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A semana será decisiva
para as investigações de irregularidades no governo e no PT e também para
o deputado José Dirceu (PT-SP), que depõe amanhã no Conselho de Ética na
Câmara. Dirceu foi alvo, neste fim de semana, de novas denúncias que o
ligam ao esquema do mensalão e a empréstimos feitos pelo seu partido. O
deputado petista deverá enfrentar no Conselho o deputado Roberto Jefferson
(PTB-RJ), autor das denúncias que levaram ao afastamento de Dirceu da Casa
Civil.
Ontem, a diretora
financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos, confirmou ao jornal Folha de
S. Paulo que o assessor pessoal de Dirceu, Roberto Marques, foi
autorizado a sacar R$ 50 mil de uma das contas do empresário Marcos
Valério Fernandes de Souza no Banco Rural, agência de São Paulo. O saque
teria acontecido em 2004 e a informação foi publicada na revista Veja
desta semana, mas negada por Dirceu no sábado.
Veja publicou a
cópia de um documento apreendido pela Polícia Federal em Belo Horizonte
(MG) e que traz uma lista das pessoas autorizadas a retirar dinheiro da
conta de Valério – entre elas, Roberto Marques. Com a confirmação do
saque, feita por Simone, crescem as suspeitas de ligação de Dirceu com o
mensalão.
O deputado Carlos
Abicalil (PT-MT), integrante da CPMI dos Correios, colocou o documento
publicado por Veja "sob suspeição". Segundo ele, há três indícios
de fraude: o documento "não guarda nexo com os saques e a movimentação
bancária; as assinaturas de autorização não conferem com o padrão das
demais autorizações; e não consta entre os papéis outro documento que
confirme a condição de sacador pela pessoa supostamente autorizada".
Valério – Além do
cara-a-cara com Jefferson e das declarações de Simone, Dirceu terá de
lidar com a disposição de Marcos Valério em provar sua relação com os
empréstimos feitos pelo PT.
Ontem, o jornal
Estado de Minas publicou uma afirmação de Marcos Valério segundo a
qual José Dirceu sabia dos empréstimos. Valério diz ainda que pode
comprovar o fato. Valério teria ido ao gabinete ministerial de Dirceu, no
quarto andar do Palácio do Planalto, acompanhado do presidente do Banco
BMG, Ricardo Guimarães e diz ter agendado encontros de empresários com
José Dirceu.
Concentrado – O
ex-ministro e deputado José Dirceu tem se afastado o máximo possível da
imprensa e não comentou as afirmações de Valério ao Estado de Minas
. Segundo sua assessoria, Dirceu estaria isolado para descansar e se
preparar para o depoimento ao Conselho de Ética.
Dirceu passou o fim de
semana descansando em Cruzeiro do Oeste, no noroeste do Paraná, na casa de
seu filho Zeca Dirceu Becker de Oliveira e Silva, prefeito da cidade e não
atendeu os jornalistas que o procuraram.
Sobre as denúncias do
envolvimento de seu assessor, Roberto Marques, em saques no banco Rural,
Dirceu se limitou a divulgar uma nota. "Contesto taxativamente a suposição
de que Roberto Marques, que é meu amigo, e não meu assessor, tenha sido
autorizado a sacar dinheiro das contas de empresas do senhor Marcos
Valério", diz a nota.
O próprio Marques negou
ter feito saques e disse que seu nome foi usado indevidamente. Chegou a
falar em "homônimos". "Só pode ser então uma armação para complicar a vida
do Zé Dirceu", disse ele à revista Veja .
Confronto –
Dirceu foi orientado a ser agressivo e a encarar, olho no olho, o deputado
Roberto Jefferson no duelo de amanhã, e a desqualificar o oponente. Desde
a semana passada, esse repertório está sendo ensaiado por Dirceu. "Ele
será assertivo e não deixará nenhuma pergunta sem resposta", disse um de
seus advogados. Dirceu atribuirá toda a responsabilidade pelas operações
financeiras do PT ao ex-tesoureiro Delúbio Soares.
Os advogados de Dirceu
apostam que um eventual pedido de cassação de seu mandato será barrado no
Supremo Tribunal Federal (STF). Dirceu estaria protegido da acusação de
falta de decoro parlamentar, já que esteve no Executivo nos últimos dois
anos e meio.
A tese é discutível,
garantem alguns especialistas em direito eleitoral. (Agências)
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