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O patrimônio de três
ex-dirigentes do alto escalão do PT aumentou, em média, 84% nos dois
primeiros anos do governo Lula. Delúbio Soares, Silvio Pereira e Marcelo
Sereno se afastaram da executiva do partido por envolvimento no escândalo
do mensalão. O ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, apontado pelo PT
como maior responsável pela organização do esquema ilegal com o empresário
Marcos Valério de Souza, tinha R$ 68 mil de patrimônio declarado em 2002.
O valor subiu para R$ 116 mil, em 2003, e foi para R$ 163 mil, em 2004.
No domingo, o Correio publicou reportagem mostrando que oito deputados na
fila de cassação aumentaram seu patrimônio, em média, 60% de 2002 a 2004.
Eles integram uma lista de 100 nomes que estão sendo investigados pela
Receita Federal por crime de sonegação fiscal. No caso de Delúbio, membro
da Executiva Nacional do PT desde 1995, ele, em julho, num dos primeiros
depoimentos à CPI dos Correios, se apressou em explicar que ninguém no PT
havia enriquecido por conta das operações do partido com Valério. O
patrimônio declarado de Delúbio é mesmo irrisório para alguém que negociou
a distribuição de milhões em dinheiro. Mas o que chama atenção dos
auditores da Receita é o fato de sua renda e seu patrimônio terem saltado
justamente no período em que Lula virou presidente. Em 2002, o
ex-tesoureiro declarou renda de R$ 37 mil. Em 2003, o valor passou para R$
123 mil e, em 2004, para R$ 156 mil. A movimentação financeira do
ex-tesoureiro também chama atenção. Em 2002, por exemplo, com renda anual
de apenas R$ 37 mil, ele movimentou R$ 125 mil. Delúbio não foi encontrado
nos últimos três dias pelo Correio.
Ex-secretário-geral do partido, Silvio Pereira teve elevação patrimonial
semelhante à de Delúbio — de R$ 190 mil, em 2002, para R$ 369 mil, em
2004. Investigações da CPI dos Correios mostraram que, no cargo ocupado na
burocracia do partido, recebia R$ 12 mil mensais. Sílvio Pereira também
não foi encontrado pelo Correio. Seu desligamento do PT — cujo estopim foi
a descoberta de que recebeu um carro no valor de R$ 73,5 mil de um
empresário beneficiado com contratos públicos — marcou a queda de um dos
mais poderosos integrantes do partido desde a eleição de Lula. Ele
comandou a distribuição dos correligionários pelos cargos federais e foi
acusado, pelo ex-deputado Roberto Jefferson, de ocupar uma sala próxima do
gabinete do então ministro José Dirceu, da Casa Civil.
Marcelo Sereno, que ocupava o cargo de secretário nacional de comunicação
do PT e foi afastado depois de ter sido envolvido no esquema supostamente
comandado por Delúbio é, dos três, o que teve menor evolução no patrimônio
de 2002 a 2004: foi de R$ 100 mil para R$ 128 mil, apesar do aparente
aumento salarial. Sereno declarou renda de R$ 64 mil, em 2002. Em 2004, o
valor subiu para R$ 181 mil.
Aliados
As declarações de ex-assessores de partidos aliados do PT também intrigam
a Receita. Uma das que mais chamam a atenção é a de Jacinto Lamas,
ex-tesoureiro do PL. Lamas, que esteve oito vezes na agência do Banco
Rural em Brasília e ainda passou por dois hotéis da cidade para recolher
os repasses de Valério, viu sua renda cair de R$ 1,4 milhão, em 2000, para
R$ 495 mil, em 2004. No mesmo período, seu patrimônio cresceu de R$ 1,5
milhão para R$ 1,8 milhão. Outro dado que chama a atenção da Receita é sua
movimentação financeira — em 2004, quando sua renda foi de R$ 495 mil, ele
movimentou R$ 1,9 milhão.
Já o ex-assessor da liderança do PP João Cláudio de Carvalho Genu teve
aumento brusco de renda, patrimônio e movimentação financeira de 2003 para
2004 — exatamente no período em que cumpriu a função de arrecadador de
recursos das contas de Valério. A renda de Genu passou de R$ 319 mil, em
2003, para R$ 724 mil, em 2004. No mesmo período, seu patrimônio saltou de
R$ 373 mil para R$ 552 mil, e a movimentação financeira foi de R$ 361 mil
para R$ 683 mil. Lamas e Genu não foram localizados pelo Correio.
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