente e ao longo da vida
prestou bons serviços àquela comunidade, e, com certeza, iria realizar
uma boa administração para o bem da comunidade, assim como eu fiz”,
declarou o ex-prefeito, durante entrevista por telefone.
O ex-prefeito aproveitou para denunciar que imediatamente após o
anúncio da morte de Valdenor Cordeiro correligionários do prefeito
invadiram e depredaram a sua casa, em Jussari. “Eu estava em Itabuna
quando fui informado do problema, que só não teve conseqüências ainda
maiores graças à intervenção lúcida de pessoas ligadas ao próprio
Valdenor. Eu quero até agradecer a essas pessoas pela atitude sensata
e dizer que já identifiquei os vândalos que praticaram esse ato
estúpido e vou denunciá-los à Polícia”.
Apuração
rigorosa
Durante entrevista concedida ontem ao programa “Ponto 4”, o deputado
federal e dirigente estadual do PSDB, João Almeida, lamentou a morte
do prefeito Valdenor Cordeiro e lembrou que era seu amigo há 30 anos,
“desde os tempos de universidade”. O parlamentar falou sobre as
ameaças feitas ao prefeito e disse que irá ao governador Paulo Souto
pedir que os fatos sejam apurados com a devida seriedade.
Para ele, Valdenor Cordeiro faria uma administração modelo em Jussari
que serviria de exemplo para todo o estado e até mesmo o País. “Nós
tínhamos um projeto em que a administração de Jussari seria colocada
como modelo para mostrarmos à Bahia e ao Brasil que é possível
viabilizar grandes e importantes realizações em um município de
pequeno porte. Esse projeto era meu, dele e do nosso partido, o PSDB.
Eu tinha certeza de que realizaríamos esse projeto porque na outra
administração do Valdenor ele foi muito inovador”.
O vice-prefeito Sérgio Magalhães, também conhecido como Sérgio Barrão,
tomou posse ontem pela manhã como novo prefeito de Jussari para
cumprir, por lei, os quatro anos do mandato que está apenas se
iniciando. A solenidade de posse foi rápida, simples e ocorreu às 9
horas, na Câmara de Vereadores. O novo prefeito insinuou que poderá
fazer alterações no secretariado escolhido por Valdenor Cordeiro, ao
afirmar que manterá a equipe pelo menos até o final desta semana.