|
O governador de Goiás, Marconi Perillo
(PSDB), enviou nesta quarta-feira depoimento por escrito ao Conselho de
Ética da Câmara no qual confirma ter conversado com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva sobre a existência de pagamento de mesada a
parlamentares da base aliada.
"Relatei ao senhor presidente da República que ouvira rumores sobre a
existência de mesada a parlamentares em conversas informais em Brasília,
porém sem provas concretas. Repeti o inteiro teor das informações que
havia recebido." De acordo com o governador de Goiás, a conversa ocorreu
no dia cinco de março de 2004.
Em seu depoimento escrito ao Conselho de Ética, Perillo confirmou que o
presidente Lula disse não ter conhecimento do esquema do "mensalão" e que
afirmou pretender tomar providências sobre o assunto.
"O senhor presidente da República disse que não tinha conhecimento e que
ia tomar as providências que o assunto requeria. Não sei quais foram as
providências tomadas. Como não tive mais informações a respeito, e certo
de que havia levado o assunto ao conhecimento da maior autoridade e mais
alto magistrado do país, e como também não tinha provas testemunhais
concretas, resolvi dar por encerrado o assunto. Não voltamos a tratar mais
desse tema. Presenciaram a conversa o motorista e o chefe da Segurança
Presidencial", relatou o governado.
Segundo relatou Perillo, ninguém do governo o procurou para tratar do
assunto depois que surgiram as denúncias do "mensalão". Ele declarou ainda
que, após conversar com o presidente Lula, achou desnecessário procurar
outras pessoas para tratar do assunto.
Raquel Teixeira
O documento do governador de Goiás é a resposta por escrito às perguntas
feitas pelo presidente do conselho, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), a
respeito de suas conversas com a deputada Raquel Teixeira (PSDB-GO) com
presidente Lula sobre o "mensalão".
No depoimento, Perillo confirmou também ter conversado com Lula sobre o
convite que deputada licenciada Raquel Teixeira (PSDB-GO) recebeu para
mudar de partido em troca de dinheiro.
A proposta, teria sido feita pelo líder do PL na Câmara, deputado Sandro
Mabel (GO), e incluía "luvas" no valor de R$ 1 milhão mais uma mesada de
R$ 30 mil, podendo chegar a R$ 50 mil.
"Fui informado, entre fim de fevereiro e início de março, pela deputada
federal Raquel Teixeira de que teria recebido uma proposta para deixar o
PSDB e filiar-se ao PL com a contrapartida de receber mensalmente uma
mesada de cerca de R$ 30 mil e R$ 1 milhão ao final do ano. A proposta
teria partido do deputado federal Sandro Mabel", afirma Perillo.
Segundo o governador goiano, sua reação, assim como a da deputada Raquel
Teixeira, foi de indignação, mas ambos consideraram necessário ter provas
da proposta antes de tornar a informação pública.
"A deputada Raquel Teixeira me disse que havia ficado indignada e que
teria repelido a proposta. Eu disse a ela que se tivesse provas concretas
levaria o caso ao senhor presidente da República, às autoridades
judiciárias e ao conhecimento público por intermédio da imprensa. Fiquei
extremamente preocupado e indignado com a tentativa de cooptação que me
foi relatada."
|