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Ex-presidente
estadual do PT ficou com os R$100 mil que sacou da conta de Marcos Valério
Josias disse que dinheiro seria para
campanha, mas PT nega que tenha recebido verba
BRASÍLIA - A situação do presidente afastado
da executiva estadual do Partido dos Trabalhadores, deputado federal
Josias Gomes (PT-BA), que já era difícil desde o surgimento do escândalo
do "mensalão", se complicou ainda mais com as últimas revelações do
ex-tesoureiro da agência do Banco Rural em Brasília, José Francisco de
Almeida Rego, uma testemunha-chave do caso. Em depoimento informal à
Polícia Federal, Rego revelou que Josias fez várias transferências de
dinheiro para contas de parentes logo após receber, em duas parcelas,
R$100 mil repassados por Marcos Valério. No ato do saque, Josias também
deixou cópia da carteira de deputado.
A revelação compromete a tese dos
empréstimos para pagamento de dívidas de campanha. Para um dos
encarregados da investigação sobre o "mensalão", as informações do
tesoureiro, se confirmadas, jogarão por terra a versão de Gomes sobre a
campanha. Com isso, mesmo se escapar da punição por crime eleitoral, o
deputado ainda terá que responder por corrupção e lavagem de dinheiro.
Pela lista de Valério, Gomes fez dois saques de R$50 mil cada, em 11 e 18
de setembro de 2004.
Segundo Francisco Rego, tão logo recebeu os
repasses, Gomes fez várias transferências para parentes. A partir daí, a
PF decidiu aprofundar as investigações sobre transações bancárias do
deputado. "Vamos ver se estas transferências estão registradas", disse um
policial. Procurado na noite de sexta-feira, Gomes não foi localizado.
Logo após a divulgação da lista dos
beneficiários do publicitário Marcos Valério, apontado como operador do
"mensalão", Josias Gomes primeiro negou ter feito qualquer saque, alegando
que tinha ido à agência do Banco Rural em Brasília para tomar informações
sobre um empréstimo pessoal. Depois, como não havia mais como negar os
saques, ele mudou a história e disse que tinha os feito para pagamento de
débitos de campanha do PT baiano. Posteriormente, já afastado da executiva
estadual do partido, o PT baiano divulgou nota oficial informando que os
R$100 mil sacados por Gomes não tinham entrado no caixa do PT. Josias
Gomes, entretanto, desmentiu a nota oficial da executiva do PT baiano e
insistiu na tese de que não teria utilizado a verba em benefício próprio.
Desde então, ninguém mais consegue contato com Josias Gomes.
As informações prestadas por Rego à Polícia
Federal também deixaram em apuros o deputado federal José Borba (PMDB-PR).
Com uma pasta recém-comprada, ainda com a etiqueta, Borba foi à agência do
Banco Rural em Brasília sacar dinheiro da conta da SMPeB. Segundo Rego,
Borba chegou à agência tão logo ela foi aberta, às 11h. Um problema
administrativo no Banco Central atrasou a remessa das cédulas ao Rural, o
que obrigou o deputado a esperar algumas horas. O ex-tesoureiro lembra que
saiu para almoçar e que Borba ficou na agência. Ao voltar, o deputado
continuava esperando. O maior contratempo surgiu quando Borba pediu ao
deputado que assinasse o recibo do saque. Irritado, o peemedebista
reclamou da exigência, ameaçou usar seu prestígio para reclamar à direção
do banco e negou-se a assinar qualquer documento.
"Ele foi mal-educado e disse que iria
reclamar à direção", contou o gerente. Diante da recusa de Borba a assinar
o documento, foi necessário chamar Simone Vasconcelos, em Belo Horizonte,
para que ela sacasse o dinheiro em seu nome e o repassasse ao deputado. A
assessoria de Borba informou que ele ainda não se pronunciou sobre a
acusação de que retirou dinheiro da conta da SMPeB.
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