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BRASÍLIA - O presidente do PTB, Roberto
Jefferson (RJ), confirmou, em depoimento ao Conselho de Ética
da
Câmara, nesta terça-feira, a existência do mensalão, o pagamento de
propinas a parlamentares da base aliada, apesar de voltar a afirmar que
não pode comprovar as acusações. Ele disse que o presidente do PT, José
Genoino, e ministros tiveram conhecimento do esquema, entre eles, o da
Casa Civil, José Dirceu, e o da Fazenda, Antonio Palocci. Segundo
Jefferson, Dirceu criou "um cordão de isolamento", que impediu que o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomasse conhecimento logo das
denúncias. O petebista chegou a chamar Dirceu de Rasputin - monge que
exerceu uma enorme influência no império russo, embora não tivesse cargo -
e disse que, se ele não sair do governo, pode transformar Lula em réu:
- Zé Dirceu, se você não sair daí rápido, vai fazer réu um homem bom -
provocou Jefferson.
O presidente do PTB citou os nomes de seis parlamentares que, segundo ele,
fariam parte do esquema do mensalão.
- Não são todos os deputados que recebem mensalão. Tem muita gente do PT
que está acima disso, tem muita gente do PL que está acima disso. Mas,
deputado Valdemar da Costa Neto (SP, presidente do PL), deputado José
Janene (PR, atual líder do PP na Câmara), Pedro Corrêa (PE, atual
presidente do PP), Sandro Mabel (PL-GO), Bispo Rodrigues (PL-RJ), Pedro
Henry (MT, ex-líder do PP na Câmara), me perdoem, de coração, não posso
ser cúmplice de vocês nessa história que envergonha uma grande parte da
Câmara dos Deputados - atacou.
Interpelado por Costa Neto, o primeiro deputado a lhe fazer perguntas após
sua defesa oral, Jefferson o acusou diretamente de receber propina para
votar com o governo:
- Eu afirmo que o senhor recebe o repasse - disse.
O presidente do PL reagiu e os dois iniciaram uma discussão ríspida. Costa
Neto conseguiu que o líder do PTB, José Múcio (PE), declarasse jamais
tê-lo visto tratando de mensalão. Antes, Jefferson dissera que Costa Neto
teria participado de reunião para pressionar o PTB a receber a propina.
Em suas declarações ao Conselho de Ética, Jefferson reafirmou que o
tesoureiro do PT, Delúbio Soares, era o responsável pelo mensalão e voltou
a falar nos valores de R$ 30 mil para cada deputado para que votasse com o
governo. Jefferson confirmou que Marcos Valério Fernandes de Souza,
publicitário de Minas Gerais, era o "pombo-correio", responsável por levar
o dinheiro aos deputados. O presidente do PTB voltou a dizer também que o
secretário-geral do PT, Silvio Pereira, que seria responsável pela
partilha de cargos do governo federal, participava do esquema.
- O PTB não é responsável pela corrupção nos Correios. Ali tem a mão do
governo - disse.
Jefferson disse ainda que contou a história do mensalão para os ministros
Dirceu, Palocci, Ciro Gomes( da Integração Nacional); Walfrido dos Mares
Guia (do Turismo); e Miro Teixeira (à época no Ministério das
Comunicações).
- Ele nega, mas eu disse isso pra ele, olho no olho - afirmou o presidente
do PTB sobre o ministro da Fazenda.
Para o deputado, o esquema do mensalão foi encerrado por ordens de Lula.
- O presidente Lula mandou parar, tenho certeza. Finalmente pude dizer ao
presidente o que os ministros irresponsavelmente não passaram para ele.
Também tenho lido que o presidente recomendou que o tesoureiro (Delúbio)
fosse afastado. Mas Lula é presidente do governo, não do PT - afirmou.
Jefferson repetiu o que já tinha dito em entrevista ao jornal "Folha de
São Paulo" sobre a reação do presidente ao saber, posteriormente, da
existência do mensalão:
- Foi como se recebesse uma facada. O presidente chorou, se levantou, me
deu um abraço e me mandou embora. (...) Vi um inocente desabar. Um homem
de bem, simples, correto, que se sentiu traído.
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