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09/08/2005 - Mensalão: Josias Gomes transferiu dinheiro do "mensalão" para parentes

                                                               
 

 

 

 Sitepopular.com

Correio da Bahia

Ex-presidente estadual do PT ficou com os R$100 mil que sacou da conta de Marcos Valério

Josias disse que dinheiro seria para campanha, mas PT nega que tenha recebido verba

BRASÍLIA - A situação do presidente afastado da executiva estadual do Partido dos Trabalhadores, deputado federal Josias Gomes (PT-BA), que já era difícil desde o surgimento do escândalo do "mensalão", se complicou ainda mais com as últimas revelações do ex-tesoureiro da agência do Banco Rural em Brasília, José Francisco de Almeida Rego, uma testemunha-chave do caso. Em depoimento informal à Polícia Federal, Rego revelou que Josias fez várias transferências de dinheiro para contas de parentes logo após receber, em duas parcelas, R$100 mil repassados por Marcos Valério. No ato do saque, Josias também deixou cópia da carteira de deputado.

A revelação compromete a tese dos empréstimos para pagamento de dívidas de campanha. Para um dos encarregados da investigação sobre o "mensalão", as informações do tesoureiro, se confirmadas, jogarão por terra a versão de Gomes sobre a campanha. Com isso, mesmo se escapar da punição por crime eleitoral, o deputado ainda terá que responder por corrupção e lavagem de dinheiro. Pela lista de Valério, Gomes fez dois saques de R$50 mil cada, em 11 e 18 de setembro de 2004.

Segundo Francisco Rego, tão logo recebeu os repasses, Gomes fez várias transferências para parentes. A partir daí, a PF decidiu aprofundar as investigações sobre transações bancárias do deputado. "Vamos ver se estas transferências estão registradas", disse um policial. Procurado na noite de sexta-feira, Gomes não foi localizado.

Logo após a divulgação da lista dos beneficiários do publicitário Marcos Valério, apontado como operador do "mensalão", Josias Gomes primeiro negou ter feito qualquer saque, alegando que tinha ido à agência do Banco Rural em Brasília para tomar informações sobre um empréstimo pessoal. Depois, como não havia mais como negar os saques, ele mudou a história e disse que tinha os feito para pagamento de débitos de campanha do PT baiano. Posteriormente, já afastado da executiva estadual do partido, o PT baiano divulgou nota oficial informando que os R$100 mil sacados por Gomes não tinham entrado no caixa do PT. Josias Gomes, entretanto, desmentiu a nota oficial da executiva do PT baiano e insistiu na tese de que não teria utilizado a verba em benefício próprio. Desde então, ninguém mais consegue contato com Josias Gomes.

As informações prestadas por Rego à Polícia Federal também deixaram em apuros o deputado federal José Borba (PMDB-PR). Com uma pasta recém-comprada, ainda com a etiqueta, Borba foi à agência do Banco Rural em Brasília sacar dinheiro da conta da SMPeB. Segundo Rego, Borba chegou à agência tão logo ela foi aberta, às 11h. Um problema administrativo no Banco Central atrasou a remessa das cédulas ao Rural, o que obrigou o deputado a esperar algumas horas. O ex-tesoureiro lembra que saiu para almoçar e que Borba ficou na agência. Ao voltar, o deputado continuava esperando. O maior contratempo surgiu quando Borba pediu ao deputado que assinasse o recibo do saque. Irritado, o peemedebista reclamou da exigência, ameaçou usar seu prestígio para reclamar à direção do banco e negou-se a assinar qualquer documento.

"Ele foi mal-educado e disse que iria reclamar à direção", contou o gerente. Diante da recusa de Borba a assinar o documento, foi necessário chamar Simone Vasconcelos, em Belo Horizonte, para que ela sacasse o dinheiro em seu nome e o repassasse ao deputado. A assessoria de Borba informou que ele ainda não se pronunciou sobre a acusação de que retirou dinheiro da conta da SMPeB.

 

 

 
 
 
 
 

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Fonte:  Sitepopular

 

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